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quarta-feira, abril 08, 2020
segunda-feira, outubro 21, 2019
O neoliberalismo é uma bomba prestes a explodir - o caso chileno
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| Vista de Santiago. Ao fundo, a Cordilheira dos Andes |
Estive no Chile em julho de 2015. Tenho boas lembranças de lá. Passei cinco dias na capital do país, Santiago. Além de Santiago, tive a oportunidade de ir à moderna - e com aspecto de balneário - Viña del Mar. Foi de lá que guardei as primeiras imagens do Oceano Pacífico. Pude sentir as suas frias águas. Depois, desloquei-me com a minha esposa à vizinha Valparaiso, que se espalha, derrama-se, por uma colina e passa a impressão de que está tentando fugir das águas do grande Oceano. Valparaiso é uma cidade evocativa. Suas ruas abrigam belas páginas da história do país. Nela podemos encontrar uma das residências do maior ícone literário do país, o poeta Pablo Neruda. Há um um dos principais portos da América Latina. No passado, já foi um dos mais importantes do mundo.
O Chile passou a impressão de que possuía um modelo que funcionava. Para o observador comum, trata-se de um país bonito e aparentemente organizado. A modernidade chegou à cidade de Santiago. Há prédios enormes e espelhados. Os engarrafamentos são atordoantes ao final do dia. As ruas ficam repletas de estudantes e pessoas de todas as idades que caminham em meio aos carros. Os ônibus longos passam liberando nuvens de um fumaça escura. O metrô possui inúmeras linhas segmentadas por cores e atravessa toda a cidade. Tive a oportunidade de ir a vários locais utilizando esse meio de transporte. Os chilenos são simpáticos e dão mostras de que trabalham bastante. Há uma quantidade grande de bancos espalhados pela capital. As construções públicas misturam a estética latino-americana ao rigor da modernidade de qualquer grande cidade do mundo.
Certa vez, escutei o ex-jornalista da Rede Globo Alexandre Garcia incensar, com babosos elogios, a economia chilena e os avanços sociais do país (sic.). Já tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas que defenderam o modelo do Chile para que fosse adotado pelo Brasil. O que paira no senso-comum é a noção de que o Chile é uma ilha, uma espécie de oásis na desigual e caótica América Latina. O país estaria bem à frente dos outros países do continente. As pessoas por lá seriam mais felizes e haveria uma forte promoção de bem-estar no país que consolidou a racionalidade econômica de mercado em toda a sociedade.
O atual governo brasileiro, do alto de sua inabilidade administrativa e de sua sanha privatista, possui um entusiasta do modelo chileno. O banqueiro especulador e, depois, ministro da fazenda Paulo Guedes, um dos "cérebros" pavimentadores da lógica econômica do bolsonarismo, foi um dos articuladores do modelo chileno. No final dos anos 70 e início dos anos 80, durante a Ditadura de Pinochet, Guedes e outros economistas neoliberais da chamada Escola de Chicago fizeram do país um laboratório para as investidas privatistas, que desarticularam toda a política social do estado chileno, entregando-a aos especuladores do mercado. Ou seja, o mesmo que o bolsonarismo pretende aplicar no Brasil, se não houver uma reação popular por parte dos trabalhadores. No entanto, acontece que a bomba social não estoura de imediato. Passam-se anos até que os dejetos dessa política deletéria sejam produzidos.
O que acontece é que começaram a chegar notícias de insatisfações por parte dos chilenos. Desde sexta-feira passada, que o país enfrenta ondas pesadas de protestos. O país não é um oásis como se pensava; é um grande deserto para boa parte das pessoas. Não há a satisfação de uma social democracia no país, mas padrões neoliberais aplicados em todos os setores da vida. 50% da população vive com menos que um salário mínimo. Os serviços públicos são quase inexistentes. As universidades são públicas, mas quem quiser frequentá-las, precisa pagar mensalidade. Ser público não significa ser gratuito, como acontece no Brasil. Não há um SUS como no Brasil, pois a saúde também é paga. O fato de ser paga não garante que é de qualidade como, infelizmente, reza o senso comum no Brasil. Os planos de saúde são caríssimos no país. Ficar doente ou precisar de uma intervenção mais cara, significa ficar por muito tempo endividado. Há como que uma proibição de se ficar doente. Os direitos trabalhistas foram "destruídos". Não existe uma proteção aos trabalhadores.
Os patrões se veem cada vez mais empoderados, porquanto a legislação não favorece a parte mais fraca da relação. Os sindicados são "inofensivos". A legislação permite a existência de milhares de sindicatos. Por exemplo, é possível que para uma categoria existam de 30 a 50 sindicatos. Os patrões negociam com aqueles que estejam rendidos aos interesses dos próprios patrões. Não há poder de barganha. As aposentadorias não fazem parte de um fundo público, como no Brasil que possui uma autarquia pública (INSS) para gerenciar essas aposentadorias e pensões. Na verdade, o que existe no Chile é uma entidade do mercado que gerencia os valores descontados dos trabalhadores e se utiliza disso para aplicar no mercado por meio de especulações. Geralmente, quem está a serviço da administração desses fundos, é donos das entidades do setor financeiro - bancos etc. Então o que se dá é que o dinheiro dos trabalhadores é utilizado pelo mercado para gerar mais dinheiro para o rentismo. Quando se aposentam, os trabalhadores se veem numa condição de penúria. O número de suicídios entre os idosos é recorde na América Latina.
Pintado esse quadro, é possível intuir o porquê dos manifestos existentes no Chile. O que acontece é que isso próprio de experiências neoliberais, que ao invés de produzir bem-estar e riqueza social para o povo, produz riquezas para um grupo de apaniguados gananciosos; que aplicam receitas empobrecedoras e geradoras de miséria para boa parte de uma sociedade. A lógica do capital sob o signo do neoliberalismo é produzir ganhos incalculáveis para uma porcentagem pequena do setor financeiro. O neoliberalismo produz a depauperação do trabalhador, deixando-o desprotegido e, se possível, na informalidade. Sua especialidade é a ampliação das desigualdades sociais e, com isso, os conflitos tornam-se inevitáveis. É como vemos no Chile, no Equador e, logo mais, no Brasil.
Alguns dados fora tirados daqui.
quarta-feira, março 06, 2019
Paulo Guedes, uma gestão para fabricar miseráveis
Em artigo monumental assinado por André Araújo para o GGN, encontramos
uma funda e lancinante análise sobre o incensado ministro Paulo Guedes, o
“posto Ipiranga” do governo Bolsonaro e sobre a Escola de Chicago. Se tivesse
sido coerente consigo, Bolsonaro não teria escolhido Paulo Guedes para ser o
seu todo-poderoso Ministro da Fazenda. Vale lembrar que Bolsonaro foi um duro
crítico das privatizações da era FHC. Ele sabia que para ter estofo, criar
condições de elegibilidade e sustentabilidade de um suposto governo, teria que
convidar alguém que fizesse amplas e irrestritas sinalizações para o mercado.
O início do governo Bolsonaro tem sido marcado por uma sucessão de
qüiproquós. Percebe-se uma inabilidade administrativa de muitos dos ministros.
Alguns são meros sabujos; outros, estão comprometidos com o obscurantismo; são
antípodas da civilização. Negam evidências científicas. Radicalizam ideias numa
fixidez infantil.
Um dos mais badalados é Paulo Guedes, o guardião das joias da coroa.
Desde a campanha, Bolsonaro deu carta branca para que o banqueiro realize as
reformas de que o mercado necessita. Todavia, aquilo de que o mercado
necessita, não necessariamente está harmonizado com as demandas da sociedade.
Administrar um país não é o mesmo que gerir uma empresa. Um país desigual como
o Brasil exige que certas demandas sejam resolvidas com certa urgência.
O interesse do mercado é gerar riquezas para entes privados. Os
benefícios para a sociedade acontecem por tabela, por consequência indireta. Para
que o projeto de desmantelamento dos direitos sociais assegurados na
Constituição e das riquezas do estado estejam à serviço do mercado é preciso
flexibilizar direitos. O eufemismo, figura que consiste no abrandamento de uma
expressão, utilizado para a consecução desse projeto é “reforma”. As reformas
são necessárias, mas desde que beneficiem ou incluam os mais pobres. País rico
não é aquele que produz riquezas para os ricos apenas, mas é aquele que
consegue tirar o maior número de miseráveis da pobreza.
Paulo Guedes é sacerdote do deus mercado. Seu mantra é a privatização de
tudo; a entrega das riquezas produzidas coletivamente para as mãos de poucos.
Uma lipoaspiração profunda do estado. Cada um é o senhor de si, segundo a
concepção ultraliberal de Guedes, capaz de colocar em prática a livre
iniciativa. Guedes esquece que em um país, com o número de desempregados, ou de
pessoas jogadas na informalidade, o mercado não é o mecanismo adequado para
selecionar o problema. O receituário do Chicago Boy só gerou perdas e tragédias
sociais onde foi aplicado. Uma vez que seja aplicado do modo como o mercado
deseja, teremos uma geração de desvalidos e miseráveis, com menos serviços
públicos, com degradação ambiental, violência, repressão e as expectativas
cinzentamente melancólicas sobre o futuro.
Das catacumbas de Chicago, uma política de exclusão social – a história cobrará seu preço
O Ministro Paulo Guedes acredita que o Estado não é necessário para amparar os excluídos da prosperidade, MAS ele estudou na Universidade de Chicago com uma bolsa da CAPES, portanto paga pela Estado brasileiro. Não é uma incoerência? É evidente, mas como procurar coerência em quem não tem a mínima noção de seu País? A visão dele é de mercado, ele é um homem de mercado e não de Estado, a partir do Plano Real a economia do Brasil é regida por “homens de mercado” e não por homens de Estado, com Paulo Guedes se chega a expressão máxima dessa anomalia.
A Escola de Economia de Chicago está HOJE absolutamente fora da corrente mais moderna do pensamento econômico nos Estados Unidos.
É uma doutrina que já estava fora da logica econômica ANTES da crise financeira de 2008, mas a partir dessa catástrofe, salva pelo Estado, a escola de Chicago foi enterrada, ninguém mais a leva a sério suas cartilhas démodées, sua visão simplista de mundo que nem aos EUA serviu. Teve um fugidio ciclo de gloria nos anos 70 e 80 nos governos Thatcher e Reagan com desdobramento nos porões do governo Pinochet no Chile mas mesmo no Chile o almanaque de Chicago foi arquivado com a queda humilhante do Ministro da Fazenda Sergio de Castro em 1982, um ícone de Chicago, episódio que aqui no Brasil os Chicago-boys jamais contam, o plano neoliberal da gestão Sergio de Castro, tão elogiado por quem não conhece a estória inteira, fez agua, levou o Chile a uma mega crise financeira e politica e uma completa troca da equipe econômica, o novo Ministro foi o General Enrique Montero, cuja politica foi um reverso da anterior com o ápice numa crise cambial incontrolável, lembrando o que ocorreu com a gestão Gustavo Franco no BC do Brasil.
A escola de Chicago no Chile conduziu a economia chilena ao desastre, Pinochet trocou de política muito antes de cair, lá NÃO foi um sucesso.
Mas em Chicago uma curiosa recorrência aconteceu. Os alunos medíocres de Milton Friedman, muitos deles brasileiros, puseram na cabeça somente alguns capítulos de sua cartilha. Friedman era muito mais inteligente que seus alunos e ele tinha perfeita consciência das limitações da economia de mercado para organizar uma sociedade. Friedman foi um dos primeiros proponentes de um mecanismo de amparo social aos que não conseguem competir por limitações que são da própria natureza e não de culpa individual e para esses desafortunados Friedman defende o amparo do Estado, seu modelo é uma raiz da ” bolsa família’. Essa parte das aulas de Friedman os fanáticos da economia de mercado não aprenderam e não repercutem. Também não contam o final da vida de Friedman, que reviu muitas de suas lições em longas conversas com Alan Greenspan, que mostrou a Friedman a complexidade operacional da política monetária que ia muito além do que Friedman, um acadêmico puro, pensava.
Artigo completo AQUI
A Escola de Economia de Chicago está HOJE absolutamente fora da corrente mais moderna do pensamento econômico nos Estados Unidos.
É uma doutrina que já estava fora da logica econômica ANTES da crise financeira de 2008, mas a partir dessa catástrofe, salva pelo Estado, a escola de Chicago foi enterrada, ninguém mais a leva a sério suas cartilhas démodées, sua visão simplista de mundo que nem aos EUA serviu. Teve um fugidio ciclo de gloria nos anos 70 e 80 nos governos Thatcher e Reagan com desdobramento nos porões do governo Pinochet no Chile mas mesmo no Chile o almanaque de Chicago foi arquivado com a queda humilhante do Ministro da Fazenda Sergio de Castro em 1982, um ícone de Chicago, episódio que aqui no Brasil os Chicago-boys jamais contam, o plano neoliberal da gestão Sergio de Castro, tão elogiado por quem não conhece a estória inteira, fez agua, levou o Chile a uma mega crise financeira e politica e uma completa troca da equipe econômica, o novo Ministro foi o General Enrique Montero, cuja politica foi um reverso da anterior com o ápice numa crise cambial incontrolável, lembrando o que ocorreu com a gestão Gustavo Franco no BC do Brasil.
A escola de Chicago no Chile conduziu a economia chilena ao desastre, Pinochet trocou de política muito antes de cair, lá NÃO foi um sucesso.
Mas em Chicago uma curiosa recorrência aconteceu. Os alunos medíocres de Milton Friedman, muitos deles brasileiros, puseram na cabeça somente alguns capítulos de sua cartilha. Friedman era muito mais inteligente que seus alunos e ele tinha perfeita consciência das limitações da economia de mercado para organizar uma sociedade. Friedman foi um dos primeiros proponentes de um mecanismo de amparo social aos que não conseguem competir por limitações que são da própria natureza e não de culpa individual e para esses desafortunados Friedman defende o amparo do Estado, seu modelo é uma raiz da ” bolsa família’. Essa parte das aulas de Friedman os fanáticos da economia de mercado não aprenderam e não repercutem. Também não contam o final da vida de Friedman, que reviu muitas de suas lições em longas conversas com Alan Greenspan, que mostrou a Friedman a complexidade operacional da política monetária que ia muito além do que Friedman, um acadêmico puro, pensava.
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