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sexta-feira, março 27, 2020

"Star Wars: A ascensão de Skywalker" - mais do mesmo

 
Esses dias de quarentena têm servido para, entre outras coisas, assistir a alguns filmes. Por causa de uma demanda categórica, resolvi ver Star Wars: A ascensão de Skywalker, o episódio IX da conhecida saga iniciada or George Lucas ainda nos anos 71 do século XX. Falo em "demanda categórica" por ser fã de Lucas. Queria ver o que fizeram com a intriga cósmica que ele criou.

Como explicitei aqui há algumas semanas, Lucas vendeu para os estúdios Disney os direitos sobre os filmes. Até o momento da venda eram apenas seis filmes. 

Para preencher uma sede, a princípio, dos fãs do filme, começaram a surgir obras quase anuais da saga. Quando não seguem o fluxo dos episódios, abordam perifericamente algum personagem ou evento não muito bem explicitado da saga. O objetivo disso tudo, claro, é o fator financeiro. Busca-se o lucro. As cifras bilionárias, pois ainda existe um público cativo; disposto a quedar-se diante da magia iniciada por Lucas.

Foi em busca da magicidade, que busquei assistir ao episódio IX. Infelizmente, a experiência não foi das melhores. Acredito que não existe mais o que explorar naquilo tudo. Falta imaginação. Há uma previsibilidade em tudo o que acontece. Os conflitos entre as personagens que compõem as hostes que se rebelam contra a Primeira Ordem já não empolga. Mais do mesmo. Os vilões, por sua vez, são imperfeitos em demasia. Houve uma tentativa de inserção do Senador Palpatine contra a Ray, a última Jedi. Teria sido melhor se o conflito entre os dois não tivesse acontecido. O conflito entre os dois possui rápida resolução. Acredito que este seja um dos problemas do filme: os conflitos possuem uma rápida resolução.

O conflito que leva ao clímax é um dos pontos mais baixos do filme. Sinceramente, cansa do início ao fim: milhares de naves imperiais contra naves capengas e sucateáveis. Foi-se o tempo em que havia filosofia, religiosidade, magia; uma crença imponderável, a maravilhosa direção e o olhar clínico de Lucas. Tudo me pareceu bastante descuidado. Sem força imagética. Repetitivo. Suntuosamente, desgastado.

Trata-se de um tipo de obra que não dá sustos no espectador. É redonda em excesso. Já se sabe a que porto vai chegar. 

Com certeza, um dos piores filmes que vi nos últimos tempos.

terça-feira, junho 24, 2014

Ponto de vista!

Lendo o texto abaixo eu pude perceber e refletir um pouco mais sobre o quanto não existe isenção naquilo que é trabalhado pelos figurões da publicidade e do jornalismo nativo mal intencionado. Olho de soslaio para a Copa. Fujo dessa histeria que foi construída em torno do mundial. Todavia, o brasileiro em geral oscila entre a euforia e uma visão depreciativa do seu país. Tal "complexo negativo" é uma consequência do nosso processo de formação. Se analisarmos a nossa constituição, perceberemos que a nossa identidade enquanto sociedade foi formada por uma lógica exploratória. A nossa colonização não aconteceu com o propósito de que formássemos uma coesão em torno de projetos, intenções, sonhos e esperanças. Fomos explorados, expropriados daquilo de que melhor possuíamos. Deve ser levando em conta ainda que uma elite patrimonialista e analfabeta sempre se utilizou do Estado para fins próprios. Essa elite sempre buscou viver "uma Idade Média", ou seja, sempre buscou "feudalizar" as relações históricas e tirar vantagens disso. E ela ainda está aí! Os barões da mídia vêm daquelas antigas famílias que sempre viram esse país como uma "ilha" atrasada para as suas maracutaias, como trabalha tão bem o cineasta Glauber Rocha no seu raivoso "Terra em Transe". Essa mesma elite tira proveitos do poder de alcance que as informações têm em nosso momento histórico, para inventar factoides e tirar vantagens políticas. Analise-se o nome das famílias que são detentoras do meios de comunicação e pode se perceber que elas se ligam aos antigos coronéis da Colônia. Ultimamente, a grande moda foi, desde julho do ano passado, quando começaram as manifestações, que "murcharam" justamente por não ter um projeto, uma pauta política, falar mal do país. Já se aprendeu historicamente que revolução não se faz sem um projeto de coesão, sem uma operação sistemática de ideias com uma finalidade explícita. Apenas um ajuntamento de pessoas atomizadas não gera mudanças, caindo consequentemente na anarquia como vimos. Pois, a mídia tem explorado ao máximo esse episódio, pois com isso ela alcança três objetivos: (1) enfraquecer o governo da Dilma Rousseff e do PT. Deve ser ressaltado que a esquerdopatia e o antipetismo atual são justamente resultado desse trabalho. (2) cria uma imagem negativa do Brasil para o mundo, confirmando sua tese histórica de que somos "um povinho incivilizado"; e que aqui só temos Carnaval e Futebol. (3) sua militância resulta em lucros e em uma sociedade que não toma consciência de si e, com isso, a hegemonia dela fica preservada. Nesses dias de Copa, já passei pelos aeroportos de Brasília, Congonhas, Porto Alegre e Guarulhos e não vi o caos propalado pelos "cavaleiros do apocalipse". Pelo contrário, vi muitos estrangeiros admirados - coreanos, argelinos, equatorianos, nicaraguenses, etc. É terrível quando não nos conhecemos. Isso acaba fazendo com que não nos valorizemos. Quando isso se dá, tornamo-nos alvos fáceis para sermos cooptados politicamente e filosoficamente. Um país capaz de desligar a TV e ligar sua atenção na programação da sua história, tem tudo para promover mudanças consideráveis. Afinal, como diz a música da Nação Zumbi: "A revolução não vai passar na TV". Isso não traria solução a todos os nossos problemas, mas nos daria paz para construirmos uma sociedade diferente. Abaixo, um belo texto"

"Parte do que dizem de nós não está sob nosso controle. Mas é possível trabalhar a imagem do país no nível da influência e da reputação. Como fazem pessoas e marcas. O Brasil é uma marca. Que nós, os donos dela, temos tratado muito mal. Imagine o dono de um produto que vibra mais quando falam mal do seu produto do que quando falam bem dele. Esses somos nós".


terça-feira, julho 19, 2011

Ágora – mais um belo filme espanhol

Os espanhóis voltaram a fazer um bom filme - Ágora – do diretor Alejandro Amenábar, tendo como protagonista a bela Rachel Weisz que faz o papel de Hypatias, filósofa neoplatônica do primeiro século depois de Cristo. A ágora para os gregos era o local onde a vida pública propriamente dita acontecia. Nesse sentido, o filme possui uma fotografia incrível. As descrições históricas impressionam. Retrata com fidelidade os fatos atinentes à vida e ao contexto político e social da época em que viveu a bela pensadora.

Os séculos IV e V d.C. foram extraordinariamente conturbados. Uma crença tomava de conta de todos os setores da vida social. O radicalismo da fé chegava a paroxismos nunca vistos. Os cristãos que haviam sido perseguidos, transformados em mártires, reverteram o quadro histórico e conseguiram fazer com que o Estado Romano tolerasse a sua fé. O imperador Teodósio (347-395 d.C) havia se convertido ao cristianismo. A fé que não a cristã não era aceita por aqueles que se diziam discípulos de Jesus Cristo. O culto aos deuses greco-romanos passou ser intolerado. Houve assim a institucionalização do radicalismo.

É nesse contexto tumultuado que vive Hypatias, filha do filósofo Theon, em Alexandria. É professora arguta. Segundo os historiadores, sucedeu o eminente filósofo Plotino, conhecido pelo seu neoplatonismo. É uma jovem sábia, de inteligência inquieta. Quando inquirida certa vez por qual motivo ainda não havia casado, respondeu peremptoriamente: “Estou casada com a verdade da filosofia”. Alexandria ficou mais conhecida na Antiguidade pela bela biblioteca que a cidade abrigava. Para outros, tal biblioteca nunca existiu. Seus aspectos faraônicos, dessa forma, não passam de uma lenda. Mas o fato é que existia em Alexandria uma tradição pelos livros – papiros. Inúmeros papiros são a companhia benquista da jovem pensadora.

Mas aos poucos, os cristãos entram em conflito com os não-cristãos. Os cristãos vão se estabelecendo. Arrostando. Subjugando pela força da espada. A figura de Cirilo de Alexandria, discípulo do bispo Teófilo, é fundamental. Cirilo exala intransigência. Ele é conhecido por fazer triunfar o cabedal temporal da Igreja sobre o espiritual. Se a Igreja Católica é essa potestade histórica, certamente Cirilo contribuiu para isso. Segundo Cirilo, fora da Igreja, a Grande Mãe, não havia salvação. Tal entendimento prevaleceu na história, fazendo da Santa Sé, em dados momentos, um “monstro manco”, capaz de estabelecer, pela sua posição, relações espúrias com o mundo e aquinhoar os homens com castigos e medos infundados. Mais tarde Cirilo foi transformado em doutor da Igreja.

A intemperança e o domínio da força fez com que os cristãos subjugassem Alexandria. Orestes, o prefeito da cidade, amigo da filósofa, acaba sendo vergado à vontade de Cirilo. Trata-se de um belo símbolo – ou seja, da Igreja dobrando o Estado, submetendo o mundo á sua vontade caprichosa. Hypatias fica sozinha. É acusada de ateísmo. Chamam-na de bruxa. Prostituta. Acusam-na com os motivos mais vis. A filósofa mostra-se até fim com total integridade. Não há dolo em suas ações. Age com virtude e com a intuição da verdade. Ama o saber – e ama-o até o fim. Conforme o filme, após ter dispensado a escolta de soldados romanos é apanhada por cristãos enquanto caminhava pela rua, como uma pessoa comum. Segundo a História, foi conduzida para o interior de um templo cristão e lá foi morta a pedradas. Seu corpo, logo em seguida, foi estilhaçado com cacos de conchas do mar. Fizeram-na em pedaços. Hypatias foi morta pela intolerância.

O filme Ágora deixa-nos a lição de que a irracionalidade pode subjulgar o bom senso. E, uma vez que isso ocorra, as conseqüências são danosas. Hypatias percebia incoerências no sistema ptolomaico. Ela percebeu que o sol era o centro do universo, sendo assim uma das primeiras cientistas da história a observar esse fato. Somente depois de 1200 anos é que se Nicolau Copérnico voltaria a estudar esse evento.

O sistema ptolomaico servia aos interesses da Igreja. Colocava a terra e os homens numa posição de dignidade. Permitia que ilações acerca das intenções de Deus fossem estabelecidas. Foi por causa do sistema ptolomaico que o Mundo Ocidental deixou a luminosidade da Antiguidade Clássica, com possibilidades e intenções científicas, e mergulhou numa noite de mil anos. É preciso assinalar que a Idade Média teve sua beleza, mas foi um tempo no qual a escuridão foi forjada, a ignorância alimentada e teve como resultado o atrofiamento da razão.

Ágora
retrata esse fato com tomadas áreas. Aos poucos a imagem se distancia do ponto geográfico – Alexandria – até que tenhamos o Planeta Terra. Sua dimensão. Grandiosidade. E o silêncio do Universo. Os homens são movidos, direcionados, por impulsos de credulidade, mas há apenas o silêncio dos espaços infinitos. A imagem se coaduna com a agonia existencial de Pascal: “Esses espaços infinitos me apavoram”. A grandiosidade do homem na terra é apenas aparente. A dignidade do sistema ptolomaico conferia apenas uma casca de orgulho premeditado. A terra era/é apenas mais um astro sem luz própria, girando em torno de uma estrela de quinta grandeza, numa costela afastada de uma galáxia. Só existem verdades para os homens. Recordo-me de alguns belos versos de Alberto Caieiro:

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?


"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.


O papel da religião deve
ser outro. Não abafar a voz da ciência. Deve, por sua vez, debater e apregoar virtudes. E não oferecer óbices à razão. Afinal, se Deus é o criador dos cosmos e deu inteligência ao homem, a criatura capaz de ter consciência de que está consciente, este deve utilizar a consciência de si para se situar no mundo. Quando a religião obstacula essa possibilidade, surgem os radicalismos, as fogueiras da inquisição, as trevas e o conseqüente assalto à capacidade humana.

O filme deixa transparecer, de maneira metafórica, que a morte de Hypatias, a filósofa independente, não vendida aos caprichos da Igreja, é o própria sepultamento da razão cientifica e da liberdade do pensar filosófico. Ou seja, a religião matou a razão e a consequência foi mil anos de uma escuridão úmida e pegajosa. A luz do inquirimento viria a brilhar novamente com o Renascimento.

Data: 13 e 16/11/2010, sábado e terça-feira

quarta-feira, julho 13, 2011

Rock, uma força que nos faz deitar e rolar - 13 de julho, dia internacional do rock n' roll

Eram os idos de 1992. Meu pai me presenteou com uma fita K-7. Achara o produto em um ônibus. Ouviu mas não gostou. Eu era um garoto de apenas doze anos. Havia uma efervescência no mundo. O rock estava em alta. Havia bandas por todos os lados - Nirvana, Pearl Jam, Metallica, Soundgarden; outras antigas haviam passado por uma revitalização. Era o caso dos Rolling Stones ou o Ramones, que gravaram álbuns consideráveis naquele ano. O Iron Maiden havia gravado uma série de discos. O Rock n' Rio fazia edições cada vez mais suculentas. Trazia as bandas de Seatle; investia em novidades. O Titãs, aqui no Brasil, estava cada vez mais grunge. Outras bandas se destacavam pelo mundo a fora - Red Hot, Faith no More, Alice in Chains etc. Quem lembra de um tal de EMF? Se não lembra, vá ao Youtube e digite You're Unbelievable. Essa música tem a cara dos anos 90.

Na fita a qual o meu pai me presenteou, havia um material do primeiro álbum do Guns n' Roses, Appetite for Destruction, banda que hoje me enfastia. Aquilo me fulminou. Acertou-me de cheio. Fiquei embasbacado com aquele som. Músicas rápidas e de vocal rasgado forjavam cenários de impressões radicais e de puro senso de liberdade. O rock possui em sua essência um ímpeto libertário. É uma música que aguça os sentidos. O lado mais primitivo da psiquê humana. Acompanhei durante muito tempo cena rock internacional. Até hoje não consegui me desvencilhar do contágio. Bandas como Beatles, AC/DC, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Rush, Queen, entre outras, ainda falam muito a mim. Surgido no sul dos Estados Unidos, o rock é mais do que um estilo musical, é o manifesto de uma geração. Na década de 60, o Woodstock constituiu uma arma contra a força hegemônica do capitalismo. O protesto consistia em fazer música e amor e não guerra.

Quem gosta de rock certamente já ouviu um ditado: "O rock é imortal. Jamais morrerá". Esta é uma afirmação até certo ponto instigante. O rock já completou 70 décadas. E a cada novo ano se reinventa. Do surfing music ao heavy metal; do punk ao hard rock; do progressivo ao neometal; do doom metal ao trash metal. O rock possui um poder de auto-mutação. O som muda as atitudes daqueles que o escutam. Quem nunca viu um adolescente vestido de negro, com maquiagens aberrantes? Qual foi a força que o impulsionou a vestir-se daquela forma? O som e a rebeldia domesticam.

O rock possui um forte apelo sexual. Sua música é envolvente. As perfomances dos músicos revelam aquilo que foi denominado por Freud de id, ou seja, o lado do desejo, das ânsias, da irracionalidade, dos instintos. Nietzsche chamaria isso de música dionísiaca? O fato é que o rock tem sido e será por muito tempo, uma força rompente. Uma energia vibrante que faz tremer.

Abaixo segue uma apresentação de Chuck Berry no ano de 1958. É curioso como o músico negro, o rock tem a sua origem no sul dos Estados Unidos, é aceito pela platéia de brancos. Numa época de intolerância racial, um negro toca para os brancos. A desenvoltura de Berry impressiona. É a energia vinda do rock. O instrumento que ele toca parece ser uma extensão do corpo. Seus trejeitos sugerem uma força sexual. Sua habilidade é a de um amante, um galanteador inveterado.


sexta-feira, julho 08, 2011

Os Imperdoáveis - mais que imperdoável

Após assisitir a Os Imperdóaveis, ganhador do Oscar de melhor filme de 1992, pela segunda vez fiquei com uma sensação de extravagância. Não no sentido negativo. O filme inteiro é um blues, daqueles bem dramáticos, repletos de sentimento. O vídeo abaixo mostra uma das últimas cenas da obra. Clint Eastwood (diretor e personagem principal da película) é um pistoleiro aposentado. Seu passado é nebuloso, rico em excessos e crueldades. Aposenta-se da pistolagem por causa de uma mulher que o redime. Vive num rancho decadente com dois filhos, numa condição de penúria. A mulher morrera. Mas é balançado pela proposta de mil dólares. Um jovem ("Kid", personagem cômico e fanfarrão) o convoca para a empreitada: matar dois sujeitos que retalharam uma prostituta. William Munny, como é chamado Clint no filme, ainda chama seu amigo Ned, papel feito por Morgan Freeman. O filme é repleto de silêncios e planícies extasiantes. O vento do oeste sopra. As feições de Clint Eastwood de homem cruel são geniais.

Mas o amigo de William Munny é morto de forma implacável. Munny que há muito não bebia, decidiu beber. E aí temos a cena abaixo que é um retrato épico de um excelente western. Clint Eastwodd está impecável no papel de William Munny. Sua abordagem mítica sobre a alma do oeste merece todos os adjetivos possíveis. O diálogo mais extraordinário da cena é quando Munny enuncia para os sujeitos amofinados dentro do bar: "Quem não quiser morrer, saia pela porta dos fundos". Como disse acima, alguém deveria fazer um blues sobre isso.


quinta-feira, julho 07, 2011

A alquimia do desafio

É preciso ser honesto consigo mesmo para admitir determinado evento. A crítica pela crítica fere o bom senso. Nivela e absolutiza. Tomei uma decisão diferente. Aceitei o desafio por entender que agindo dessa forma, estaria em paz com a minha razão. Vamos às explicações:

No dia de otem aceitei a decisão de ler Paulo Coelho. Retrocedi na cadeia evolutiva como devorador de literatura? Não. Trata-se apenas de um dever para comigo mesmo. De um acerto de contas com a minha consciência. A maioria das pessoas que criticam Paulo Coelho, nunca leram nenhuma das suas obras. É uma crítica auricular, baseada em boatos.

Recordo-me neste instante do pesonagem bíblico Jó. Segundo os poemas sagrados, Jó diz, numa conclusão silogística, após ter encontrado o Eterno: "Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem". Claro, Paulo Coelho não é nenhum deus. Mas não deixo de pensar nisso. Conhecer só de ouvir falar é um contrasenso. Gera apenas argumentos fracos, incosistentes.

Não defendo Paulo Coelho, sujeito que não inspira maiores expectativas. Quero lê-lo para não voltar a lê-lo. É o que aconteceu comigo, por exemplo, com relação a Augusto Cury. Observava comentários e críticas a respeito desse psicólogo da auto-ajuda e, após lê-lo, achei-o demasiado artificial. Nunca mais voltei a visitar os seus livros aguados.

Esperemos. Após ler "O Alquimista" determinarei a minha opinião sobre o senhor Coelho.

P.S. Encontro uma informação nas costas do livro, mas ignoro a priori: "Comparado [O Alquimista] a 'O Pequeno Príncipe' de Saint-Exupéry e a 'Fernão Capelo Gaivota', de Richard Bach". Não ignorarei o informe a posteriori. Tecerei a minha opinião definitiva após a leitura. Voltarei a escrever.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Caso Cesare Battisti (III)

No site Cesare Livre! é possível assinar uma petição eletrônica a fim de que Cesare Battisti, acusado de assassinatos e indigestos atos políticos pelo Estado Italiano, possa alcançar as benesses necessárias da parte do Supremo Tribunal Federal brasileiro. O destino de Battisti está nas mãos de Gilmar Mendes e Cezar Peluso, eminentes e doutos senhores do direito, ministros da "egrégia" Suprema Corte brasileira.

Não bastou que Lula resolvesse não extraditar o italiano. Foi necessário da parte da direita fascista brasileira, desenterrar o caso, fazer emendas políticas e duvidosas manobras jurídicas a fim de que o Cesare seja entregue ao aprendiz de Mussolini, Silvio Berlusconi. Como, por exemplo, a notícia veiculada pelo Sul 21 de que o Democratas (DEM, leia-se "demo"), recorrerá ao STF contra a decisão do ex-presidente Lula, que no último dia 31 de dezembro resolveu não extraditar Battisti, acatando o parecer da Advocacia Geral da União (AGU).

Visite o site Cesare Livre! e deixe a sua assinatura. Todo movimento será importante para livrar Cesare da boca dos leões de Roma e dos capachos neofascistas do STF brasileiro (leia-se Gilmar Mendes e Cezar Peluso).

Cesare Livre! AQUI

terça-feira, janeiro 04, 2011

Caso Cesare Battisti (II)

Achei o texto abaixo graças a um colega que postou o link no Facebook. Ao ler o texto, percebi que ali estava escrito tudo o que eu intuía sobre o caso Cesare Battisti. O revanchismo da direita neofascista representado, por uma pequena parcela dos ministros STF, certamente está a jogar maquiavelicamente contra a decisão dos ex-presidente Lula. A decisão empreendida com bastante habilidade por Lula foi a correta, a acertada, a humana. Tirou Battisti da boca dos leões italianos. A mídia esconde verdadeiramente os fatos, pulverizando meias verdades. A opinião pública fica confusa e desconhece o que está por trás, verdadeiramente, dos eventos que envolvem a extradição do italiano Battisti. Chamar Cesare Battisti de terrorista, criminoso, assassino de pai de família, psicopata, é incorrer num argumento falacioso, baseado na ausência de provas concretas.














Segue o texto. Acesse AQUI

sábado, janeiro 01, 2011

Caso Cesare Battisti (I) - ao fechar a porta, Lula...

A História é curiosa. Parece ser até irônico. Mas, isso é substantivo. Ontem, no último dia de 2010, ouvi pelo rádio que Lula havia acatado o parecer da Advocacia Geral da União (AGU), resolvendo não extraditar o italiano Cesare Battisti. Battisti foi alvo de querelas durante muito tempo em nosso país. Os jornalões fizeram uma campanha sórdida contra a presença do italiano aqui no Brasil. Chamaram-no de criminoso, assassino, psicopata e outros vocábulos incriminadores. Ou seja, Battisti foi julgado previamente sem direito a qualquer defesa. Curiosamente, se perguntarmos o que acham sobre o caso Vargas x Olga Benário, reprovarão Getúlio. Acusarão Vargas de criminoso por ter entregado Olga Benários Prestes a Hitler, mas não veem problemas em fomentar teses contra o italiano Cesare Battisti, antes mesmo que os italianos o fizessem. O STF resolveu enviá-lo, sendo Gilmar Mendes o principal condutor da tese. Vasculharam porões. Resgataram acordos internacionais. Fizeram exegeses. Utilizaram as mais controversas hermêuticas jurídicas. Ao final, afimaram que a posição do STF era pela extradição, mas cabia a Lula a última palavra.

Lula soube como ninguém conduzir o problema. Esperou que a poeira dos fatos e o clamor da mídia fascista fossem arrefecidos. No último dia no cargo, Lula, presidente que ao final do mandato gozou de 80% de aprovação, deu a canetada que permitiu a Battisti continuar no Brasil. Foi o último ato oficial de Lula. O documento último de quem se portou da mesma forma desde o princípio do governo. Do metalúrgico que não se dobrou à força da mídia e à sede voraz do Estado italiano. Lá fora eles continuarão a salivar. Berlusconi deve está verbalizando os piores palavrões contra o metalúrgico ousado, infamando um "paisinho" chamado Brasil - os macacos dos trópicos, que só têm futebol, carnaval e mulatas no cio.

Bem vindo ao nosso meio, Cesare Battisti. Somos país um contradizente. Apregoamos os direitos humanos acima de qualquer coisa em nossa Constituição. Mas quando o que está em jogo é a submissão aos figurões do grande capital, grandes chusmas fascistas, indivíduos que no dizer de Mário de Andrade são

"O homem-curva!/ O homem-nádegas!/O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,/é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!/

(...) Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!/ Que vivem dentro de muros sem pulos, / e gemem sangue de alguns mil-réis fracos /

para dizerem que as filhas da senhora falam o francês /e tocam os "Printemps" com as unhas!"

Não hesitamos em desdizer o que escrevemos em nossa carta máxima.

Bem-vindo, Cesare.

Goiânia, 01 de janeiro de 2011.

sábado, outubro 16, 2010

Porque voto na Dilma


Eu voto Dilma, pelos mais de dois milhões de brasileiros que saíram da pobreza. [mais de 20 milhões] - retificação minha

Pelo Pro Uni e a inclusão de jovens de famílias pobres no ensino universitário.

(...)

... [pelo] milagre do desenvolvimento que está acontecendo no interior do Nordeste.

Voto pela Transnordestina, que vai levar prosperidade por onde passar.

Voto pela descentralização da cultura nesse país, pelo reconhecimento das diferentes manifestações populares de cada região e pela sua promoção através dos pontos de cultura, algo nunca visto nesse país.

Voto Dilma, pela interiorização do ensino universitário, do ensino técnico como nunca foi visto.

Voto Dilma, pela continuação da valorização das regiões e dos seus povos, que sempre serviram de esteio e mão de obra barata para os “desenvolvidos” eleitores de CLODOVIL, TIRIRICA e outras criaturas deste país.

Voto para que esse povo continue a não precisar sair do seu lugar, para ser alguém na vida.

Voto Dilma, pela altivez conquistada diante do resto do mundo.

Voto Dilma, para que meus tataranetos, não nasçam com o pecado original de dever ao FMI.

Voto Dilma, para que mais e mais corruptos, sejam demitidos nesse país, como está acontecendo e nunca é divulgado.

Voto Dilma, para que não mais tenhamos um engavetador geral da república.

Voto Dilma, pelo maior programa de moradia popular e por todos que conseguiram realizar o sonho da casa própria nesses últimos oito anos.

Voto Dilma, pelo Bolsa Família, que é reconhecido pela ONU, como o melhor programa de erradicação da pobreza e da fome no mundo e que para os “desenvolvidos, intelectuais”,antes da eleição, não passava de uma esmola.

Voto Dilma, pelo continuo crescimento da economia do país, dos empregos com carteiras assinadas, do crédito, da produção industrial, e do aumento das riquezas do país, sem que tenha sido preciso entregar nenhum patrimônio da nação.

Voto Dilma, por tantos motivos que temos para nos orgulhar e comemorar, que mesmo depois de tentar relacioná-los, fica a sensação de não ter se lembrado de muita coisa, de tanto que foi feito.

Voto Dilma, pelo BRASIL.

Voto pelo Nordeste.

Voto por Pernambuco

Voto por Garanhuns.

Voto por minha família, para que meus filhos tenham o que aproveitar no futuro.

Extraído DAQUI