quarta-feira, agosto 31, 2016

Um golpe nos sempre golpeados...

O Brasil se tornou uma país menor no dia de hoje. 31 de agosto será um dia para ser lembrado pelos próximos anos. Não serão lembranças boas, positivas. Quando olharmos para trás, sentiremos um profundo asco do quanto somos tolos e mentecaptos. Talvez daqui a cem anos os estudiosos, escrevam nos livros: "E, assim, aconteceu, mais uma vez, um golpe das aristocracias caducas no povo brasileiro".

O Brasil é um país de rupturas institucionais. Mas é importante entender que essas rupturas não são construídas em benefício do povo. As rupturas se constituem em um modo de operação de nossas elites, que desde que este país existe, estão entranhadas no Estado em um parasitismo impiedoso. A coisa pública nunca foi pública neste país. As aristocracias sempre usurparam o fundo público, resultado do trabalho dos brasileiros, não prestando contas a esses mesmos trabalhadores. É importante salientar que a República foi fundada com um golpe. As aristocracias não se sentindo mais satisfeitas com o Imperador Pedro II, entenderam que era necessário iniciar um outro processo sem que houvesse qualquer participação popular. O povo sempre foi alijado dos processos. Nunca teve oportunidade de ser chamado para participar das grandes decisões capazes de modificar a vida social. Até mesmo as passeatas que acontecem são resultado da manipulação midiática a favor das elites. Mas, quando o povo se insurge contra as injustiças é duramente reprimido.

A não participação popular nos momentos políticos críticos é um termômetro da alienação do povo a respeito de temas políticos. Escuto professores afirmando que "político é tudo igual, político não presta", uma das argumentações mais pobres e infantis que se possam construir e que está na boca de milhões de brasileiros.  Já escutei muitos colegas de profissão afirmando essa frase perigosa e que levita no lugar comum. Uma profunda, imensa piedade a esses sujeitos que não entendem o que uma ruptura democrática representa para um país, sobretudo um país como o nosso. 

Fico pensando nas crianças, nos jovens, nas mulheres, nos negros, nos velhos, índios, gays, quilombolas que são as principais vítimas imediatas das políticas criminosas que virão pela frente. Compadeço-me daquelas pessoas que ainda não entenderam a gravidade do que aconteceu hoje no Brasil. A sanha golpista afugentou o otimismo. 61 canalhas acumpliciados contra o povo, julgaram uma presidenta inocente e rasgaram os preceitos mais elementares do Estado de Democrático de Direito. 

Diante de um momento tão sério, resta-nos apenas uma decisão: a politização radical, o estudo, a leitura, a resistência contra o fascismo e suas derivações; a serenidade para reconhecer que somos um país em que as instituições são frágeis; que a sua classe média é cega, obtusa e alienada; um país que não se leva a sério; que possui uma aristocracia subalterna ao grande capital, pária, repleta de chefetes do grande imperialismo, lacaios e serviçais, capazes de massacrar os pobres, a gente comum, para terem os seus interesses atendidos. 

Como diz Darcy Ribeiro em O povo brasileiro, numa afirmação profética de grande pensador:

"Não é impensável que a reordenação social se faça sem convulsão social, por via de um reformismo democrático. Mas ela é muitíssimo improvável neste país em que uns poucos milhares de grandes proprietários podem açambarcar a maior parte de seu território, compelindo milhões de trabalhadores a se urbanizarem para viver a vida famélica das favelas, por força da manutenção de umas velhas leis. Cada vez que um político nacionalista ou populista se encaminha para a revisão da institucionalidade, as classes dominantes apelam para a repressão e a força".

Mais uma vez, isso ficou provado no dia de hoje. Triste. 

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