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terça-feira, setembro 04, 2018

Algumas ideias de Paulo Honório, personagem central de São Bernardo

"Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão e que me deu qualidades tão ruínas".

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"Penso em Madalena com insistência. Se fosse possível recomeçarmos... Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me, é o que mais me aflige."

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"Hoje Não canto NEM rio. Se me Vejo ao Espelho, a dureza da boca ea dureza dos Olhos me descontentam."

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"Sou, pois, superior a mestre Caetano e a outros semelhantes. Considerando, porém, que os enfeites do meu espírito se reduzem a farrapos de conhecimentos apanhados sem escolha e mal cosidos, devo confessar que a superioridade que me envaidece é bem mesquinha."

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"O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro. Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada."

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"Quinze metros acima do solo, experimentamos a vaga sensação de ter crescido quinze metros. E quando, assim agigantados, vemos rebanhos numerosos a nossos pés, plantações estirando-se por terras largas, tudo nosso, e avistamos a fumaça que se eleva de casas nossas, onde vive gente que nos teme, respeita e talvez até nos ame, porque depende de nós, uma grande serenidade nos envolve. Sentimo-nos bons, sentimo-nos fortes. E se há ali perto inimigos morrendo, sejam embora inimigos de pouca monta que um moleque devasta a cacete, a convicção que temos da nossa fortaleza torna-se estável e aumenta. Diante disto, uma boneca traçando linhas invisíveis num papel apenas visível merece pequena consideração. Desci, pois, as escadas em paz com Deus e com os homens"

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"Muitas vezes por falta de um grito se perde uma boiada."

sábado, março 28, 2015

O cinema em fevereiro

Othon Bastos, no papel de Paulo Honório
O mês de fevereiro não me proporcionou a diligência necessária para ver filmes. Foi o mês em que tive de voltar ao trabalho. E o excesso de reuniões noturnas, a adaptação forçada à sala de aula após mais de um mês de férias, fez minguar "a audiência" desejável. 

Ao todo foram apenas cinco filmes. Posso classificar como um período excessivamente mirrado. Desde o mês de junho do ano passado, quando assisti a apenas um filme (Os últimos passos de um homem - 1995), que eu não via uma quantidade tão ínfima. Dos cinco filmes, o destaque fica com São Bernardo, baseado no livro homônimo de Graciliano, filme de 1972; e Nove Rainhas, mais um filme argentino com o onipresente Roberto Darín, que tem sido bastante comentado por aqui nos últimos meses. Os outros três são colocados num subgrupo. São eles: Santo Agostinho - o declínio do Império Romano (2010), Coração Valente (1995) e Oblivion (2013).

São Bernardo é daquelas obras que exigem mais de uma leitura - pelo menos uma a cada ano. É um trabalho cujo nível de análise de uma personagem chega a alturas adstringentes, de laceralidade psicológica, de secura de exame que nos coloca diante de um dilema: Paulo Honório é um herói ou um homem mal, rústico, bárbaro, desumanizado? Graciliano Ramos narra a história de um sujeito amargo, de vontade indômita, que subjuga os seus semelhantes como subjuga a terra. Paulo Honório conta a a história. Já nas primeiras páginas do livro, notamos a querela em torno da redação de um romance. Mas é depois que sua esposa Madalena se mata, que Paulo Honório inicia o seu calvário existencial. É um sujeito que busca se compreender, se medir. Afinal, como diz Eduardo Coutinho: "...a ambição de poder acaba por consumi-lo: ser e ter, define-lhe a visão de mundo".

Acima, ative-me de forma sucinta e superficial aos aspectos mais gerais dessa obra, uma das maiores da nossa literatura. O que é fantástico é que o ícone do Cinema Novo Leon Hirszman, que mais tarde faria aquele que é um dos grandes filmes do cinema brasileiro - Eles não usam black-tie (1981), conseguiu fazer uma das adaptações mais felizes que conheço. Othon Bastos conseguiu fazer viver esse que é um dos mais complexos personagens da literatura brasileira.

O outro filme que destaco é Nove Rainhas, que tem como diretor Fabían Bielinsky e é protagonizado pelo incansável Ricardo Darín e Gaston Pauls. Trata-se da história de dois picaretas que vivem a tirar vantagens de situações pequenas, até que surge a oportunidade de se darem bem. Eles conseguem uma série de selos ingleses raros conhecidos como Nove Rainhas e, a partir daí, terão que negociar com um empresário. Mas o que é surpreende no filme é o desfecho inesperado que deixa o telespectador boquiaberto, com ar embasbacado e a dizer: "Meu Deus, o que aconteceu?!" A partir desse evento, um sorriso bobo espraia-se no canto da boca, enquanto percebemos a ficha técnica do filme subindo. Foi assim que me senti ao ver essa produção argentina bem urdida.

Os três filmes que restaram ficam em um degrau abaixo, como enunciei acima. Coração Valente, uma obra cuja duração tem quase três horas, vi quando ainda era adolescente. Isso lá pelos idos de 1996 ou 1997. Voltei a ver a obra movido por uma curiosidade analítica, que busca reviver antigos otimismos que se fecundaram em tempos passados. O filme é plasticamente bem elaborado. Mel Gibson, que é diretor e protagonista (vive o papel do caudilho libertador William Wallace), conseguiu jungir drama épico, belezas naturais, fortes emoções e um mote invencível, a busca pela liberdade. Se não estou equivocado, Coração Valente ganhou o Oscar de melhor filme do ano de 1995. É uma drama épico grandioso. Podemos notar nesse tipo de filme dois aspectos: (1) quando o herói consegue cumprir a sua missão, realizando aquilo que é esperado dele, essa previsibilidade nos leva a um desenlace daqueles: "e eles viveram felizes para sempre", o que é tão típico em filmes hollywoodianos; (2) mas quando o herói morre, como é caso de Coração Valente, resta fazer desse evento algo grandioso, capaz de gerar emoções ou inocular no telespectador uma impressão de que ele era grande, enorme; que o herói mesmo morrendo é imortal. Mel Gibson conseguiu isso com a obra.

Já em Santo Agostinho - o declínio do império romano, o otimismo foi baldado pela qualidade ruim do filme. Agostinho foi o filósofo relevante para a história da Igreja e para ampliar o debate sobre temas metafísicos. Sua conversão à fé cristã mudou a sua forma de compreender o homem, a história e o tempo universal. O filme buscou retratar a sua vida pública como exímio orador a serviço do estado romano e a sua conversão como esforço incontido de sua mãe, Mônica, e a influência do bispo Ambrósio. Agostinho foi um sujeito importante para a minha caminhada. Li As confissões, o relato apaixonado de sua vida até a conversão, em 2005. Fiquei com uma impressão profunda do livro. Agostinho fala do seu Deus como alguém que está apaixonado, que vive a desmedida necessidade de respirar, sorver cada porção de ar como se fosse o último de sua existência. Recentemente, ouvi o filósofo Clóvis de Barros Filho, da USP, falar que As confissões é um livro suspeito. Para ele, trata-se de uma propaganda de Agostinho, uma forma de alcançar notoriedade. Agostinho era um sujeito que manejava bem as palavras, que sabia imprimir efeitos no interlocutor e o seu livro buscava essa finalidade.

Já o quinto filme, Oblivion, estrelado por Tom Cruise, não exige muita reflexão. Vi-o numa sexta-feira à noite, momento em que estamos desguarnecidos de qualquer coragem; e acabamos por sucumbir ante o programa fácil, kitsch; ante à estética de Hollywood. O ponto alto do filme é a canção Ramble On, do Led Zepellin - do Zep II - que há muito eu não escutara e, a partir dali - passou a ser o tema do alarme do celular, que me acorda durante a semana às cinco e meia da manhã a fim de que eu esteja na sala de aula às sete e meia da manhã.

sábado, outubro 27, 2012

Graciliano Ramos - 120 anos de literatura

Hoje, o Brasil comemora o nascimento de um dos seus filhos mais ilustres, Graciliano Ramos, o célebre escritor alagoano. O velho Graça (como era conhecido pelos mais íntimos) nasceu em 27 de outubro de 1892, no munícipio de Quebrangulo. Não é minha intenção falar da vida desse escritor fantástico que abriu as portas do mundo da literatura para mim. Quero apenas externalizar a minha devoção ao texto de Graciliano Ramos. 

No final do Ensino Médio, eu estava estudando o Modernismo Brasileiro. Entrei em contato com trechos de livros do escritor alagoano. Li trechos de São Bernardo e de Vidas Secas, principalmente. Acabei seduzido por aquela linguagem econômica, mas profundamente precisa; cortante como uma navalha. Fui à biblioteca da escola. E lá acabei me deparando com os livros as quais eu conhecia somente algumas passagens. Iniciei a leitura de Vidas Secas. Achei aquilo sério demais. Graciliano era capaz de universalizar os dramas humanos. Havia ali mais do que simplesmente um relato regional. Um mundo polifônico estava contido naquela obra. A caminhada cega da  família de retirantes que se arrasta por uma paisagem que acaba se alastrando no interior de cada personagem me impressionou. Depois de algumas leituras acabei percebendo que o mundo interior das personagens é resultado de uma transformação da consciência, como diria Marx em sua A Ideologia Alemã. A consciência do mundo se inseriu na consciência das personagens, Graciliano não queria apenas falar de seca, de privação. Ele queria fazer psicologia com a alma humana.


Os personagens de Vidas Secas são privados da palavra - e a palavra para o escritor possuía uma importância capital. Encontramos em outros textos escritos por ele uma espécie de explicação para o seu ofício. Na crônica "As lavadeiras", ele firma algo emblemático. Diz ele que 'a palavra foi feita para dizer e não deveria brilhar como um ouro falso'. Em seu extraordinário Infância, que conheci mais tarde, encontramos a seguinte afirmação: "Na escuridão percebi o valor enorme das palavras". É por causa dessa preocupação exarcebada com a palavra, que percebemos os seus livros como mosaicos. Não há execessos. Apenas o exato. Uma peça fora da estrutura derruba o restante do todo.

E é justamente munido dessa preocupação, que o velho Graça constrói aquele que um dos maiores romances já escritos em toda a história da tradição literária brasileira. A palavra que era a sua preocupação, torna-se um enigma para as personagens. Cena curiosa é aquela em que a família vai a uma festa de natal e os meninos ficam impressionados com a quantidade de coisas que havia ali. Ficaram bestificados, tentando entender se era possível todas as aquelas coisas terem nomes para que as pessoas dominassem. Como era possível a um ser humano dominar tantos nomes? O mutismo ou a realidade da não-palavra das personagens é um dos elementos mais impressionantes do livro. A palavra que é a porta de entrada para o mundo humano é negada aos personagens. Se as personagens são privadas da palavra, não é necessário  dizer que  elas são privadas de serem, de se comunicarem, de se projetarem; de se afirmarem enquanto sujeitos históricos; são privadas da possibilidade de enfrentar o mundo, de se humanizarem; de reivindicarem direitos perante o Estado (personificado pelo "Soldado Amarelo" que era, no fundo, alguém espoliado de direitos e que se ancorava apenas na farda que dava-lhe uma consciência de poder). 

Mais tarde li São Bernardo e aquilo me deixou com a impressão de que se tratava de uma obra filósofica sobre a natureza humana - novamente, Graciliano universaliza o regional. Os livros de José Lins do Régo ou Jorge Amado também trazem um regionalismo. Uma narrativa memorialística. Eivada de realismo. Mas o que difere Graciliano Ramos desses dois escritores é que ele trabalha perspectivas que amplificam valores por intermédio das personagens. Paulo Honório é uma figura que me fez pensar no quanto a natureza humana pode ser desmantelada pelo poder. Nele notamos a vontade-de-poder nietzscheana, mas que acaba por induzi-lo ao niilismo completo. O desejo fáustico de ser grande, de conquistar o mundo o transforma em monstro. Tudo ele transforma em algo a ser conquistado. Até mesmo Madalena, que acaba se suicidando. Paulo Honório acaba solitário. Com a alma dilacerada. E o último capítulo de São Bernardo é uma das coisas mais lindas que já li em minha vida. Paulo Honório enxerga dentro de si, por meio de uma reflexão amarga, os monstros do orgulho e da ganância. Ele pensa sobre si mesmo: "... a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste". 

Mais tarde, eu li Memórias do Cárcere. E o turbilhão do testemunho de Graciliano Ramos produziu mais efeitos impressionantes. Vale mencionar que em Graciliano não notamos a criação da fantasia. O autor de Vidas Secas não criava mundos como um Machado de Assis, por exemplo. Sua literatura é resultado da observação. Desde Caetés, um retrato da vida provinciana, até Viagens, que é o seu testemunho sobre impressões colhidas no leste europeu, percebemos essa característica. Quando lemos, por exemplo, os seus relatórios administrativos da prefeitura de Palmeira dos Índios ao governador do estado de Alagoas, notamos que existe em Graciliano uma vocação - a de ter uma capacidade crítica para refletir sobre a realidade em que está inserido. Portanto, é assim que notamos o quanto as Memórias do Cárcere se constituem em um relatório feroz. O modo a qual Graciliano descreve a arbitrariedade de uma força invisível e que avilta, torna os seres humanos em pulgas e ratos. A condição humana, mais uma vez, é diminuída a níveis opressivos. Os presos políticos vivem a humilhão física, da dignidade humana, uma espécie de submissão moral. 

Li os outros livros de Graciliano Ramos (Angústia, Insônia, Infância, Linhas Tortas, Caetés etc) e acabei assimilando uma admiração ímpar pelo homem e pela sua obra. Há alguns meses atrás, li o livro Graciliano - Retrato Fragmentado, escrito pelo seu filho Ricardo Ramos. Pude perceber um pouco da intimidade narrada por Ricardo. Graciliano Ramos era alguém de disciplinado e com forte pendor político. Era um de poucas palavras e sempre dizia o que pensava. Ricardo escreve algumas experiências que aumentam-lhe a mítica de alguém que possuía um largo anedotário. Como este abaixo:

"E no cinquentenário do Correio da Manhã, comemorado com larga programação, transformado em feriado, meu pai ficou em casa de pijama, para no outro dia chegar ao jornal e ouvir de Paulo:
- Graciliano, você me fez uma!
- Quê?
- Não foi à missa.
- Eu sou lá homem de missa?
- Não foi ao banquete.
- Eu não sabia.
- Seu lugar ficou vazio, ao meu lado.
- Bem feito. Eu não me sento ao lado de patrão.
- Mas eu sou um patrão diferente.
- Você que pensa. Todo patrão é filho da puta
Paulo Bittencourt de uma gargalhada. Papai também. Depois, muito provavelmente, foram beber".

O fato é que Graciliano continua sendo para mim a mesma paixão de quando conheci. Sua obra será sempre atual, porque narra questões próprias do ser humano - a dor humana, a incompreensão a determinados fenômenos e a incapacidade de mudar os fatos do mundo exterior, que parecem determinados por uma força coercitiva e invisível. Graciliano transfigura o mundo com a palavra. Ele é um analista contumaz. Existe em seus textos um lirismo que não é música, mas voz calada, represada, uma angústia de seres que não são; um não dinamismo que dissolve o mundo agitado e fixa, estabilizando a realidade, como se fosse um quadro no qual cada detalhe é um mosaico constitutivo e significativo.

Esta semana comprei uma biografia do escritor, escrita por Dênis de Moraes ("O Velho Graça"). Comprei na Livraria Cultura e estou esperando, com certa ansiedade. Quero lê-la no feriado. 

Obrigado, mestre Graça! Você é uma inspiração!

terça-feira, maio 01, 2012

Graciliano Ramos e o "valor enorme das palavras"



Graciliano Ramos é um mundo vasto, mas medido pelas palavras. Da afirmação encontrada em Infância, autobiografia mesclada com elementos fictícios, de que o autor percebeu "o valor enorme das palavras", resta uma explicação para a sua obra tão ajustada, tão arrojada, como aquelas prensas utilizadas pelos nordestinos para tirar o veneno da mandioca e preparar farinha. Graça, como era conhecido pelos mais íntimos, coseu cada vócabulo como estivesse produzindo um tecido raro, medido, para o baile perfeito da literatura. Cada palavra é um tijolo de sustenção, capaz de estruturar magicamente cada um dos seus livros. Se uma palavra for extraída dessa grande estrutura, todo o restante vem abaixo. Nada se torna prescindível. Tudo está lá, posto. A argamassa de Graciliano é a literatura.

Descobri Graciliano Ramos quando estava no final do ensino médio. Ainda lembro do primeiro livro que li: São Bernardo, para mim, a sua obra mais visceral. A introspecção-reflexão de Paulo Honório no último capítulo, não perde para nenhum autor de qualquer lugar do mundo. Aquilo é de fazer chorar. Logo em seguida veio Vidas Secas, o popular tornado em elegante e erudito; e, Memórias do Cárcere, livro que me abriu olhos, deixou-me com uma impressão de que precisava daquele mundo. Em Memórias do Cárcere, percebi o peso de cada uma das palavras. Se em Vidas Secas e São Bernardo houve a preocupação com o sentido da leveza de cada uma das palavras que, juntas, constroem o peso de uma literatura capaz de aturdir, em Memórias do Cárcere a crueza e o ceticismo-realista úmido de cada palavra, lança-nos num mundo de injustiças, caos e na bárbarie dos bichos acossados pela insânia do governo getulista. Em logo em seguida, ainda no ensino médio, li Angústia. O romance me fisgou por completo. O retrato do mofino Luis da Silva dá a Graciliano, o epíteto de "dostoiévski do sertão". Crime e Castigo à brasileira.

A despeito de não ter lido apenas Viagem, conheço o restante das obras do escritor alagoano. Graciliano é uma paixão. Na minha humilde concepção, um dos maiores escritores do século XX aqui no Brasil. Citaria ainda Clarice Lispector e Guimarães Rosa para formular a tríade perfeita da literatura brasileira. O homem do sertão e de alma com impressões agrestes; de fala parca; de gestos sóbrios. Ateu. Indiferente à música. Fumante inveterado marcou a literatura. O filho biógrafo Ricardo Ramos uso o termo "rompante" para descrever esse fenômeno. Ou "diapsão alagoano". O filho privilegiado, que conviveu com o escritor durante pouco mais de vinte anos, afirma que viu o pai chorar apenas em dois episódios: (1) quando do suicídio do filho Márcio; e (2) e a outra foi na ocasião da morte de Stálin, no ano de 1953. 

Este ano, o mundo comemora 120 anos dos nascimento de Graciliano Ramos. Um dos escritores brasileiros mais respeitados do mundo.

Depois comentarei o livro Graciliano - Retrato Fragmentado, de Ricardo Ramos, que chegou à sua nova edição.