sexta-feira, janeiro 16, 2026

Na hora da almoço - de Belchior


No centro da sala, diante da mesa
No fundo do prato, comida e tristeza
A gente se olha, se toca e se cala
E se desentende no instante em que fala
Medo, medo, medo

Cada um guarda mais o seu segredo
Sua mão fechada, sua boca aberta
Seu peito deserto, sua mão parada
Lacrada e selada e molhada de medo
Medo, medo, medo

Pai na cabeceira: é hora do almoço
Minha mãe me chama: é hora do almoço
Minha irmã mais nova, negra cabeleira
Minha vó reclama: é hora do almoço, moço, moço, moço

E eu ainda sou bem bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisas, cuidemos da vida
Se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida
Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa aparecida

 

2 comentários:

Frazec (vulgo Jean-Philipe Rameau) disse...

Carlinus, obrigado por compartilhar. Eu não conhecia esse vídeo de Belchior (o primeiro dele, segundo a legenda), um poeta musical e um músico poético (um tanto pleonásticos, meus adjetivos elogiosos, mas quis mesmo enfatizar a genialidade desse que, fazendo falta, é tão presente!). :-)

Carlinus disse...

Olá, Frazec. Obrigado pelo comentário. Desculpe pela demora em responder. Eu também não conhecia. Tanto é assim que, após vê-lo, senti a necessidade imediata de colocá-lo aqui. Um grande abraço!