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quarta-feira, março 28, 2012

Devaneios sobre o nada

Disse Nietzsche certa vez que "convicções são prisões". Fico a observar os movimentos dos radicais, dos religiosos, dos cínicos e vejo o quanto o ser humano é criador de suas próprias cadeias. Temos uma grande vocação para o ataque. Criamos antíteses em todo tempo. Se não gosto de algo, envido forças para objetar aquilo que me incomoda.

E aí me vem à mente outra frase de Nietzsche: "A verdade não é algo que alguém tenha e outro não". Talvez, um dos grandes males da humanidade seja essa necessidade de fecundar "verdades". Segundo o próprio Nietzsche, uma das perguntas mais relevantes feitas em toda a história da humanidade, encontra-se na bíblia. Ela não veio de Cristo ou de um dos profetas. Foi Pôncio Pilatos, o governador romano, quem a proferiu. Disse o famoso personagem histórico: "O que é a verdade?". Essa pergunta frágil e pertubadora é a grande questão a ser enfrentada por todo homem corajoso. 

Convicções estabilizam entendimentos. Estes supostos entedimentos geram uma garantia, uma sensação de segurança. Eximimo-nos de refletir por causa disso. De conseguir autonomia. Os homens mais felizes foram/são aqueles que, olhando para dentro de si, para os reveses, contradições e feiúras humanos, não se escandalizaram e acabaram avançando para uma nova etapa: a aceitação de sua condição enquanto criatura humana, colocado num universo imparcial, regido por leis naturais. 

Uma última afirmação nietzscheniana: "Quando não se coloca o peso da vida na própria vida, mas sim no 'além', no nada, então retira-se da vida toda a sua importância".

"O que é a verdade?"

Cito outro filósofo (Soren Kierkegaard): "Procuro uma verdade que seja verdadeira para mim". Eis a minha missão, eis a tua missão, eis a nossa missão.

terça-feira, setembro 20, 2011

Britten, um caso de Interlúdio


Tenho uma paixão toda especial por Britten. E estes Four Sea Interludes do compositor inglês é a magestificação de uma beleza diferente. Britten foi um dos maiores compositores de todos os tempos. Sua música soa sempre perfeita e exata. Na dança dos nomes, o inglês sempre fica preterido frente à Stravinsky, Bartok e outros, mas penso que ele se imiscua nesse panteão dos gênios da música de todos os tempos. Abaixo uma palhinha com o André Previne a Filarmônica de Viena.


segunda-feira, março 28, 2011

Sentidos naturais

A mais antiga e mais sábia

mestra é a natureza.

A mais silenciosa e mais revolucionária

de todas as forças é a da natureza.

Uma mão invisível a imprimir formas.

Os cânions, os vales, as montanhas,

as depressões oceânicas.

O vento da manhã me fez refletir

esses poderes.

As árvores agitadas, ziguezagueantes.

Uma mão incógnita a acariciar

os sentidos vegetais.

Agitamentos, danças, saracoteios

frenéticos.

Eucaliptos, coníferas, sibipirunas,

flamboyants.

Estáticas.

Fincadas ao chão.

A mão suave a me acarinhar.

A frescura que soprou em minha face.

Os meus companheiros agasalhavam-se

esta manhã.

Vesti-me da manhã.

Extático, sorvi o carinho natural.

Alegra-me pensar nesses ensinamentos

silenciosos.


Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque

Data: terça-feira, 21 de outubro de 2008.

quarta-feira, abril 22, 2009

Noturno Sabático

O manto escuro da noite
envolve os homens.
Luzes trêmulas cintilam
no horizonte.
Carros com olhos de fogo
arrastam-se morosos na distância.
Tenho impressões dúbias
sobre o momento presente.
A cabeça dói, uma dor lancinante
me apoquenta.
Sentado, espero a condução.
Jovens passam com modelos possantes.
Uma música atordoadora derrama-se
dos veículos e arrebenta em meus ouvidos.
Do alto de meu orgulho,
relego-os ao ostracismo.
Como os animais na natureza emitem
sons extravagantes para chamarem a atenção
da fêmea, os animais humanos também buscam
impressionar, destacar-se na treva da noite sabática.
Mastigo o tempo, rumino impropriedades,
enquanto a noite de sábado revela os
desejos da humanidade.

Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 18 de abril de 2009, sábado, 19:10:36

quinta-feira, março 26, 2009

A solidão da música

Caiu a noite.
Veio com ela a solidão.
Gotas miúdas tamborilam no telhado.
Mozart suaviza as minhas emoções.
A saudade que me envolve.
Desejo sair por aí.
Caminhar.
Contar para os homens das novidades
Sutis, poéticas que estão comigo
Aqui e agora.
Há vapores emanando de cada palavra
Que defendo.
O piano com sua melodia enche os
Meus olhos de certeza de que a beleza
É tímida.
Ele não se mostra costumeiramente.
A baixeza, os cultivos ineptos não
Contribuem positivamente para o futuro
Da humanidade.
Sinto todas as cores do arco-íris a me embargarem.
Essa experiência me mostra a grandeza
Dos pequenos, delicados acontecimentos.
Abraço-me com o silêncio que sai da música.
Penso em realidades enormes.
A música que é vaga como um sonho
E exata como a algébrica sentença da matemática.
Alegro-me com essas disposições.
Descubro: não estou sozinho.
Estou com Mozart e o seu concerto para piano e
Orquestra número 26.
Isso me faz completo.
A solidão da música me educa.

Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
Data: sábado, 20 de setembro de 2008, 23:25:17.

quinta-feira, março 12, 2009

Quase diário IV

Vês, ninguém achou engraçadas as tuas pantominas!
Porque o esforço que se tem de desprender para ser é quase diário.
Hoje pela manhã eu ouvi o que não queria ouvir.
Vieram-me á cabeça sentenças desaprovativas.
As palavras furavam as costelas de minha inauteridade.
Mas doíam, e como doíam – eram laminosas.
Palavras e sentenças machucam quando elas vêem das pessoas
Com as quais você já firmou acordos e vínculos estabelecidos.
É grandiosa a vida e o senso de quase sobre-vida que se tem de aceitar
E tomar como valor e determinação pelo chão erosivo da vida.
É quase diário que os valores e convicções devam permanecer como
Monumento catedrático, esculpido, moldado, assentado sob pilares
Fortes e inamovíveis.
Não gosto de ouvir tais sentenças.
Elas machcam-me. Verrumam minha paciência e a minha paz.
São duras as palavras quando precipitam do céu da verdade.
Elas martelam, comprimem a consciência cheia de certeza e reconhecimento.
Como me é duro aceitar a vida como proposta diária.
Quase todos os dias um desestímulo, uma agressão.
Ah, como eu gostaria de não ter ouvidos como captores para não poder
Apanhar esses sons perturbadores.
As palavras que tenho ouvido machuca-me como lanças afiadas.
Elas cutucam, grudam com efeito pegajoso na minha mente.
Deus do céu dar-me confiança, paciência e perseverança para que
Eu continue aceitando a vida como desafio diário.
Essa cama de pregos onde estou deitado me afugenta a paz.
Mãos invisíveis tem me segurado e me algemado os pés.
Eu sinto uma angústia desesperadora a me roer a semelhança
De cupins operários.
É quase diária a minha luta.
É quase diário o meu dilema.
Mas a vida passa a ser vida quando eu me decido a ser na contingência
Diária do ser sendo.
Sou o que sou, porque ainda não me tornei naquilo que pretendo ser.
Mas enquanto não me torno naquilo que pretendo, vou gozando
E sendo aquilo que sou agora, por não ter outra alternativa a não ser, ser.
Hoje é um novo dia para eu aprender a ser.
Hoje eu tenho uma luta para enfrentar.
Preciso aprender para ir sendo neste projeto diário de existência.

Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 11/6/2004 08:47:32, sexta-feira.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Quase diário III

Contaram-me que a agenda em que se escreve os
Problemas por estes tempo de idas e vindas, perdeu
Completamente a capacidade de alojar palavras e
Direcionamentos no seu seio.
Vês, hoje um novo diário se apresenta a ti?
Hoje não tenho palavras para escrever no meu Dário.
Hoje eu pretendi viver sem leis prévias, sem itinerários,
Sem apontamentos, sem destino.
Quero hoje me filiar ao des-compromisso.
Quem sabe para onde vou?
É quase diário que tenhamos que decidir por onde ir.
Chega-se ao entroncamento de uma encruzilhada e se tem
Duas possibilidades, dois caminhos.
Paro para pensar e chego a conclusão que todos nós estamos
Perdidos, mas não estamos perdidos porque perdemos o caminho.
Estamos perdidos, pois achamos que temos o caminho.
Imagino se tantas curvas que surgem nos dá a condição
de termos certezas de fazermos ou pensarmos alguma coisa.
O fato é que decidimos pensar e seguir e o nosso seguir não
Dá em lugar nenhum.
Os caminhos dos homens são enigmáticos, cheios de incertezas e surpresas.
É diário o período da decisão.
Algumas idéias surgem sem identidade.
Todavia, o diário sem linhas, sem traços, sem norteios ou estratégias
Claras se apresenta, se avoluma e diante
Dele eu tenho uma página branca.
Por onde devo seguir nesta minha luta quase diária?

Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 27/4/2004 08:52:37, terça-feira.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Quase diário II

Vês, olha para aquelas árvores em que
Penduras as tuas angústias.
Existe uma floresta onde escondes
As tuas dores de parto.
São dores lancinantes, cortantes, fumegantes.
É quase diariamente que tens que te sobressair
Por sobre a dor de ser diário.
A vida estaria dentro dessa selva?
Escondo apenas as minhas dores nesse
Ninho tecido pela minha imensa e necessária
Engenhosidade.
Eu quase que busco me encontrar por trás dos hortos.
Existe um desejo em mim de ser diário.
O fato é que eu sou.
Devo assumir a minha incrível necessidade de ser diário?
Sim!
Existo por que penso ou penso por que existo?
Tanto faz.
O fato é que tenho uma história para continuar
A escrever sobre mim?
Ou escrevem acerca de mim e eu não participo?
Eu sou um comercial, uma propaganda da divindade.
Loucura.
Não pode ser.
Não é assim que contam os textos sagrados.
Há funcionalidade no meu ser.
Existe autonomia detida, controlada.
Eu sou quase diário, porque nos outros dias em que não sou,
Tento entender o que sou – eu sou diário?

Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 23/3/2004 09:14:23, terça-feira.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Ano Novo

As pernas passam apressadas lá fora.
Muitos sonhos e expectativas
Também são alimentados esta noite.
Conversas, viagens, confraternizações,
A gola aberta para a solidariedade.
O resto do ano é murro, é força,
É suor, é choro.
Rojões, fogos-de-artificio, estrondos;
Alaridos, gritos, sussurros.
O momento extremo.
É como se um dia, horas,
Tivesse o poder para nos fazer novos.
Somos os mesmos.
Mudam as disposições mentais.
Enquanto isso, esperanças são cosidas,
Tecidas, alinhavadas, costuradas, esta noite.
O mundo é um grande templo de sonhos.
Os olhos se levantam para o céu.
Brotam desejos do asfalto, da praia, do mar.
Promessas emuladas, cantadas.
Augúrios surgem em propulsão.
Os homens sonham.
A matéria invisível do tempo
Insere novas possibilidades.
É como se os minutos, as horas, os dias,
Fizesse caducar um ano inteiro de frustrações
E descontentamentos acumulados.
Esses rituais são necessários para
Deixarem os homens vivos.
Amanhã uma nova estação surgirá
Para que pensemos no ponderável.
Começa a novidade, a possibilidade virgem.
Essa página branca será borrada pelo uso:
Luta, murro, suor, lágrimas.
E tempo trará os minutos, as horas,
Os dias, os meses, o ano novo.

Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
Data: quarta-feira, 31 de dezembro de 2008, 11:22:01.

sábado, dezembro 20, 2008

A feira

O mundo é um grande mercado.
Vendem-se todas as coisas.
Há compradores para todos os artefatos.
As mercadorias são de variados gêneros:
Há casas à venda;
Móveis em liquidação;
Obras de arte em empórios;
Panelas e badulaques em armazéns;
Carros em concessionárias.
Armas em lojas especializadas;
O corpo (sexo) nas esquinas escuras
Ou à luz, em pleno dia;
Órgãos humanos no mercado negro;
Drogas pelo tráfico;
Curas pelos sacerdotes;
Esperanças em seminários;
Saúde em academias e hospitais;
Educação nas escolas e faculdades;
Pílulas que aliviam e acalmam
Nas farmácias;
Terras públicas por especuladores;
Salvação eterna em nichos religiosos;
Aprovação em concurso público;
Desintoxicação em clínicas especiais;
Roupas em lojas de departamento;
Companhia e cuidado em asilos;
Ações na bolsa de valores;
Relíquias antigas em leilões;
Serviços em licitações;
Felicidade em livros de auto-ajuda;
Viagens em pacotes turísticos;
Imóveis em consórcios;
Fama em agências de publicidade;
Pedaços do Muro de Berlim pela internet;
Fugas vazias em balcões de bares;
Cursos por correspondência;
Conselhos em empresas de consultoria;
Safarias nas savanas africanas;
Animais em espaços clandestinos;
Dinheiro em instituições financeiras.

Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
Data: 05 de dezembro de 2008.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Cantos

As cigarras cantam plangentemente
Nos galhos tortos das árvores.
São cantos vaticinadores:
A chuva vem.
Vem com seus encantos.
Com o seu tamborilar imperioso.
Os mosquitos brincam no ar.
O verde vomita fragrâncias
E exibe-se – a natureza.
Tantos choros,
Tantos lamentos.
A natureza comemora
Os seus encantos.
Grasnados canoros.
A hora infinda escorre com vagar.
O tempo dentro de mim
Move-se como uma serpente.
A diferença:
Fora, vagar e comemoração;
Dentro, apenas o silêncio
E a eternidade.

Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
Data: sexta-feira, 27 de outubro de 2006, 18:27.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Impertubabilidade

A vida que se gasta como
A linha de um carretel.
O problema que acontece do
Outro lado da esquina não é
Sentido do lado de cá.
Impressionamo-nos com o baque
Surdo da queda.
Alvoroçamo-nos porque habitua-se
Fácil aos fatos fantásticos.
Acontece a correria como motivo para
Satisfação da curiosidade.
Após está satisfeito,
A vida pode sar continuidade ao
Seu fluxo imperturbável.
Todos os dias há quedas.
Mas o outro, também, está
Imperturbável.

Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
Data: 25/12/2005, domingo, Goiânia-GO, 10:04:20 AM

terça-feira, dezembro 09, 2008

Coisas IX

Ser-me-ia interessante aprender sobre as coisas
Do céu, da terra e do ar.
Nesta tarde chuvosa na minha alma.
Parece que tudo está impregnado de umidade.
A vida está úmida, sensível, romantizada.
As desolações dos homens são sonhos desfeitos,
Mal apalpados, mal fecundados pelo ventre
Grávido da vida.
O que é você? Já parou para perguntar.
Seja claro com você e talvez não tenha
Uma resposta satisfatória e de confiança.
O meu mundo não é o teu mundo, por isso
Não chove com tanta freqüência e intensidade.
As brochuras que nos dão para estudar não tem
Todas as coisas necessárias para se viver bem.
É aí que temos que achar sozinhos as respostas satisfatórias
E que nos conduza por esta vida tão inopinada.
A vida é sonho! Acredite.
A diferença entre o pesadelo e o encanto está na forma
Que você ver as coisas.
Eu vejo castelos de areia que são roídos pelo
Vento implacável da tempestade que sai do mar da vida.
Apenas entendo que enxergar tempestade é ser fiel
À vocação a que somos chamados.
Mas também vejo um jardim com borboletas que
Voam e levam o pólen que fecundará outras flores
De alegria que brotam neste solo fértil que está
Sob nós.
A diferença está apenas no olhar as coisas.
E, agora, o que você está vendo?

Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 24/10/2003 11:57:56, sexta-feira.

sábado, novembro 29, 2008

Quase diário I

É quase distante o som das vozes que ouço.
O que dizem?
Não dizem. Não falam da excelência da vida.
É o centro das expectativas e o retorno do terno que
Me emociona.
O fato é que existem dias nesta vida que o estranho é quase diário.
É quase diário o meu lema.
É distante. É completo. É vago.
É uma imensa distância inamovível que tenho de percorrer.
O dilema é que têm dias em que as regiões assumidamente
Serenas transformam-se em centros ciclonais.
É uma nova manhã que come e vomita os teus desejos.
É o lapso friorento do desânimo.
Eu já nem sei quem sou, vida.
É quase diário as horas nuas e incompreensivas da vida, vida.
É o teu melífluo , transparente enigma, que me arrebate.
Tu me chamas a ti.
Vou.
É o não-revelado que me abisma.
O revelado é apenas fachada.
Não é o que de fato conclui-se como verdade inescusável.
Estou cansado desta farsa,
Destes hábitos mal-cosidos, mal-cozinhados.
O que me dizes?
Tenho todos os sentidos ao passo que sou pobre.
É quase diariamente que tenho que aprender a ser comigo mesmo.
O que entendes disso?
Não entendes.
Não atentastes para essas palavras carregadas, acendradas.
Ouça, ouves?
Eu estou tentado te dizer que sou diário, sou quase diário,
Porque nos outros dias eu cismo em negar o que sou.
Mas em outros eu tenho que assumir o que vivo,
Porque sou histórico.
Sou homem, sou animal, sou diário.


Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 18/3/2004 09:03:56, quinta-feira.

terça-feira, novembro 25, 2008

Coisas V

Estou tremendamente abalado nas bases

Que sustentam o mundo do meu ser.

Alguém disse que temos que

Está atentos para o brotar do novo na vida.

Mas o vazio, a tristeza e agonia circulam na órbita

Desarmônica do meu coração.

São entes satélites.

Eu só queria está mais atento para prestar atenção

A esses reveses desordenados.

São convulsões trépidas.

São descontínuos nervosismos que germinam

Em sinal de ânsia e solidão.

Talvez seja aquele rosto anêmico que está se

Escondendo por trás daqueles móveis velhos

Lá naquela sala isolado num canto da minha alma.

São apenas coisas sem brilho ou sem graça,

Talvez a ponta deste istmo continental, sem barreiras,

Sem fronteiras ou sem qualquer delimitação aparente.

Eu apenas me seguro nos fiapos de alegria que são

Tão tênues, tão incipientes.

Pareço estar na ante-sala que me leva a algum lugar.

Talvez este lugar não tenha fundo, não tenha paredes

Separatórias ou termo.

São apenas palavras que evocam algumas coisas.

Apenas coisas que não sei dá nome ou classificar

Com termos humanos e científicos.

Apenas os sinto, apenas o vivo, apenas sou eu,

Por isso, sinto coisas.

Meu momento é especial porque não sei

Identifico-me entre as infinitas e ínfimas

Criaturas do cosmo.

Eu sou apenas mais uma criatura neste mundo.

Insignificante e desprezível em relação ao

Universo de tamanho impensável.

Mas tenho sentidos e ouço um noturno

De Chopin e por isso sinto coisas.


Por Carlos Antônio M. Albuquerque

Data: 30/7/2003 09:00:33, quarta-feira.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Coisas III

Existe uma ponte sobre um vasto rio de águas escuras.

Não consigo ver minha imagem refletida sobre estas águas.

Quem dera todas as dores que surgem em nós,

proferissem em tom audível para quê vieram.

Quem dera estas vozes ininteligíveis, se tornassem claras

E audíveis.

Quem dera esta ponte pênsil me levasse ao outro lado

Do rio.

Não leva.

“Quem dera que as coisas simples fossem vistas como as

Mais importantes”.

Não compreendo.

Para quê entender?!

As águas seguem marulhosas, silenciosas, constantes.

Agitam-se, mas não dizem nada.

Há um céu azul sobre a minha cabeça.

Lá existem vozes que não são ouvidas,

Mas são compreendidas.

É para lá que devo ir.

Se viver é angustiar-se, quero viver para alegrar-me.

É para o céu que recorrerei.

As vozes do rio não são ouvidas

E ainda são como grandes arrancadoras de controle

Do que eu sou e do que pretendo ser.

O rio que vejo é turvo, negro e silencioso,

mas o céu que espero é cheio de surpresas

e eternidade.


Por Carlos Antônio M. Albuquerque.

Data: 26/6/2003 08:31:19, quinta-feira.

terça-feira, novembro 18, 2008

O efeito das palavras

Palavras, apenas palavras

Passionalidade

Honestidade

Tentativa de acerto

Grandes atropelos.

Palavras pungentes.

Da força de um raio.

Brilho revoluteante.

Assensos.

Dissensos...

Tento mostrar-me...

Expor-me com toda

A minha feiúra.

Assusto-te...

Não cedes...

Tuas palavras...

Apenas palavras.

Já tentei outras vezes

Desaturdir-me.

Renitência...

As horas que passam.

Inocência?

Há alguma?

Tudo um show de cruezas

Paciência como elemento

Das horas nuas.

Angústia e tristeza surgidas

Com potência infinita.

Palavras, apenas as tuas palavras.

Aposto nas melhores intenções.

Crueza nos fatos,

Danação nos gestos dos sentidos.

Pareço-me incompreendido.

Mas pareço, também, não compreender.

Às vezes acho-te tão dura,

Parece-me que enxergas a

Vida apenas com os teus olhos,

Apenas com as tuas intenções.

Já se faz tarde!

As palavras brotam,

Apenas palavras.

O desejo de estar perto de ti,

Confundido com tuas

Palavras acerbas, azedas,

doces, agridoces.

Apenas palavras!


Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque

Data: domingo, 18 de novembro de 2007, 17:18:03.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Impressões solares

Uma luz incandescente doura o horizonte.
Cria um ponto referencial alaranjado.
Um réquiem.
A beleza mesclada à morte.
Nuvens como gases ensangüentadas giram,
Enfeitam, tentam por ataduras no
Astro magnificente.
Os momentos são decisivos.
Uma laranja avermelhado, ourífero,
Habitado pela dor encarnada do silêncio.
As formas “deformadas” pela luz carmesim.
O horizonte com os montículos
Distantes completamente tomados
Pela fumaça rala, acinzentado,
Com uma coroa vermelha a lhe vestir
Toda a extensão.
A luz desapareceu e ficaram os fragmentos,
Os pedaços tênues
Das cinzas escarlates.
É o prelúdio da morte.
O ritual da vida natural,
Dos processos naturais;
Em outra parte, em outro lugar,
Os vívidos raios encherão de vida
Os seres, as coisas, para morrer outra vez –
Seria o eterno retorno da natureza?
Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
Data: 01 de julho de 2008.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Melancolia

Uma corrente fria de vento

Atravessa a minha alma.

Sinto-me triste.

É uma tristeza tristemente delicada.

Tristeza sem recatos.

Sensação recatada.

O peso de mil toneladas comprime

O meu peito.

Asfixia-me com sua presença tórrida.

Desabo qual monstro ao chão.

Estou triste.

A tristeza ri de mim.

Solta impropérios sufocantes.

Amarra-me.

Lança-me sobre estacas de medo

E desengano.

A manhã está fria.

Não quero contatos.

Palavras não me serão receptivas.

O que sinto me é escusado.

De uma coisa eu sei:

Dói, como dói!


Carlos Antônio Maximino de Albuquerque

Data: terça-feira, 24 de junho de 2008, 08:57:16.

sexta-feira, outubro 10, 2008

A minha alma está cheia de poesia

Quero me lançar em direção ao vazio espiral

No deserto que formou-se em mim.

“As velhas palavras mortas sujaram a minha alma,

por isso quero lavá-la com as águas do silêncio.

Eu desconfio do sentido e das vozes dos homens

Ditos normais – são normais demais!

Deixemos a normalidade tão fingida deles e corramos

Na direção do outonal extremo da nossa alma.

Lá não se fala palavras normais, porque a normalidade

Cristaliza os movimentos que formamos com a poesia.

Poesia é movimento silencioso.

Movimento e combinação de sentidos

Inauditos.

Desconfio das poesias paradas.

As poesias não são verões parados e abafados.

São primaveras coloridas e cheia de musicalidade.

Gosto do que não dizem justamente por ser algo que busco

Compreender com a minha liberdade poética.

Eu sou mais que sou. Sou a outra metade afastada de mim.

Porque é justamente diante do insondável que buscamos

Compreensão para o não-entendido.

A minha história é mais que voz. Ela é o filtro indicador

Das horas nuas da vida.

Palavras desencontradas brotam de dentro de mim neste

Momento.

Parece saírem de uma cascata caudalosa que se precipita

Nas pedras da vida.

É como o magma que emerge do ventre da terra

Terrificantemente pastoso, mas que vira pedra quando enfrenta

A realidade climática externa.

O viajor da história me faz ter espasmos diante dessa

incógnita chamada vida.

Apenas reflexão... nada mais.


Por Carlos Antônio M. Albuquerque

Data: 27/12/2003 14:59:15, sábado.