
No deserto que formou-se em mim.
“As velhas palavras mortas sujaram a minha alma,
por isso quero lavá-la com as águas do silêncio.
Eu desconfio do sentido e das vozes dos homens
Ditos normais – são normais demais!
Deixemos a normalidade tão fingida deles e corramos
Na direção do outonal extremo da nossa alma.
Lá não se fala palavras normais, porque a normalidade
Cristaliza os movimentos que formamos com a poesia.
Poesia é movimento silencioso.
Movimento e combinação de sentidos
Inauditos.
Desconfio das poesias paradas.
As poesias não são verões parados e abafados.
São primaveras coloridas e cheia de musicalidade.
Gosto do que não dizem justamente por ser algo que busco
Compreender com a minha liberdade poética.
Eu sou mais que sou. Sou a outra metade afastada de mim.
Porque é justamente diante do insondável que buscamos
Compreensão para o não-entendido.
A minha história é mais que voz. Ela é o filtro indicador
Das horas nuas da vida.
Palavras desencontradas brotam de dentro de mim neste
Momento.
Parece saírem de uma cascata caudalosa que se precipita
Nas pedras da vida.
É como o magma que emerge do ventre da terra
Terrificantemente pastoso, mas que vira pedra quando enfrenta
A realidade climática externa.
O viajor da história me faz ter espasmos diante dessa
incógnita chamada vida.
Apenas reflexão... nada mais.
Por Carlos Antônio M. Albuquerque
Data: 27/12/2003 14:59:15, sábado.
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