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sexta-feira, janeiro 02, 2026

Os 10 melhores filmes que vi em 2025

Iniciei 2025 com a intenção de assisti a setenta filmes. Não alcancei meu intento. Acabei me perdendo em algum momento. Em meio às sucessivas exigências da rotina, quando dei por mim já era o mês de agosto. Acho que vi pouca coisa entre abril e julho. Costumo colocar a lista dos filmes vistos aqui no blog. Mas até isso deixe de fazer. Anotei alguns nomes em minha agenda. O resultado foi que devo ter visto algo em torno de cinquenta filmes. Não alcancei o meu objetivo; todavia, vi boas produções. Em 2026, farei um esforço para ser diligente.

Escolhi dez filmes, mas, inicialmente, selecionei mais que isso. Alguns filmes não entraram na lista por muito pouco. Elenco aqui cinco que deveriam ter entrado, mas que acabei não colocando: "Veludo azul" (1986), de David Lynch; "A verdadeira dor" (2024), de Jesse Eisenberg;  "O céu de outubro" (1999), de Joe Johnston;  "Julieta dos espíritos" (1965), de Federico Fellini; e "O aprendiz" (2024), de Ali Abbasi.

Abaixo, segue a lista com os 10 melhores filmes que vi em 2025. 

(1) "Noites de Cabíria" (1957). Federico Fellini
(2) "Conclave" (2024). dir. Edward Berger
(3) "Ainda estou aqui" (2024). dir. Walter Salles
(4) "O sabor da vida" (2023). dir. Trân Anh Hùng
(5) "A garota da agulha" (2024). dir. Magnus von Horn
(6) "Sonhos de Trem" (2025). dir. Clint Bentley
(7) "Folhas de Outono" (2023). dir. Aki Kaurismäki
(8) "Um completo desconhecido" (2024). dir. James Mangold
(9) "No lugar da outra" (2024) dir. Maite Alberdi
(10) "O filho de mil homens" (2025) dir. Daniel Rezende

 

quinta-feira, janeiro 01, 2026

O cinema em 2026 - Michelangelo Antonioni

Começamos 2026 pensando a respeito do diretor o qual visitaremos. Após a seleção do nome, doze filmes são escolhidos para serem vistos ao longo do ano. Ano passado, o nome da vez foi o icônico Federico Fellini. Foi uma revelação. Dois dos filmes da lista eu já havia visto - "Noites de Cabíria" e "8 1/2". Os demais foram descobertas extraordinárias como, por exemplo, "Amacord", "Os boas vidas", "Julieta dos espíritos" e "A cidade das mulheres". A tônica felliniana da atmosfera onírica e da alegria cincerse foram características observáveis em cada obra. Algumas das produções exigiram uma noção de totalidade do que representa a obra do diretor. Se alguém quiser assistir a alguma dessas produções - não estando acostumado com cinematografia do diretor -, certamente não terá paciência e abandonará o filme. Fellini se entende, captura-se no detalhe. O exemplo mais elementar disso que estou a falar é "8 1/2". É preciso muita atenção e sensibilidade para arrematar-lhe as referências metafóricas e metalinguísticas. 

Para 2026, cogitei alguns nomes - Antonioni, Scorsese, Francis Ford Copolla, Kubrick. Sem muitas reflexões e deferências, saquei o nome do italiano Michelangelo Antonioni. Como já relatei em anos anteriores, tudo começou em 2020. Naquele ano, escolhemos alguns dos filmes de Tarkovsky. Repeti a experiência no ano seguinte. Nos anos anteriores, vieram as seguintes escolhas: Ingmar Bergman (2021); Akira Kurosawa (2022) - uma das experiências estéticas mais bonitas da minha vida; Luis Buñuel (2023); François Truffaut (2024); e Federico Fellini (2025). 

Existe uma curiosidade sobre Antonioni: ele morreu no mesmo dia em que morreu Ingmar Bergman - 30 de julho de 2007. É uma coincidência do tempo ou uma trama da eternidade? Dois gênios que se ausentam do mundo que eles ajudaram a decifrar. 

Os doze filmes do diretor para 2026 são os seguintes (sempre na cota de um por mês):

(1) Blow - Up - depois daquele beijo

(2)  O grito

(3) A aventura

(4) O eclipse

(5) A noite

(6) As amigas

(7) Deserto vermelho

(8) Profissão: repórter

(9) Identificação de uma mulher

(10) Crimes da alma

(11) Amores na cidade

(12) Zabrieski Point 

Como planejo todos os anos, a meta para 2026 é assistir a 70 filmes (no mínimo). Ano passado, acabei me perdendo. Parei de catalogar. Talvez, não tenha conseguido alcançar os 70 pretendidos, mas vi uns 50 - está ótimo!

Vamos começar:

1 -

2 - 

3 -

4 -

5 -

6 -  

 

 

domingo, março 02, 2025

"Ainda estou aqui" - livro e filme

Li em janeiro "Ainda estou aqui", do escritor Marcelo Rubens Paiva. O livro inspirou o filme de Walter Salles. A leitura do livro se deu de maneira intensa, sem que pudesse desgrudar do seu texto. Escrito com forte sabor jornalístico, a história produz emoções variadas. Aos poucos, somos puxados para testemunharmos as particularidades daquela família de classe média  - tão comum, tão feliz - moradora do Leblon, um dos bairros mais famosos do Rio de Janeiro. Marcelo conta a história em camadas, até o desfecho central da história, que é a prisão e o sumiço do pai; e o jogo macabro de versões contado covardemente pelos verdugos da Ditadura; bem como a transformação pela qual sua mãe precisou enfrentar para conseguir continuar após a morte do marido. 

Hoje, tive a oportunidade de assisti ao filme encenado magistralmente por Fernanda Torres. Walter Salles, com uma condução impecável da história, conseguiu verter a história do livro para o cinema. Há toda uma expectativa criada - talvez - pela mídia acerca da possibilidade de o filme ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro. Acredito que isso não acontecerá. Não é o tipo de filme que Hollywood aplaude. Não há pirotecnias, espetacularizações, não há sangue, efeitos especiais na obra. Há, sim, a retratação da violência do Estado contra uma família. Há, sim, o luto, a dor, o medo e um tipo de "tortura" infringida à família que ficou. Eunice Paiva lutou para que a memória do seu companheiro não fosse obliterada. 
 
Medonho é saber que até hoje pouca coisa foi feita. Nenhum dos algozes foi preso ou sofreu qualquer punição. Três deles já morreram. Medonho é saber que há pessoas no país que se esforçam para que isso volte; que salivam, que riem, que fazem vista grossa à dor dos familiares enlutados. O filme presta um triplo serviço: (1) faz uma alerta para que o país nunca mais experimente um período como aquele; (2) presta uma homenagem a Eunice Paiva, que lutou pelo resgate da memória do seu marido; (3) honra a memória de Rubens Paiva, morto covardemente pelos algozes da Ditadura. 

Sei que o filme não ganhará qualquer estatueta, mas torceremos pela  pela maravilhosa Fernanda Torres, que rouba a cena. 


quarta-feira, janeiro 01, 2025

O cinema em 2025 - Federico Fellini

 

No ano de 2025, escolhi o cineasta italiano Federico Fellini como o diretor a ser visitado e aprofundado. Já faz cinco anos que repito o mesmo procedimento: escolho um diretor e, em seguida, seleciono doze produções desse diretor. É um exercício bastante enriquecedor. Fazendo uma contabilidade bem básica, posso afirmar que já vi mais de quarenta clássicos imortais dessas figuras icônicas, que foram criadores de uma linguagem muito própria. Aliás, procuro sempre levar em conta esse critério para escolher qualquer nome.

Comecei com Tarkovski (2020); em seguida, passei por Bergman (2021); depois, Kurosawa (2022); logos após, Buñuel (2023); e, ano passado, Truffaut (2024). A dificuldade se deu apenas com Tarkovski, pois sua obra fílmica não passa de oito produções. Mas, pode-se afirmar que são oito galáxias pela grandiosidade.

A escolha de Fellini se deu pela importância que ele possui. Já tive o grato privilégio de assistir a algumas de suas produções – Noites de Cabíria, A doce vida, A estrada da vida, Ensaio de orquestra e 8 ½. É o que me vêm à memória. A estrada da vida e 8 ½ são produções que devem aparecer na lista de todo amante do cinema. São obras em que percebemos a grandiosidade e o olhar único do diretor. A doce vida é o diagnóstico deletério da sociedade do espetáculo. É sublime em suas luzes; mas denuncia a frivolidade. Uma crítica fina, mordaz, áspera ao jornalismo vampiresco de celebridades; ao desejo moderno por exposição. Por trás da aparência, do espetáculo, havia o niilismo e o vazio. O que Fellini diria se tivesse conhecido o efeito brutal das redes sociais na vida das pessoas nos dias de hoje? E Noites de Cabíria possui as tintas do drama bonito, italiano em sua dimensão mais ontológica; há um humanismo dignificador e esperançoso em sua abordagem. Já Ensaio de orquestra é uma comédia refinada. Uma crítica ao totalitarismo. Por outro lado, é uma demonstração da resistência dos grupos divergentes.

Por fim, as cinco obras foram responsáveis por sedimentar profundidade e uma qualidade do olhar. Não é possível sair de um filme de Fellini sem que a dimensão do político, da infância e do onírico não estejam presentes. Por causa desse efeito, criou-se o adjetivo felliniano para representar algo que possua características que fujam ao comum, cuja grandiosidade impressione pela eloquência que evoca.

Sendo assim, escolhi doze obras para ver ao longo de 2025. Dos doze, assisti somente a dois deles. Eis a lista:

1.       Amacord

2.       Os boas vidas

3.       A trapaça

4.       Julieta dos espíritos

5.       Abismo de um sonho

6.       Os palhaços

7.       Mulheres e luzes

8.       8 ½

9.       Noites de Cabíria

10.   Satyricon

11.   A cidade das mulheres

12.   A voz da lua


Minha intenção, ao longo de 2025, é assistir a 70 filmes. Ano passado, consegui cumprir a meta.

1.  Curvas da vida – dir.

2.  Megalopóle -

3. Gladiador II - 

4. Amacord - 

5. No lugar da outra - 

6. Veludo Azul -

7. Batalhão 6888 - 

8. Babygirl

9. Conclave

10.  A fratura

11. Um lugar

12. Ainda estou aqui 

13. Flow

14. Um completo desconhecido

15. Anora

16. A verdadeira dor

17.  O sabor da vida

18. A garota da agulha

19. Negação

20. O aprendiz 

21. Jogo Justo

22. Os segredos de Madame Claude

23. A história da eternidade

24. A trapaça

25. 

26.

27. 

28.

29.

30. 

 

sábado, dezembro 28, 2024

Os dez melhores filmes de Truffaut que vi em 2024.

Ao longo de 2024, excursionei pelo cinema de François Truffaut (1932-1984). Em outubro, completaram quarenta anos de sua morte. Morto aos 52 anos de idade (portanto, ainda muito jovem), o cineasta francês é um dos nomes mais expressivos da história do cinema. É daqueles nomes que se tornaram referência para outros bons diretores - Martin Scorcese, Brian de Palma, Francis Ford Copolla etc. No final de 2023, escolhi doze das suas mais de 30 produções, filmadas ao longo de mais de 30 anos.

Truffaut fez parte de um movimento cinematográfico surgido na França, denominado "Nouvelle Vague" ("Nova Onda"), que buscou romper com os padrões do cinema produzido até os anos 50. Ao lado de nomes como os de Jean-Luc Godard e Éric Rohmer, Truffaut foi um amante inveterado do cinema, vertendo para as telas a psicologia da modernidade. 

Mais do que qualquer característica, a "Nouvelle Vague" se destacava pela forma como se deveria contar uma história. Buscava romper com o simplismo do cinema comercial e impunha uma estética capaz de mexer com o espectador na forma como recepcionava cada produção. Para assistir aos doze filmes de Truffaut os quais escolhi, foi necessário muita atenção. Os diálogos são rápidos. Lancinantes; outros, dispersivos ou fragmentários. O enredo às vezes parece ser conduzido em direções impensadas. A noção de linearidade é afetada, o que demanda do espectador uma atenção excessiva. Essa característica sugere uma forma de retratar o aspecto veloz, transitório e de mudanças abruptas da modernidade. As mudanças sugeridas pela "Nouvelle Vague" enunciavam uma fixação pelo real em detrimento dos efeitos extraordinários tão comuns no cinema comercial. Foram colocados em evidência a luz do dia a dia, as trivialidades do cotidiano; a rua, as pessoas, o trânsito; as cores dos espaços abertos; as feições quase que naturais dos atores. A impressão que temos é a de que estamos ao lado, junto com o diretor, observando cada cena.

O que fica da "Nouvelle Vague" é a quantidade de imagens acumuladas na memória. O que conta é a experiência subjetiva do espectador. Terminei, por exemplo, de assistir, hoje, ao décimo segundo filme - "As duas inglesas e o amor" (para mim, um dos melhores filmes do diretor) e fiquei com uma impressão que não se fixa em apenas uma dimensão da obra. Nele, por exemplo, é possível observar como a noção de mudança da condição dos personagens não conduz a um final previsível, típico das produções previsíveis. Não há uma resolução. O que fica é aquela sensação de que a vida é uma obra sem acabamento e permeada pela incerteza. 

Eis a lista dos dez melhores filmes que vi do diretor francês:

1 - As duas inglesas e o amor
2 - Um só pecado
3 - Fahrenheit 451
4 - Na idade da inocência
5 - O homem que amava as mulheres
6 - Os incompreendidos
7 - Domicílio conjugal
8 - Beijos roubados
9 - Atirem no pianista
10 - O último metrô

P.S. A lista completa está aqui.

sábado, fevereiro 24, 2024

"Anatomia de uma queda", algumas impressões

 

                Vi, no último domingo, o filme “Anatomia de uma queda”. Confesso que gostei. Inscreve-se entre os bons filmes a que assisti até agora e se inscreverá entre os melhores de 2024. Pode-se afirmar de início de que se trata de um filme sensível, inteligente, com diálogos bem estruturados e um enredo que vai entregando aos poucos as ações das personagens.

                O longa ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2023 e foi dirigido pela jovem e talentosa diretora francesa Justine Triet. A diretora, em 2019, havia dirigido “Sybil” que teve pouca repercussão. Todavia, com “Anatomie d’une chute”, Triet conseguiu acertar de maneira definitiva.

                O elenco do filme consegue manter uma constante de equilíbrio, encenando personagens complexos e densos, o que permite entregar um nível alto de qualidade dramática. Com duas horas e meia de boa produção, a diretora Justine Triet consegue equilibrar os aspectos dramáticos com o movimento do enredo, não permitindo que a história perca em qualidade.

                A história se desenvolve em torno do assassinato de Samuel, companheiro de Sandra e pai de Daniel. Samuel é um professor carismático, mas que possui uma carreira literária frustrada. Não consegue terminar os projetos literários que inicia. Por sua, vez sua esposa Sandra é o contrário. Ela consegue escrever. Possui um relativo sucesso. É organizada, conseguindo resultados excelentes com os seus projetos. Daniel é um garoto cego. A perda da visão se deu por culpa de Samuel. Mesmo com essa limitação, Daniel é um garoto altamente sensível.

                Sandra passa ser a principal suspeita pela morte de Samuel. A promotoria - junto com a perícia da polícia científica - possui um veredicto aparentemente inexorável: Sandra é a culpada. Aqui verifica-se uma das qualidades do longa, pois, à semelhança do que acontece ao tribunal, o espectador vai organizando uma percepção a respeito da tumultuada relação conjugal entre Sandra e Samuel e os feitos disso para Daniel.

                O filme problematiza a noção de discurso; ou seja, como é possível estabelecer uma tese para um fato e, a partir dessa tese, reunir elementos para validar os argumentos que sustentam a tese. É possível, para sustentar uma tese,  colocar a evidência de um fato em segundo plano e estruturar uma linha argumentativa para fazer acreditar no que fato construído. Parafraseando a personagem Daniel que parece perceber esse sofisticado artifício sofístico que procurava incriminar a sua mãe: “Por que a gente não pergunta sobre o que realmente aconteceu?”

                “Anatomia de uma queda” é um filme dirigido com muita habilidade. Faz-nos pensar. Evita os clichês, embora a atuação do promotor seja um tanto forçada. Nas entrelinhas, como possibilidade de interpretação, notamos a forte tese contra o feminino. A personalidade de Sandra é construída como se ela fosse o elemento problemático e conturbado do filme. Todavia, com a entrega dos elementos vivenciais, percebe-se que Samuel não conseguia lidar com o sucesso de Sandra. Claro, estamos a especular; e essas especulações são responsáveis por transformar a obra numa grande produção. 

 

segunda-feira, janeiro 01, 2024

Filmes e documentários vistos em 2024.

Truffaut em ação.
 

Vamos para o quinto ano com a estratégia de escolher doze filmes de um determinado diretor. Cada filme é visto ao longo de um mês. Não é uma tarefa difícil. Com essa estratégia, torna-se possível assistir a clássicos imortais. Ou seja, é possível ver aquelas obras imemoriais que fazem do cinema uma das mais belas dimensões da criatividade humana.  Já escolhi Tarkovsky, Bergman, Kurosawa e Buñuel. No ano de 2024, será a vez do francês François Truffaut.

O diretor foi um figura proeminente do cinema francês. É considerado o fundador da Nouvelle Vague ("Nova Onda"), um movimento do cinema que atualizava as produções ao momento político e social do pós-guerra. Nas produções oriundas desse movimento, as personagens eram contestadoras, insubmissas. Os criadores do movimento, entre eles Godard, Resnais e Rohmer, além do próprio Truffaut, fundaram uma nova estética. Com pouco dinheiro, mais com o desejo de imprimir uma percepção nova sobre o cinema, os diretores queriam fugir dos clichês costumeiros do cinema comercial. O foco passou a ser dado ao psicológico das personagens; em suas impressões sobre o cotidiano e os pequenos eventos nunca antes enquadrados pelo cinema.

Segue a lista dos 12 filmes escolhidos:

1 - Os incompreendidos - Ok!

2 - A noite americana - Ok!

3 - Beijos roubados - Ok!

4 - Antoine e Colette / A noiva estava de preto

5 - Domicílio conjugal - Ok!

6 - Um só pecado Ok!

7 - Atirem no pianista

8 - Na idade da inocência

9 - Fahrenheit 457

10 - O homem que amava as mulheres

11 - A mulher do lado

12 - Uma jovem tão bela como eu


Filmes vistos em 2024:

01 - Os incompreendidos

02 - A grande testemunha

03 - O maestro

04 - Priscila

05 - Boulevard do crime

06 - Roma - cidade aberta

07 - Dias perfeitos

08 - Pobres criaturas

09 - A noite americana

10 - Zona de interesse

11 - Amor à flor da pele

12 - Gosto de cereja

13 - Anatomia de uma queda

14 - Domicílio conjugal

15 - A vida de uma mulher

16 - Pollock

17 - Réquiem para um sonho

18 - Beijos roubados

19 - Duna - parte 2

20 - Napoleão

21 - Minha noite com ela

22 - A vingança está na moda

23 - A fraternidade é vermelha

24 - Pacto de sangue

25 - O homem que fazia chover

26 - Terra Selvagem

27 - O júri

28 - Um homem bom

29 - Lionhart

30 - Spencer

31 - O vingador do futuro

32 - Coco antes de Channel

33 - Pompeia

34 - Divertidamente 2

35 - Pai e Filha

36 - As mães do terceiro Reich

37 - Um só pecado

38 - Inimigos Públicos

39 - Blonde

40 - Vidas passadas

41 - Uma rua chamada pecado

42 - Ratatouille

43 - Marshall - igualdade e justiça

44 - Atirem no pianista. 

45 - Oppenheimer

46 - O clube do imperador

47 - Alien - o oitavo passageito

48 - Filadélfia

49 - Marcas da violência

50 - Amor e tulipas

51 - Fahrenheit 451

52 - Furiosa - uma saga de Mad Max

53 - Mad Max

54 - Barry

55 - Tudo por justiça

56 - Luca

57 - Mad Max 2

58 - Mad Max - além da cúpula do trovão

59 - Tempo esgotado

60 - O terceiro homem

61- O novo mundo

62 - Churchill

63 - Michelangelo - infinito

64 - O homem que amava as mulheres

65 - Contra o gelo

66 - Medo e delírio em Las Vegas

67 - A vítima invísivel - o caso Eliza Samúdio

68 - Amor esquecido

69 - O último metrô

70 - Harry Potter - a câmara secreta

71 - A virgem vermelha

72 - Embriaguez do sucesso

73 - As duas inglesas e o amor

74 - 


quinta-feira, dezembro 28, 2023

O ano Luis Buñuel de 2023

Esse exercício cinematográfico começou em 2020, em pleno ano cinzento do da pandemia. Naquele ano, resolvi assistir a todos os filmes do mestre Tarkovsky. Em 2021, escolhi o sueco Ingmar Bergman e sua psicologia sutil. Tive a oportunidade de rever alguns e assistir a outros pela primeira vez. Quanta beleza!

Em 2022, optei pelo mestre japonês Akira Kurozawa. Se eu tivesse de fazer uma lista com dez dos filmes mais importantes que já vi na minha vida, pelo menos três ou quatro seriam do cineasta japonês. 

Para o ano que ora finda, escolhi o caudilho espanhol naturalizado mexicano Luis Buñuel. O diretor trabalhou com o mestre do surrealismo Salvador Dalí, de quem herdou forte influência. Seus filmes fundaram certos conceitos estéticos que influenciariam alguns diretores. Um dos seus discípulos mais fiéis é Almodóvar.  Há pérolas inquestionáveis em sua filmografia. Assumidamente ateu e anticlerical, alguns dos seus filmes são críticas ferrenhas à Igreja como é o caso de "Viridiana". Após ter visto doze dos seus filmes, fiz uma lista (estritamente pessoal) com aquilo de que mais gostei:

(1) Este obscuro objeto do desejo (1977)
(2) O alucinado (1953)
(3) O diário de uma camareira (1964)
(4) O rio e a morte (1952)
(5) Viridiana (1961)
(6) O anjo exterminador (1962)
(7) Susana, mulher diabólica (1951)
(8) A bela da tarde (1967)
(9) O discreto charme da burguesia (1972)
(10) Nazarin (1959)
(11) Uma mulher sem amor (1952)
(12) O fantasma da liberdade (1974)

Em 2024, o cineasta da vez será François Truffaut.

segunda-feira, junho 05, 2023

Últimos filmes vistos - I

 (1) "O alucinado" (1953), de Luis Buñuel. Quinto filme do diretor a que assisti neste ano. Certamente, o segundo melhor. Perde apenas para o "O anjo exterminador", uma obra-prima incontestável. "O alucinado" está inscrito na fase mexicana da filmografia de Buñuel. É um filme relativamente simples. Todavia, nota-se a transformação de uma personagem. Francisco, o personagem principal, é aristocrata. Um dia, ao ir à missa, encontra Glória. Apaixona-se imediatamente. O magma que emana da paixão é tórrido, irresistível. Mesmo Glória estando noiva de outra pessoa, os dois acabam ficando juntos. A partir daí, Francisco se torna um homem cruel, possessivo, paranoico; e, Glória, por sua vez, uma mulher infeliz. Excelente filme! Não é um dos mais conhecidos do diretor.

(2) "Já era hora" (2023), de Alessandro Aronadio. Tudo é clichê e comezinho nessa produção. Algumas vezes, enquanto assistia ao filme, questionei-me: "Por que estou vendo isso?". Todavia, em dado momento, a história vai ficando interessante. Dante é o nome do personagem principal. É um sujeito que está na casa dos quarenta anos. É um escravo do trabalho. Pretende chegar aos cinquenta para que possa desacelerar. Mas, de uma hora para outra, um fenômeno estranho começa a acontecer: ele sempre acorda no dia do aniversário. E para completar esse amalucado movimento do tempo, ele sempre nota que as coisas estão estranhas: sua companheira engravida; faz terapia de casais em outro momento; o casamento acaba; a filha cresce; tem um caso com a secretária; torna-se o diretor da empresa em que trabalha. A mensagem que fica é que ele se mantém tão ocupado, que não percebe o tempo passar; não nota as pessoas nem as coisas que estão ao seu redor. 


(3) "Rio, 40 graus" (1955), de Nelson Pereira dos Santos. O filme é considerado por muitos como a produção que "inaugurou" o Cinema Novo, movimento que buscava denunciar as mazelas sociais do Brasil, influenciado pelo Neorrealismo Italiano. Talvez, seja o filme que iniciou aquilo que se passou a convencionar como 'favela movie". Ou seja, produções que colocam "a favela" como o cenário da violência e das mazelas sociais do país. O próprio Nelson Pereira filmaria, mais tarde, filmaria "Rio, Zona Norte" - para mim - um dos seus melhores filmes. "Rio, 40 graus" procura mostrar um mosaico de ventos e personagens em apenas um dia. O filme possui vários planos e tomadas que procuram destacar o contraste das personagens. No caso em questão, cinco jovens negros, oriundos do Morro do Cabuçu, vendem amendoim. Um enfoque é dado aos jovens, todavia, observa-se que as personagens vão se conectando por meio de uma série de eventos. Há o Maracanã; há um oligarca que desconhece o país; há a classe média querendo tirar vantagens. É um baita filme, que exige paciência para ser visto. Termina com o bonito samba "A voz do morro", de Zé Kéti.


(4) "O Castelo de Vidro" (2017), de Destin Daniel Cretton. Este filme é um drama visceral, daqueles capazes de provocar raiva e compaixão. No que tange a filmes que procuram retratar a contestação, o desejo por liberdade, coloco "O Castelo de Vidro", ao lado de "Dentro da natureza selvagem" e "Capitão Fantástico". O filme do diretor Daniel Cretton, é baseado em fatos reais assim como em "Dentro da natureza selvagem". "O Castelo de vidro" conta a história de uma família disfuncional. Jeannette Walls, já estabelecida, nos anos 80, rememora os fatos de sua infância e mocidade ao lado do pai (Rex), um alcoolista, insubordinado, sem morada certa, que arrasta a família de casebre em casebre; e permite que os filhos passem pelas mais aflitivas situações - de fome a não ir à escola. Sua postura anárquica é disruptiva. É um contestador. Todavia, seus filhos e sua esposa pagam um alto preço. O filme é excelente.

terça-feira, fevereiro 21, 2023

"Nada de novo no front" - livro e filme

 

Segundo o jornal alemão DW Brasil, o filme "Nada de novo no front" foi o grande ganhador do BAFTA 2023, o principal festival de cinema do Reino Unido. A produção alemã estabeleceu um marco como o filme estrangeiro que mais ganhou estatuetas na história do Festival - sete no total.

Devo afirmar que foi um dos melhores filmes que vi ano passado. "Nada de novo no front" é baseado no sensacional romance homônimo, escrito pelo alemão Erich Maria Remarque. Li o livro em 2020. É uma leitura marcante. Visceral. Daquelas que causam um forte impacto. Fiquei várias dias com as descrições ecoando dentro de mim. Pode-se afirmar que Remarque é o Varlam Chalamov alemão pelo poder de sua escrita, de frieza e crueza com que constrói a memorialística da dor. Quando vi que a adaptação do filme estava disponível, não hesitei, vi-o imediatamente. Assisti a ele, rememorando a crueza da estupidez da guerra explicitada com a lancinante caneta de Remarque. 

Na obra revela-se o niilismo da guerra; o quanto ela abisma e separa; como homens que têm histórias comuns são conduzidos para a morte, deixando para trás suas famílias e muitos sonhos. O próprio Remarque aos dezoito anos, teve de deixar os estudos para se alistar no Exército Alemão a fim de participar da Primeira Guerra Mundial. Havia um ideário fantasista sobre a Guerra. Os jovens ingressavam no conflito sem terem noção de que estavam indo para o meio de um conflito estúpido e sem sentido. Remarque foi ferido três vezes ao longo da batalha. Quando regressou do campo de batalha, exerceu vários ofícios até se estabelecer no jornalismo. Seu país estava destruído material e economicamente. Suas noites eram povoadas por insônias amargas. Lembrava os horrores da peleja. Os amigos mortos. A violência. Os corpos dilacerados. A sujeira. A fome. O medo. Passou a anotar em cadernos as suas memórias. Foi desse material que nasceu "Nada de novo no front". 

Publicado em 1929, o livro tornou-se um êxito literário imediato. Os jovens alemães liam-no sofregamente. A idealização era contrastada por um relato que questionava o fundamento do conflito. Para quê a guerra? Qual a sua utilidade?

Em 1930, o filme foi levado às telas pela primeira vez. Provocou um retumbante sucesso. O grupo nazista que estava em ascensão na Alemanha, irou-se contra o pacifismo manifesto da obra. Muitas sessões de cinema foram sabotadas. Ratos eram soltos nas salas onde o filme estava sendo exibido. 

Em 1933, ano em que Hitler chegou ao poder, o livro foi banido da Alemanha. Ao lado de exemplares de Thomas Mann, Sigmundo Freud e Stefan Zweig, o livro de Remarque ardeu nas muitas fogueiras acesas, no dia 10 de maio, na Alemanha. O objetivo era "purificar", realizar uma "limpeza" literária no Reich; acabar com os elementos 'estranhos que trouxessem fraqueza e alienação à cultura alemã'.  

Tanto o filme quanto o livro (principalmente) merecem ser visitados. 
 
Coloquei o filme "Nada de novo ao lado" de "Vá e veja", do russo Elem Klimov, um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos. 

P.S. A trilha sonora do filme é muito boa. Escutei-a hoje cedo no Spotify.