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quinta-feira, janeiro 14, 2021

A ignorância gera auto-convencimento.

 
 
O efeito Dunning-Kruger: o que é o fenômeno que empoderou ignorantes na internet?


O Efeito Dunning-Kruger, também chamado de Efeito de Superioridade Ilusória, é a expressão utilizada para se referir à incapacidade que as pessoas têm de reconhecer a própria ignorância, tendo uma visão ilusória de superioridade e conhecimento sobre assuntos que não dominam. A expressão passou a ser utilizada a partir dos estudos dos psicólogos David Dunning e Justin Kruger da Universidade de Cornell, EUA.


Segundo Dunning e Kruger, é um problema de metacognição, que leva alguns indivíduos a não serem capazes de identificar as suas limitações de conhecimento e compreensão de determinados assuntos. Assim, quanto mais ignorante a pessoa é sobre certo tema, mais confiante ela se sente em opinar sobre ele.


Os autores chegaram a essa conclusão a partir de um fato ocorrido em 1996. Um homem chamado McArthur Wheeler realizou dois assaltos a banco no mesmo dia e, a partir de imagens das câmeras de segurança, rapidamente foi identificado pela polícia. Ao ser preso, ele disse que havia passado suco de limão no rosto e que, conforme tinham dito para ele, isso o teria deixado invisível.


A convicção de Wheeler era tão grande que motivou Dunning e Kruger a realizarem uma pesquisa sobre o que leva as pessoas a terem tanta convicção sobre alguma coisa. Eles fizeram quatro experimentos, analisando as habilidades de um grupo de pessoas em gramática, raciocínio lógico e humor. Em seguida, solicitaram que essas pessoas dissessem como estimavam que tinham se saído nos testes.


Os resultados da pesquisa mostraram que quanto mais incompetente era a pessoa, menos ela tinha consciência desse fato, já os mais competentes, se subestimavam. Desse modo, eles concluíram que a ignorância gera mais confiança e segurança do que o conhecimento.


Oposta ao efeito Dunning-Kruger, é a Síndrome de Impostor, que leva pessoas competentes a duvidarem da sua capacidade. Descrita pelas psicólogas Pauline Rose Clance e Suzzane Imes, em 1978, a síndrome indica um sentimento de inferioridade ilusória, que leva algumas pessoas a se julgarem incapazes de executarem tarefas de que dispõem de pleno conhecimento e habilidades para executá-las.

Tanto o efeito Dunning-Kruger, quanto a Síndrome de Impostor são mecanismos psicológicos que indicam uma percepção equivocada de algumas pessoas a respeito de suas habilidades. Entretanto, quem subestima a sua capacidade consegue se ajustar quando recebe um retorno que mostre as suas competências, já quem é incompetente, não consegue perceber que está equivocado. Conforme David Dunning, “Se você é incompetente, não tem como saber que é incompetente (…) As habilidades que você necessita para produzir uma resposta certa são exatamente as habilidades que você precisa ter para reconhecer o que é uma resposta certa.”


Partindo de ideias preconcebidas, intuições, notícias falsas, negações, há indivíduos que acreditam piamente que estão expressando um conhecimento confiável e ignoram que ninguém é especialista em tudo. Há sempre o que aprender e um primeiro passo para isso é reconhecer a nossa ignorância.

DAQUI

Ler mais sobre o assunto: 

 https://super.abril.com.br/comportamento/o-efeito-dunning-kruger-quanto-menos-uma-pessoa-sabe-mais-ela-acha-que-sabe/

 https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/29/economia/1511971499_225840.html

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Facebook - uma máquina de lucro, espionagem e "curtição"

O Facebook tornou-se uma ferramenta poderosa, uma febre generalizada. Acredito que ele tenha materializado (ou virtualizado) as intenções potenciais da internet. É curioso como o Facebook nos remete à ideia do rizoma formulada pelo pensador francês Gilles Deleuze. Ou seja, da rede infinita de contatos, de "ramos" que se alastram num campo sem fim, invisível ao primeiro olhar. O jogo "inocente", no início, gera atrativos e especulações. A rede social formulada por Zuckenberg é um dos grandes eventos desse início de milênio. Não sei até quando ela continuará a ser essa febre.

Espanta-me como o Facebook alimenta necessidades emocionais e uma dependência psicológica no usuário. Ele fica horas e horas sem que se aperceba da noção de tempo. Numa espécie de devoção ao "curtir"; ele sai apertando e "bisbilhotando" a vida de suas supostas amizades. "Comentando". "Compartilhando". Criando e manipulando imagens. "Rindo" com uma escrita onomatopéica, que beira o rupestre. O usuário não se constrange em deixar lá seus dados - idade, nome completo, onde trabalha, telefone e outras informações. Uma pergunta nos surge: "Onde ficam amarzenadas essas informações? Para quem servem? Podem ser utilizadas por órgãos governamentais?"

Vale ressaltar que há algum tempo atrás a Inglaterra assistiu a uma série de manifestações proletárias (na cidade de Tottenham), que a mídia denominou como sendo de "pertubadores", "arruaceiros", "bandoleiros". A Scotland Yard, a famosa e poderosa polícia secreta da Inglaterra, para encontrar aqueles que haviam participado dos protestos, utilizou as redes sociais (Facebook, Twitter e Youtube) para encontrar os possíveis responsáveis. Ou seja, as redes sociais se tornaram em terminais poderosos de espionagem. Uma pergunta intrigante surge: "Futuramente, os usuários das redes sociais não correriam um risco sério, se os dados das contas caíssem em mãos erradas?". Durante a Segunda Grande Guerra, Hitler conseguiu capturar muitas das suas vítimas por causa de bancos de informações do Estado Alemão. Estamos nos referindo a uma época em que não se tinha instrumento tão poderoso quanto a internet. Nunca as grandes massas da contemporaneidade estiveram tão presas, amarradas e inseguras quanto estão agora. Outro aspecto curioso é que tudo isso é feita de forma voluntária. Ou seja, uma servião voluntária.

O Facebook tornou-se um nome poderoso. Atualmente, quase um sétimo da população da terra possui uma conta na rede social. Levando-se em conta que quase 2 bilhões têm acesso à internet, é como se 1 em cada 2 dos usuários tivessem uma conta na famosa rede social. As projeções são mais que otimistas. Zuckenberg caminha para ser um dos homens mais ricos do mundo. A empresa no ano de 2011, arrecadou US$ 3,2 bilhões de dólares somente com anúncios publicitários. Estima-se que a empresa valha 50 bilhões de dólares e a fortuna do jovem americano chegue aos 20 bilhões. Algo realmente que nos impressiona.

Zuckenberg enriquece com os cliques dos usuários. E estes cliques valem bilhões. E todos estão amarrados numa grande teia de interconexões.

Abaixo segue um link para um baita texto chamado "Facebook: como lucrar com uma máquina de espionagem". Pode ser encontardo AQUI.

Pontalina-GO/Brasília - DF