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segunda-feira, janeiro 17, 2022

O que eu vejo



Cheguei a São Paulo ontem com a Liana. Estou hospedado a uns 300 metros da Avenida Paulista. A ideia é conhecer alguns dos principais pontos turísticos da cidade.

O diligente recepcionista que fez nosso "check in", falou entusiástico:

- Vou colocar vocês no 15º. quinto andar. A paisagem pela manhã é maravilhosa.

Hoje cedo, fui conferir.

Fiquei pensando sobre o critério utilizado por um paulista para definir o que é uma "maravilha".

Estou como naquele "Poema de beco" do Manuel Bandeira:

"Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
-O que vejo é o beco"

Eu só vejo concreto.


São Paulo-SP.

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Enquanto isso... no andar de cima

O Brasil não é um país sério. Disso todo mundo está careca de saber. Acontecem coisas por aqui que seriam impensáveis em qualquer parte do mundo. Um dos problemas mais sérios do brasileiro é que ele não se leva a sério. Esse "ceticismo de vira-latas" é um mal que nos assola, que vai nos consumindo. Vejam, por exemplo, a charge abaixo. Ela vivica nosso raquitismo, nosso mandonismo diário e como o jogo político dos mandatários do país é realizado. E como disse certa vez Darcy Ribeiro 'as elites brasileiras estão entre as mais atrasadas e ranzinzas do mundo'. Há comicidade, mas também há uma tragicidade latente nisso tudo. 


segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Quando ficamos mais pobres

Não gosto de emprestar livros. Sou muito ciumento com relação aos meus livros. Quando morava na casa de minha mãe, meu irmão costumava emprestar os meus livros para os colegas dele. Aquilo me enfarava. Artudia-me. Deixava-me com nervos em estado de choque. Lembro-me de que quando eu era criança eu assistia ao desenho da Disney Ducktales. A figura do tio Patinhas sempre me chamava a atenção. Ele era um velho rabugento e sovina que guardava o seu dinheiro numa caixa forte. Conseguia contabilizar todas as moedas. Cena curiosa era aquela em que ele nadava na dinheirama da qual era dono. Quando faltava uma moeda da sua caixa forte, ele conseguia perceber. Ficava louco, desconcertado e, geralmente, encetava uma cruzada para conseguir o objeto desaparecido.

Pois, curiosamente, desenvolvi essa capacidade para com os meus livros. Sendo possuidor de mais de 1400 livros, conseguia perceber quando algum estava fora do lugar. Infelizmente num desses empréstimos clandestinos, três livros se foram de minha biblioteca e não mais voltaram. Agora que casei e saí da casa da minha mãe, estou resolvido a comprá-los de volta. São eles: Doutor Fausto, de Thomas Mann; O livro do desassossego, de Fernando Pessoa; e Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk, de Nikolai Leskov (sendo que este último eu mesmo emprestei e ele nunca mais voltou).

Estou com um desejo enorme de ler Doutor Fausto, mas fui surrupiado por intenções ávidas e incógnitas. Minha "caixa forte" (biblioteca) está mais pobre - e eu também.