O presente texto é um inspiração sentida a partir de O sentimento do mundo de Carlos Drummond de Andrade. Li, senti, escrevi!
Tenho apenas duas mãos
E as dores caladas do mundo.
Um corpo magérrimo
Crivado pela insolvência
Do mundo.
No meu interior, a alma
Transige na confluência
Labiríntica do amor que já não é.
Quando me erguer de minha prostração
O céu não mais estará azul.
Haverá um missal de cantos
Fúnebres seguindo em grande préstito.
Ao me erguer estarei morto,
O meu desejo e o meu sonho, também.
Os meus companheiros não me disseram
Que havia uma grande guerra,
Que era necessário trazer mantimentos,
Matéria, um alforje de precauções.
Em minha alma transita a dispersão,
Anterior às fronteiras.
Perdoeis as minhas prevaricações.
Quando a turba passar eu ficarei
A recordar os corpos, os sorrisos,
E as mãos grossas no trabalho inculto.
Tudo isso crescerá com o amanhecer.
O amanhecer será mais noite
Que todas as noites do sentimento do mundo.
Por Carlos Antônio Maximino de Albuquerque
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