Mostrando postagens com marcador Stálin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Stálin. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, julho 20, 2016

"As sinfonias da guerra" - documentário sobre Shostakovich

Shostakovich é uma das minhas paixões. Não tenho como negá-lo. Desde a primeira vez que eu o escutei, fiquei com uma sensação de que havia sido atropelado. Que um mecanismo de proporções colossais havia atravessado a minha corrente sanguínea. Era a Sinfonia No. 11, conhecida como "O ano de 1905", em referência ao evento que se deu em frente ao Palácio de Inverno do czar, o soberano com poderes divinos que governava a Rússia. Na ocasião, centenas de pessoas, a gente comum (soldados, camponeses, operários, mulheres, religiosos etc) havia ido lá para protestar. Todavia, os soldados que faziam a guarda e a segurança do Palácio abriram fogo contra a multidão a mando do soberano. Houve um embate. O motor bélico e combativo do povo russo fez com os trabalhadores resistissem. 

Shostakovich colocou esses humores biliosos na obra. Há marchas. Recuos. Avanços. Tambores. Uma sensação de que foices revoluteiam no ar procurando o oponente. O drama é imenso. Os soldados armados fazem os corpos caírem ao chão. Ao final, Shostakovich ainda sugere que aquele embate havia sido o prenúncio para algo que aconteceria doze anos mais tarde, durante a Revolução Russa. O czar havia conseguido uma vitória temporária. Quando escutei o trabalho fiquei impressionado com essas características tão marcantes. Mais tarde, escutei a Sinfonia no. 5. Pronto! Estava firmada a paixão. Pesquisando na internet há muito tempo atrás eu encontrei esse documentário. Não havia legendas para ele. Mesmo assim, enfrentei-o até o final. Olhando alguns vídeos no Youtube acabei por achá-lo. Fora a mensagem anti-stalinista que surge no documentário, as informações são profícuas. Mostra como Shostakovich sofreu com a repressão stalinista, tendo alguns dos seus trabalhos censurados, como é o caso de sua ópera Lady Macbeth de Mtsenk. No documentário, Valery Gergiev rege as obras de Shosta. Vale conferir!

P.S. Após ter incorporado o vídeo, ele não pôde ser exibido. Segue o link.


terça-feira, fevereiro 09, 2016

"Contos de Kolimá", um retrato implacável feito pelo homem - contra o homem

“A natureza no Norte não fica apática, indiferente: ela entra em conluio com aqueles que nos mandam para lá”. (p. 116)

"Cada minuto da vida no campo de prisioneiros é um minuto envenenado". (p. 239)

O livro Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov, é uma revelação do asfixiamento moral e do desnudamento completo da natureza humana; de como o ser humano pode se transformar em criatura guiada pelo instinto de sobrevivência quando enxovalhado por condições que maculam a sua existência.

Kolimá é uma região desolada da imensa Sibéria. Era para lá que os prisioneiros políticos do regime soviético eram levados. Segundo Varlam Chalámov, em certas épocas a temperatura chegava a sessenta graus negativos ("o cuspe congelava antes de chegar ao chão"). As vestimentas precárias, a condição de vida miserável, a alimentação insuficiente e pobre, o trabalho excessivo no ambiente frio, aniquilavam o corpo e o espírito.

A prosa de Varlám Chalámov é fria, assim como a paisagem da Sibéria. A imersão que ele faz nos tipos humanos: a arrogância dos soldados do regime, a canalha acumulada aos magotes no campo de concentração, a comida capenga, o escorbuto a fazer cair a pele, a carunchar os tecidos epiteliais, os ambientes inóspitos da região gelada, a natureza que parecia se aliar aos algozes, fazendo aumentar os infortúnios; o trabalho excessivo, às vezes, chegando a turnos extremos de dezesseis horas diárias em minas de carvão e ouro para cumprir as sanções do regime stalinista.

Chalámov esteve por mais de vinte anos nesses campos de trabalhos forçados. A primeira vez foi para lá por ter ingressado em um grupo que pedia a renúncia de Stálin. Na segunda vez, escreveu um livro e acabou sendo preso, acusado de orquestrar atividades clandestinas. Filho de um sacerdote, sua família perdera os privilégios com a Revolução de Outubro. Com o recrudescimento dos expurgos de Stálin, quando passou a haver uma sistematização da perseguição aos opositores do regime e o "arranjo" humilhante da deportação para a Sibéria, Chalámov foi parar em Kolimá. A paisagem branca e severa da Sibéria é uma inimiga atroz da condição humana. E quando não se está preparado para ela, ela castiga mais que o ódio humano.

As autoridades soviéticas sabiam muito bem o porquê de enviar os prisioneiros para lá: não havia possibilidades de fugas ou expansões que permitissem revoltas. Subnutridos e humilhados, os prisioneiros iam sendo puídos pelas condições medonhas a que eram submetidos. A única alimentação medonha que, o escritor teve, de forma sobeja, foram os traumas que se sedimentaram como uma camada compacta, maciça, escabrosa, fossilizada, nos recantos escuros da memória. O escritor externou, a partir de 1953, o resultado daquele produto. O trabalho o absorveu por vinte anos. Desfazer-se daquilo foi uma tarefa arqueológica. Escoimou-se, por isso. Purificou-se. Ou simplesmente, narrou de forma dura a fim de exprimir com o realismo necessário a dureza sentida na pele e na alma.

Varlam Tikhonovitch Chalámov
Chalámov deixou um registro da brutalidade, da vilania direcionada a outro ser humano. Atualmente, os Contos são de leitura na Rússia. Acredito que sejam um dos documentos mais bem escritos sobre as condições de penúria da vida de qualquer ser humano. O homem submetido a juízos extremos tende a perder a casca desenhada pela civilização; um homem que tem a fome como companheira inseparável, tende a ganhar instintos selvagens; um homem que passa a ter sua dignidade der ser humano ameaçada, volta a um estado de natureza, ou seja, passa a desprezar a vida de si e do outro. Chalámov é um retratista atento desse quadro medonho. A vida humana não valia nada naquele lugar. A mão poderosa de um Estado invisível que se agigantava, tornava-se presente na ameaça implacável do fuzil. Os prisioneiros eram matéria imprestável e passageira para a essa burocracia mesquinha. Se morressem, eram jogados na paisagem fantasmagoricamente branca; alimentariam os lariços ou a taiga quando chegasse o verão ou a primavera.

Qualquer degrau social possui a sua característica. Os tipos humanos de cada geografia correspondem aos atributos do lugar. É curioso, por exemplo, perceber Chalámov citar Dostoiévski (Recordação da casa dos mortos) e apontar que o autor de Crime e Castigo ficou "enternecido" com os tipos criminosos da cadeia, quando estivera preso na Sibéria, no século XIX. Em Kolimá, Dostoiévski "não se permitiria a expressar nenhuma compaixão". Chalámov acrescenta: "O chefe é grosseiro e cruel, o educador mentiroso, o médico inescrupuloso, mas tudo isso são bobagens em comparação com a força corruptora do mundo da bandidagem. De qualquer modo, são pessoas, mas neles raramente se manifesta algo de humano. Os bandidos, portanto, não são humanos". Na prosa de Chalámov se encavalam monstros, bichos sórdidos que buscam sobreviver na tenacidade contrastável do submundo.

A Editora 34 lançou os Contos de Kolimá o ano passado. Pretende lançar outros cinco volumes com a prosa dura de Chalámov - Vol. 1 - Contos de Kolimá; Vol. 2 - A margem esquerda; Vol. 3 - O artista da pá; Vol. 4 - Ensaios sobre o mundo do crime; Vol. 5 - A ressurreição do lariço; e Vol. 6 - A luva, ou KR-2. Se assemelharem ao primeiro são, portanto, imperdíveis.


sexta-feira, maio 29, 2015

O cinema em março - 2015

A belíssima Rachel Weisz no papel de Hipatias
O blog e o blogger atravessam um período de indigesta preguiça para com a escrita, apesar da leitura ser um gesto quase diuturno. Tenho me ocupado com muitos afazeres. O mês passou célere. A azáfama diária nos joga em um cipoal de responsabilidades que vai nos consumindo; roendo a substância física e espiritual. É preciso estar atento. Desperto. Não permitir que o aquebrantamento seja maior do que a força para a inspiração. Algumas ideias com asas curtas e ralas sobrevoaram a superfície da mente, mas não suportaram a refrega por muito tempo. Não dei atenção a elas. Não as alimentei. E elas acabaram se dissipando com a tempestade inexorável das horas. 

Apareço por aqui hoje para escrever  linhas inexpressivas sobre alguns filmes a que assisti no mês de março. Esses relatórios magros e ordinários têm surgido desde o final do ano passado. Vinha produzindo com a regularidade e o entusiasmo necessários, todavia, uma lassidão me acometeu e acabou roendo por completo as cordas da disciplina. 

Se no mês de fevereiro eu vi seis filmes, no mês seguinte eu consegui assistir a dez. Não farei resumos, posto que o momento me impede de tal empreendimento. Estabelecerei apenas uma lista ordinal. Nela, colocarei aquilo que foi mais relevante, marcante; aquilo que produziu mais estesia no momento em que vi a obra. Há na lista o kitsch hollywoodiano como, por exemplo, Sniper Americano (2014) ou O último samurai (2003); destaco a maviosidade do último e a tragédia bélica, transformada em louvor heroico por uma sociedade que aprendeu que a guerra é a forma de se relacionar com diferença que há no mundo, no segundo. 

No segundo plano, vem De repente num domingo (1983), que apesar de ser um noir de François Truffaut, pareceu-me maçante e de história bastante confusa. Logo em seguida, posiciono Lugares Comuns (2002), filme argentino, que nos dá uma ideia clara do que foi a crise econômica no início do século XXI, crise esta cujas consequências ainda estão postas na combalida sociedade portenha. Podem ser colocadas mais duas obras nesse plano intermediário: Apocalipto (2006) e O jogo da imitação (2014). O primeiro possui o "selo-Mel Gibson de qualidade", ou seja, muito sangue, encaixe de câmeras que provocam efeitos no telespectador e um fundo moral cristão, apesar da história se passar em uma América pré-colombiana. O filme possui uma dualidade: (1) o diretor conseguiu reproduzir plasticamente, com bastante felicidade, os principais aspectos da cultura e dos rituais maias; (2) todavia, permitiu que sua perspectiva religiosa da história prevalecesse ao deixar bem claro que são os descalabros morais, que levam uma civilização ao colapso implacável, como deixa bem claro na epígrafe escrita pelo historiador inglês Will Durant, no início da obra. Já em O jogo da imitação, uma película de grande densidade dramática, o principal personagem, baseado na vida do brilhante matemático inglês Alan Turing, que pagou um preço altíssimo por ser homossexual numa sociedade conservadora e que sedimenta dogmas históricos como é o caso da sociedade inglesa. Caso semelhante havia se dado com o autor de O retrato de Dorian Grey, Oscar Wilde, que amargou a  prisão após o seu romance homo-afetivo ter sido descoberto. O filme busca mostrar como o genial e operoso matemático lidou por anos, até o desfecho medonho perpetrado pelos médicos ingleses, contrários aos impulsos da natureza.

As obras que  podem ser colocadas em um plano mais alto são: (1) Stálin (1992), uma fantástica recriação de como foi o surgimento, a ascensão calculada e o desfecho do coveiro chamado Koba, que se auto-denominou Stálin ("aço") e se tornou o chefe supremo do Partido Comunista da União Soviética. O filme busca descrever a desconcertante ambivalência da personalidade desse, que é um dos mais emblemáticos personagens do século XX. E como ele conseguiu trilhar o caminho do poder. (2) Bashu (1989), um filme iraniano, um dos primeiros daquele país a fazer sucesso no ocidente. O diretor Bahram Beizei construiu um filme singelo, mas de funda beleza poética. Bashu é um menino que foge ocultamente do norte país em um caminhão, após ver a sua família morrer em uma guerra estúpida. Ele acaba atravessando o país e indo para o sul. Lá, ele encontra uma mulher que se afeiçoa dele. Ele passa a viver no sítio dela, apesar dos dois não dominarem o dialeto um do outro.

(3) Alexandria (2009), de Alejandro Amenábar, um filme para ver, pensar e refletir sobre os limites da ignorância e a fragilidade da vida. A obra conta a história de Hipatias de Alexandria, uma das mulheres mais sensacionais que já passaram por esse planeta. Hipatias representa o arquétipo do sábio, do erudito, do sujeito que devota a existência ao conhecimento. Ela substituíra o neoplatônico Plotino, na intectualmente vulcânica Alexandria, um dos locais onde mais se reuniu o saber na antiguidade. Lá estava a mítica biblioteca de Alexandria. Hipatias ensinava com a inquietação característica das grandes mentes. Essa sua característica contrariava a visão tacanha e machista, um pressuposto básico na história. Quando olhamos para a história, não notamos a presença feminina exercendo um protagonismo claro, pois a história foi dominado pelos homens. Pois naqueles dias do segundo século depois de Cristo, Hipatias já antecipava a teoria heliocêntrica, sendo que mais de mil anos mais tarde seria defendida por Copérnico e Galileu Galilei; e punha em xeque a "arrogante" teoria geocêntrica de Ptolomeu, também defendida pela Igreja. O objetivo desta teoria era dar dignidade ao homem. Tirar a terra do centro significava não atribuir o devido valor pretendido pela fé cristã. Todavia, o que fica provado no filme é que determinadas compreensões radicais e fechadas são mais fortes do que a ebulição racional de uma mente que está a serviço da sensatez e do conhecimento. Hipatias sofre duplamente: sofre por ser mulher e sofre por ser alguém de postura independente com o seu pensamento. Maravilhoso esse filme!

(4) Ladrões de Bicicleta (1948) - após Ladrões de Bicicleta, de Vittorino de Sica, fiquei com a certeza de que vi um dos mais belos filmes da minha vida. O filme italiano é uma verdadeira aula de cinema, de um cinema engajado, mas que não perde a ternura. De Sica consegue expor com um realismo dramático a vida do humilde trabalhador Antonio Ricci, um sujeito crédulo e simples, que vive em um subúrbio com a sua mulher e o seu filho. Há um crise na cidade. Os trabalhos são escassos. São anos difíceis em uma Itália esfacelada por conta dos resultados da Segunda Grande Guerra. Ricci consegue um emprego após muito sacrifício. Anima-se. Todavia, para tornar esse emprego efetivo precisa de uma bicicleta. Sua esposa bastante ciosa consegue arranjar o necessário para a bicicleta. A noite anterior ao primeiro dia de labor fora de risos, de contentamento familiar, pois o emprego daria a dignidade, a possibilidade da manutenção do projetos da família. Poderiam comer. E lá se vai Antonio Ricci bastante feliz para o seu primeiro dia de trabalho.  A atividade se resumia a colar cartazes pela cidade. Acontece, porém, que, no primeiro dia, Ricci tem a sua bicicleta furtada. E a partir daí que começa o seu calvário pelas ruas da cidade em busca da bicicleta. Há um misto de beleza e dor nessa incursão de Ricci. De Sica com essa película colocou-se como um dos grandes diretores de todos os tempos. O que conta mesmo no filme é o drama existencial vivido pela personagem. Ou seja, como reage a alma do sujeito que não consegue trabalhar na sociedade capitalista, vivendo em uma sociedade miserável em que os valores se tornam relativos e volúveis de acordo com a necessidade; como a ausência de dinheiro faz convalescer; como a sociedade capitalista trata aqueles que não conseguem consumir as mercadorias. O capital cria a desigualdade e, ao mesmo tempo, numa relação diretamente proporcional, afirma por meio dos valores criados pela sociedade de consumo, que aquele que não consome é anormal, não serve para ser incluído no jogo social. Belíssima obra!

segunda-feira, abril 09, 2012

Uma leitura sobre Marx

Capa do livro de Attali
Terminei a leitura do livro de Jascques Attali - Karl Marx: ou o espiríto do mundo. O título é bastante feliz para aquilo que Attali se propõe a debater e expor em sua obra. Marx é um dos nomes mais comentados e pleno de significações, radicalismos e achismos peremptórios. Aqueles que o refutam, acham que sua teoria é uma contradição, um mal, razão de desmazelos, ditaduras trágicas e a opressão de uma classe privilegiada sobre uma maioria padecente. Associam à pessoa de Karl Marx, figuras como Béria, Stálin, Pol Pot ou Ramón Mercader, o assassino de Trotsky. Ou, ainda, ambiguidades sistemáticas, contradições cômicas ou trágicas.

Já aqueles que o defendem, agarram-se a uma militância deificadora; numa espécie de entedimento quase que messiânico sob a figura do filósofo de Trier. Essa dicotomia apenas serve para dimensionar a importância desse que, de fato, é responsável pelo "espiríto do mundo". 

Marx e Engels
Umas das reflexões aludidas por Attali é sobre as várias interpretações que foram dadas à pessoa do escritor de O Capital. Como acontece aos grandes homens respresantivos, Marx é uma das figuras que mais passaram por adaptações caricaturescas. Attali afirma que até mesmo Engels foi responsável por uma "vulgarização" da pessoa de Marx. Outros nomes vieram em seguida, encetando este trabalho de adaptação do espiríto da teoria de Marx: Kautsky, Bernstein, Lênin, Stálin etc.

Curiosa é a citação que Attali faz sobre um espisódio, uma declaração de M. B. Mitin sobre Stálin: "Stálin desenvolveu mais, elevou a um nível mais alto o ensinamento do materialismo dialético e histórico. Ele se alinha com os trabalhos dos clássicos do marxismo-leninismo como O Capital de Marx, o Anti-Dühring de Engels e Materialismo e empirio-materialismo dialético e histórico de maneira extremamente compacta. O camarada Stálin procedeu nesse trabalho a uma generalização das constribuições de Marx, Emgels e Lênin sobre o ensinamento do método dialético e da teoria materialista. [...] Jospeh Vissarionovitch Stalin, continuador do imortal trabalho de Marx e Emgels, amigo e companheiro de Vladimir Ilitch Lênin e continuador dos seus trabalhos geniais, é o pensador de nossa época moderna, um tesouro da ciência marxista-leninista" (sic.) [ATTALI, 2005, pp.410-11]. 
Joseph V. Stálin
Afora o aspecto propagandístico da afirmação de Mitin, o tom que se ressalta é de semelhança ao acontece na Igreja, Marx passou a ser uma entidade que precisa de determinadas pessoas supostamente iluminadas para interpretar e dar sentidos aos seus textos. Ou seja, muito daquilo que foi feito em nome de Marx, o próprio Marx não defendeu em seus escritos. Por exemplo, o conceito de ditadura do proletariado foi deturpado; chega-se ao comunismo pela via democrática ou pela revolução. A experiência soviética não deve ser entendida como o marxismo em sua vasão e clímax. 

Apontei aqui apenas um aspecto sobre o livro do Attali. A obra é boa. O estilo possui uma fluência gostosa. A leitura escorre fácil. Apropriamo-nos com bastante facilidade dos conceitos e eventos históricos mais importantes que envolveram o comunismo, o socialismo e as ideias de Marx nos últimos 170 anos.

Marx nunca esteve tão vivo. E a melhor forma de descobri-lo não é por intermédio dos seus epígonos - unicamente. É preciso ir à própria fonte e se abeberar das águas puras e doces do rio caudaloso que é esse filósofo - "o espírito do mundo".