"Tár" é um filme, no mínimo, enfeitiçante. É uma aula sobre como atuar, sobre como insinuar certos detalhes. A atuação da excelente atriz australiana Cate Blanchett é mesmerizante. Ela ocupa todos os espaços da obra. Não há vácuos. É um verdadeiro espetáculo de como se encena; de como se leva ao extremo o significado da palavra atuar.
O filme conta a história da bem-sucedida Lydia Tár, que chegou ao cume do sucesso. Respeitada. Incensada pela "mainstream" erudito, Lydia é a materialização do êxito que certas figuras alcançaram ao longo da história da música de orquestra. Um dos casos é o de Leonard Bernstein, citado no filme.
Ela conversa com uma profundidade que impressiona sobre cultura. Possui um raciocínio e um carisma desconcertantes. É uma professora rigorosa, que foge ao radicalismo de uma visão única. Em uma aula, ela profere para um dos seus alunos, quando este informou que não gostava de Bach, pois o compositor alemão era misógino por ter quase duas dezenas de filhos: "O narcisismo das pequenas diferenças leva ao mais enfadonho conformismo". A própria Lydia era uma figura que não se conformava no mundo da música clássica. Todos sabiam do seu relacionamento homoafetivo com a "spala" da orquestra. Ela era uma mulher, em um mundo governado por homens. E, nesse sentido, parece haver uma clara ironia implícita ao padrão do macho alfa, uma referência - talvez - indireta ao regente Herbert von Karajan, que conduziu com mãos de ferro a Filarmônica de Berlim por mais de trinta anos e criou uma noção de modelo autoritário.
Além dessa força, Lydia conseguiu alcançar o posto de regente da já referida e mítica Filarmônica de Berlim, uma das mais emblemáticas orquestras do mundo. E aqui notamos a grandiosidade do trabalho de Blanchett, pois se pode observar que ela, para fazer o filme, aprendeu a reger. No filme, sua personagem após ter gravado o ciclo de sinfonias do compositor austríaco Gustav Mahler, deixou a Quinta Sinfonia por último. A Quinta é a sinfonia mais conhecida e apreciada pelos admiradores da obra do austríaco. Observa-se o trabalho sensacional de Blanchett regendo uma orquestra. A Quinta de Mahler parte de uma premissa filosófica de como a vida é atravessada pela ironia e pela tragédia. Ela subverteu a noção histórica de uma estrutura sinfônica, pois começa por uma marcha fúnebre. Até o final do século XIX, aquilo não era comum. A Quinta é de 1902 e parece fundar o moderno. Nesse sentido, ela é uma ponte de inflexão entre o clássico e o moderno. Mas para além disso, é uma metáfora sobre a existência humana. Ela é marcada filosoficamente pela sentença de que a vida é resultado de um grande devir; de que somos alvo dos fluxos aleatórios da própria vida; que o sublime, o grandioso, pode ser sucedido pelo trágico.
E é justamente isso que acontece com Lydia. Por trás dessa personalidade magmática, observa-se como o poder e a glória podem atrair o caos. Há uma cena no filme que parece ser de alegoria para o que ocorre a personagem. Ela sai à procura da jovem violoncelista Olga e adentra um espaço abandonado e caótico. Após avançar por um vão escuro, ela cai e "quebra a cara". O seu tombo parece prefigurar o que ocorre dali para frente. Seu tombo é grandioso. Ela se isola e sai de cena.
No geral, o filme é excelente. Há referências no filme a Beethoven, Bach, Mahler, Vàrese, Bernstein, Tchaikovsky, Elgar entre outros. O diretor Todd Field conseguiu trabalhar certas nuances, certas intrigas, que, quem já é afeito à música clássica, entende o que está sendo refletido. Mas isso não impede que qualquer pessoa seja capturada pelo drama em forma de tragédia; de como o poder possui uma face mutável.
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quinta-feira, fevereiro 02, 2023
"Tár", algumas apalavras
sábado, agosto 09, 2014
Uma reflexão de aniversário
| João Pessoa - PB - janeiro de 2013 |
"E, ao final de nossa longa exploração, chegaremos finalmente ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez". T.S. Eliot.
Há alguns dias, vi pela décima vez, o filme Sociedade dos poetas mortos, uma das produções mais encantadoras que conheço sobre o verdadeiro sentido da vida. E existe aquela cena em que o professor leva os alunos até o pátio da escola e mostra aqueles que haviam estudado em tempos passados. O professor pede para que os alunos olhem aquelas fisionomias cristalizadas pelo tempo. Aqueles sorrisos despreocupados e saudáveis como se a vida seguisse um fluxo contínuo e que nunca teria fim; como se nunca fôssemos deixar de viver esse ritmo, essa energia luminosa. Ao dar continuidade à sua lição, ele pede para que os alunos se aproximem da fotografia para ouvir o cada um daqueles seres que "fermentavam narcisos", naquele momento, estariam a dizer. Eles obedecem e escutam um sussurro sendo pronunciado pelo professor: "Carpe diem, meninos! Tornem as suas vidas extraordinárias!"
E é pensando justamente nessa afirmação que completo mais um ano de vida. Chego aos trinta e cinco anos e analiso a longa trilha por onde caminhei. As marcas da poeira ainda estão em meus pés. Tantas paisagens já ficaram presas na memória; e tantas outras já se descolaram, sendo abandonadas pelo artifício falho da mente. Carpe diem é um termo latino que significa "colha o fruto". Ou seja, colha as coisas que estão maduras. Não desperdice aquilo que se mostra. E diante de afirmação tão bela e trágica, surge a indagação: "O que é essencial?" Sim! O que é essencial na vida? Com qual matéria ou assunto eu devo gastar o meu tempo? Quais frutos eu devo colher?
Nada como o dia do aniversário para pensar nessas coisas. Não tenho todo o tempo do mundo. É curiosa a percepção de que tudo passou muito rapidamente. Recordo-me de que ontem eu era uma criança, que corria descalça; que jogava bola com os colegas; que tomava banho em riachos; que subia em pés de manga e quando achava um fruto maduro, devorava as carnes amarelas até que o caldo escorresse pelos cotovelos; era uma criança que tentava jogar com as ordens e comandos dados pela minha mãe. E com a minha carapinha e roupas ordinárias seguia para a escola, com os livros debaixo do braço. Tudo passou tão rápido! E é como se houvesse uma fumaça se mexendo lá no fundo dos cômodos do tempo.
Não tenho todo o tempo, pois não poderei visitar todos os lugares que quero. Não poderei abraçar a todas as pessoas. Beber todos os vinhos. Experimentar todas as culinárias. Ouvir todas as músicas. Ler todos os livros. Acumular tudo o quero. Ter o tempo que quero. É essa angústia diante do finito, que acometeu Fausto, alongado pela reflexão de Goethe. Vendo-se incapaz de aprender, de conhecer, de aprofundar-se além dos limites daquilo que é capaz o ser humano, Fausto resolve fazer um pacto com o demônio. Essa metáfora representa justamente a inquietação que gravita no interior do homem. Somos pequenos, mas dentro de nós existe a consciência da eternidade e isso nos aniquila. A poetisa Adélia Prado diz assim: "Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande...". Queremos viver, pois existe um gesto de grandiosidade, uma vontade de continuidade, uma força impulsiva que nos lança de encontro aos nossos limites.
Num dia como esse eu paro para pensar, para refletir, para ficar em silêncio, para ficar sozinho. E "a solidão", como diz o Henri Nouwen, "é a fornalha da transformação". Sei que daqui para frente o meu corpo passará por mudanças profundas. Mas é justamente nesse "instrumento" que a minha consciência e a minha percepção do mundo permanecerão vivas. Por isso, nesta data, quero fazer um pacto comigo mesmo: quero ser mais humano. Quero ler mais poesia. Quero viajar mais. Quero repelir o tédio e rir das responsabilidades. Quero ouvir mais MPB e continuar a amar a música clássica. Ouvir mais as missas de Bach e Palestrina; as sonatas de Beethoven e Brahms; os concertos para piano de Mozart. Quero conversar mais com a minha esposa, fazendo ecoar aquela frase de Nietzsche: "todos os casais que pretendem casar deveriam fazer a seguinte pergunta: 'terei eu prazer em conversar com essa pessoa o resto de minha vida?'"
Quero ver mais filmes; observar mais os pequenos detalhes das mudanças perpetradas na natureza. Rir a cada nova manhã e agradecer a cada pôr-do-sol. Brincar com o "Jesus menino", como o fez Fernando Pessoa. O Jesus que se cansou da seriedade da eternidade; que veio morar com os homens; brincar nas poças de água; que dorme dentro da minha alma e, às vezes, acorda de noite e brinca com os meus sonhos. Quero todos os dias ouvir a voz da minha mãe e dos meus parentes. Quero visitar sempre que puder o meu lugar de nascimento. Perceber as árvores; o vento com suas fragrâncias curtidas e trazidas de longe; embriagar-me com o cheiro de terra molhada quando das primeiras chuvas. Gastar tempo com as coisas "inúteis", que como diz o Manuel de Barros têm o poder de fazer "milagrar violetas". Quero fazer de cada reencontro uma primeira vez e cada despedida um réquiem de beleza. Quero ouvir mais e falar menos. Fugir da ditadura que diz que para que eu vença é necessário calar o outro "no grito". Quero serenar diante do caos e ouvir o som das cachoeiras nos dias de tempestade. Quero me entusiasmar com o silêncio e fazer da solidão uma poesia que ensina. Quero ver o mar mais vezes. Quero caminhar mais vezes só por caminhar - com as mãos no bolso. Quero correr mais vezes. Correr como o Forrest Gump, que quando quis correr, correu; e quando quis parar, parou. Quero fugir das agendas fixas; dos almoços contabilizados; do amor com hora marcada; do encontro com agendamento e cadastro para ser analisado. Em suma: quero ser singelo como aquele lírio que nem mesmo Salomão foi capaz de se vestir como ele (Mt. 6. 28,29)
Vi uma das últimas entrevistas feitas pelo Ariano Suassuna, que faleceu mês passado. Uma das afirmações feitas por ele me deixou gravitando por dias em cima de mares de reflexões. Disse ele: "É muito bom viver! É um privilégio ter passado por esse universo". É e assim que devo olhar sempre, mesmo não sabendo quais são as trilhas, as planícies e montanhas que encontrarei em minha caminhada finita. Mas o quanto eu puder, quero levar comigo a lembrança daquilo que fui e vivi; e o agradecimento por aquilo que terei tempo de ser. As nossas buscas sempre terminam no lugar onde começamos a procurar.
terça-feira, agosto 13, 2013
Um comentário sobre (D)(d)eus...
Comentário escrito no blog do Charlles.
"Bonita a sua confissão sobre (D)deus, Charlles. Aproxima-se bastante daquilo que creio, também, sobre espiritualidade. Há muito frequentei uma igreja presbiteriana. Contaram-me a história de um deus institucional, zangado, cheio de caprichos e caricaturado à imagem e semelhança dos judeus. Deixei de lado, ri sardonicamente na cara desse deus. Disse que ele era uma mentira. Uma fraude cosmológica. Alguém recalcado. Disse ainda que a mitologia grega era mais bonita do que tudo aquilo que me falaram sobre ele.
Solidarizo-me com as suas palavras. Existe no ser humano uma voz lancinante que clama por espiritualidade. Uma espécie de necessidade do belo. E aí encontro a ideia de deus. É, por isso, que passei a me relacionar com a ideia de deus melhor quando dessacralizei a bíblia e passei a lê-la como um livro de literatura, evocando um grande teólogo alemão chamado Rudolf Bulltmann de espistemologia kierkegaardiana e heideggeriana. Um personagem como Jesus certamente se assemelha a um Dom Quixote em sua sede pela verdade; ou um príncipe Michkin com sua necessidade de justiça. E aí encontro um apaziguamento necessário às minhas necessidades. Existem hinos mais bonitos que as sonatas de Beethoven ou de Mozart; ou a obra espiritual de Bach?
Ser espiritual é encontrar poesia em cada átomo da existência, em cada centelha da vida. Nesse sentido, encontro a espiritualidade da afirmação da vida, sempre - como diria Nietzsche. Julgo o movimento ateísta essencialmente radical. É um fundamentalismo sem deus. Ou seja, uma religião radical que prega a ausência de algo, mas que torna essa mesma ausência em uma entidade que se sobrepõe a tudo.
Abraços cordiais, Charlles!"
Solidarizo-me com as suas palavras. Existe no ser humano uma voz lancinante que clama por espiritualidade. Uma espécie de necessidade do belo. E aí encontro a ideia de deus. É, por isso, que passei a me relacionar com a ideia de deus melhor quando dessacralizei a bíblia e passei a lê-la como um livro de literatura, evocando um grande teólogo alemão chamado Rudolf Bulltmann de espistemologia kierkegaardiana e heideggeriana. Um personagem como Jesus certamente se assemelha a um Dom Quixote em sua sede pela verdade; ou um príncipe Michkin com sua necessidade de justiça. E aí encontro um apaziguamento necessário às minhas necessidades. Existem hinos mais bonitos que as sonatas de Beethoven ou de Mozart; ou a obra espiritual de Bach?
Ser espiritual é encontrar poesia em cada átomo da existência, em cada centelha da vida. Nesse sentido, encontro a espiritualidade da afirmação da vida, sempre - como diria Nietzsche. Julgo o movimento ateísta essencialmente radical. É um fundamentalismo sem deus. Ou seja, uma religião radical que prega a ausência de algo, mas que torna essa mesma ausência em uma entidade que se sobrepõe a tudo.
Abraços cordiais, Charlles!"
terça-feira, janeiro 01, 2013
"Pálido ponto azul", uma reflexão de início de ano a partir de um vídeo de Carl Sagan
Não quero parecer pedante com este post. Não quero parecer leviano; nem ostentar aquilo que não posso ser. Este é o primeiro post para o ano de 2013. E este blog nunca foi um espaço assediado por visitantes. Insisto em escrever garatujas, pois acho que isso é um exercício catártico. E se alguém passa os olhos por aquilo que escrevo, já me sinto feliz e realizado. Obrigado.
Ontem, assisti a um vídeo de Carl Sagan, o famoso entusiasta da ciência e uma das descobertas mais caras e graciosas do ano de 2012. Li e especialmente vi muita coisa sobre Sagan disponível na internet ano passado. "Pálido ponto azul" é o nome de um dos seus livros mais famosos. No vídeo, que também possui o nome do livro, Sagan faz uma bela reflexão a partir de um evento: A sonda Voyager fora enviada para além de Saturno e de lá tirou uma foto do nosso planeta. Aquela foto acabou impressionando Sagan. Ele viu, na foto, uma mancha pouco interessante. Que não chamava atenção. Não possuía atrativos. Um pequeno ponto pálido, com uma luz bruxuleante, no meio de um universo pontilhado de estrelas.
Naquele ponto tênue, aparentemente sem interesse, estava o centro de sua reflexão. Aquilo era o nosso planeta. A Terra é a nossa casa e fora dela (até agora) não temos notícias de vidas tão complexas como as nossas. Desse modo, Sagan nos propõe uma bela mensagem, afirmando que: apesar desse ponto sem atrativos ser tão inexpressivo no palco amplo e infinito do universo, ele possui uma relevância fora de qualquer especulação para nós. Não somos nada sem ele.
Pois tudo o que conhecemos e desejamos conhecer, fazemo-lo por causa dele. É nesse palco que estão as pessoas que amamos; onde nascemos, crescemos e morremos; é nesse palco que sentimos as nossas dores; é nesse palco de luz trêmula que guerras são travadas para satisfazer a megalomania de alguns e que numa geração seguinte o triunfo conquistado se fragmenta; é nesse mundo, que não possui vantagens em relação a qualquer outro lugar do universo, que fazemos germinar as nossas vaidades, nossos pretensos conhecimentos e inteelctualidade, que nada é senão vento e cinza e que o tempo se encarrega de apagar com suas areias operárias; é nesse palco que grassam as religiões, as ideologias, os combates; é nele que não aprendemos a viver em paz uns com outros, mesmo tendo a mesma origem e possivelmente o mesmo destino, já que não somos eternos - somos transitórios como o pequeno ponto pálido azul; é nesse mundo que vivemos que julgamos as coisas conforme a nossa vontade e não somos capazes de abrir mão daquilo que pensamos como centro de toda a verdade em algumas ocasiões.
Mas é nesse palco, também, que estão fecundados os grandes atos que nos tornam tão especiais. É aqui que mostramos que somos uma espécie nova, curiosa e com grande potencial criativo. Afinal, foi aqui que viveu uma criatura como Sagan, como Mozart, Beethoven, Bach ou Shakespeare; como eu ou como você: Em suma: é aqui que estão as nossas misérias e as nossas poesias criativas.
E isso me fez pensar: o que vale a pena na vida? O que devo fazer para que a minha vida tenha sentido e seja feliz? Talvez a tentativa de encontrar respostas para essas perguntas seja de fato o grande fundamento da vida. A vida feliz não é baseada na quantidade de respostas que damos, mas na quantidade de perguntas que fazemos. Então, o que devemos fazer para que a nossa vida tenha sentido nesse pequeno ponto pálido azul?
Conversando com a minha esposa hoje cedo, falávamos justamente sobre isso. E chegamos a um acordo em um ponto: ter um coração receptivo à bondade e ao cultivo de amizade é, talvez, o antídoto mais eficaz a tornar a nossa vida positiva nos 70, 80 ou 90 anos que viveremos. O que torna a nossa vida realmente feliz não é quantidade de conquistas individuais, mas a quantidade de realizações capazes de beneficiar outras pessoas. É isso que dura. Nossa vida é passageira, mas os nossos gestos podem durar mais do que nós. De certa forma, quando praticamos o bem, começamos a nos eternizar. É o amor, a tolerância e a capacidade de nos solidarizar que nos torna a nossa existência com sentido nesse pequeno ponto azul.
Que 2013 seja um ano de bondades explícitas e sorrisos de bondade!
Abaixo, o vídeo de Sagan. Se você não deseja ler o texto, pelo menos assista ao vídeo. Será uma bela reflexão-provocação para o ano de 2013
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Goiânia-GO
Abaixo, o vídeo de Sagan. Se você não deseja ler o texto, pelo menos assista ao vídeo. Será uma bela reflexão-provocação para o ano de 2013
terça-feira, junho 07, 2011
A alegria segundo Jonathan (3 anos) e Beethoven
"Ai, que prazer não cumprir um dever. Ter um livro para ler e não o fazer! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças..." Fernando PessoaNão sou muito ligado a esses vídeos que são campeões de bilheteria no YouTube. Geralmente são "besteiras" ou "pegadinhas" daquelas do tipo Sílvio Santos. Mas esse vídeo que surge abaixo, com quase 7 milhões de visualizações, é uma maravilha. Algo que vale a pena ser visto. Uma criança a reger o quarto movimento da toda-poderosa Quinta Sinfonia de Beethoven. Ele conseguiu, com a simulação, aglutinar todo o espectro de cores e matizes que o mundo beethoveano possui: fúria, dinamicidade, enlevo, seriedade, alegria, inocência e crença em dias melhores. Não sei quem é o rapazinho entusiasmado. A Quinta Sinfonia possui toda a fibra beethoveana. Possui elementos eternos; musicalidade fácil, alegre, cristalina, contagiante que faz despertar os sonhos. Não deixo de rir cada vez que assisto a esse maravilhoso vídeo.
Gramado - RS
Gramado - RS
sexta-feira, agosto 17, 2007
A Sonata ao luar, eu e a humanidade
Impressões
Escutamos sons que se eterizam dentro de nós.
A música possui propriedades alucinógenas.
O estado de espírito se altera com aquilo que ouvimos.
Beethoven com sua sonata ao luar me enfeitiça.
Impregna elementos sensíveis dentro de meu espírito.
Os conceitos terrenos se abstraem de forma mística.
Uma densidade angustiada cresce como o vento
num ocaso de inverno.
Há uma carga de solidariedade silenciosa que canta à espécie humana.
Beethoven possuía um furacão, um ciclone na alma,
Que buscava se transformar em poesia maviosa.
E quando se sentava ao piano saíam peças como estas.
“A Sonata ao Luar”, a Moonlight Sonata, como também é conhecida
É entretecida pelos acordes doces, mergulhados numa disciplina
Poética, que simplesmente se derrama como a chuva que cai
Do céu numa tarde abandonada pela existência.
A solidão que permite sentir todas as dores acumuladas na história.
Esta sonata é mais do que simplesmente uma peça musical,
trata-se de um monumento à História da Humanidade.
Somente um grande homem como Beethoven poderia compô-la.
Pois somente possuindo uma alma como a dele – atribulada e cheia
De vida passional – para se entender os homens e traduzir suas emoções
Com o encanto mágico dos acordes de um piano.
Escuto-a diversas vezes e parece que ela se prende em mim com força
E resistência.
Sinto-me junto e distantes dos homens.
Estou para além das convenções do mundo.
Sou superior por causa dos vapores invisíveis da arte imortal
Que vêem à vida num movimento singelamente eterno.
Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
Escutamos sons que se eterizam dentro de nós.
A música possui propriedades alucinógenas.
O estado de espírito se altera com aquilo que ouvimos.
Beethoven com sua sonata ao luar me enfeitiça.
Impregna elementos sensíveis dentro de meu espírito.
Os conceitos terrenos se abstraem de forma mística.
Uma densidade angustiada cresce como o vento
num ocaso de inverno.
Há uma carga de solidariedade silenciosa que canta à espécie humana.
Beethoven possuía um furacão, um ciclone na alma,
Que buscava se transformar em poesia maviosa.
E quando se sentava ao piano saíam peças como estas.
“A Sonata ao Luar”, a Moonlight Sonata, como também é conhecida
É entretecida pelos acordes doces, mergulhados numa disciplina
Poética, que simplesmente se derrama como a chuva que cai
Do céu numa tarde abandonada pela existência.
A solidão que permite sentir todas as dores acumuladas na história.
Esta sonata é mais do que simplesmente uma peça musical,
trata-se de um monumento à História da Humanidade.
Somente um grande homem como Beethoven poderia compô-la.
Pois somente possuindo uma alma como a dele – atribulada e cheia
De vida passional – para se entender os homens e traduzir suas emoções
Com o encanto mágico dos acordes de um piano.
Escuto-a diversas vezes e parece que ela se prende em mim com força
E resistência.
Sinto-me junto e distantes dos homens.
Estou para além das convenções do mundo.
Sou superior por causa dos vapores invisíveis da arte imortal
Que vêem à vida num movimento singelamente eterno.
Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
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