sexta-feira, maio 25, 2018

Uma resposta


Escrevi isso em um grupo de WhatsApp:

Markim, a Petrobrás é uma sociedade de economia mista. O que isso significa? Que é uma empresa de capital bipartido. Ou seja, você pode comprar ações da Petrobrás; qualquer pessoa pode se tornar um acionista. Todavia, o governo é o acionista majoritário. É diferente, por exemplo, de uma Caixa Econômica que possui capital 100% público. A política adotada nos anos do PT, desatrelava a Petrobrás da flutuação do dólar. O governo ditava as regras do jogo. Com isso, a Petrobrás não tinha os lucros que os acionistas exigiam. Era uma forma de o governo segurar os preços do mercado interno. 

Só que existe um problema: isso é uma ofensa para os adeptos do neoliberalismo. O estado, segundo eles, não deve interferir na economia. Uma empresa do porte da Petrobrás, com o potencial que possui, não pode ficar refém das decisões governamentais. Esquecem os pulhas - ou pelo menos não consideram por má-fé - o artigo 173 da CF: "Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei". A empresa é pública, logo ela possui uma relevante função social. Se você for se inteirar sobre o que o governo Temer está fazendo a Petrobrás, gera uma profunda indignação. 

O governo está vendendo refinarias e as empresas satélites da Petrobrás. Adivinha quem compra? As gigantes europeias ou estadunidenses. Peguemos, por exemplo, a Statoil, uma petroleira estatal norueguesa. Jamais que o governo norueguês permitirá que seja feito com a Statoil o que o governo brasileiro faz com a Petrobrás. A Statoil comprou parte dos campos do pré-sal. Por que esse interesse? Porque para se fazer um país forte como a Noruega, as estatais são essenciais. Estado norueguês regula boa parte da sua economia. Aqui, queremos colocar em prática modelos que faliram a Grécia, a Islândia e tudo mais.  Boa parte dos prejuízos da Petrobrás são resultado da desconfiança dos investidores por causa da devassa irresponsável da Operação Lava Jato, e não do modelo anteriormente aplicado nos governos petistas.

 A Petrobrás é a maior empresa pública do país. Foi criada por Getúlio Vargas para ter uma função estratégica na economia, hoje ela está sendo fatiada; preocupa-se em ser apenas mais uma empresa para satisfazer a lascívia dos neoliberaloides. Outra: o brasileiro no geral não sabe das coisas. Alimenta-se diariamente do que a mídia corporativa com suas informações viciadas noticia. 44% dos brasileiros não leem; a leitura dos brasileiros, quando realizada, oscila da autoajuda aos temas pouco problematizadores. O brasileiro faz piada com tudo e pouco politiza qualquer debate. Entende que política é um tema desnecessário. Afinal, foi vendida a ideia de que político não presta e herdamos de Sérgio Buarque de Holanda e Raimundo Faoro, como diz Jessé de Souza, que tudo que se refere ao estado é ruim. Quando o brasileiro toma partido, aproxima-se dos extremos, dos radicalismos, vide os defensores do Bolsonaro. É claro que num cenário desses, o senso-comum vai prevalecer.

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