sexta-feira, outubro 24, 2014

Sobre a cartada desesperada da Veja

Uma tentativa de golpe político como o aplicado pela revista Veja demonstra o perfil de nossas elites e a conivência criminosa dos seus apoiadores ocultos. Durante o período a partir da República (1889), o país nunca ficou mais de 30 sem que houvesse um golpe ou uma mudança política realizada por intermédio do jogo de cartas das velhas oligarquias. O último intento da Veja é a tentativa desenfreada e desesperada de confundir milhões de brasileiros. Isso tem acontecido com uma regularidade científica. Já daria para formular uma lei com todos os elementos do processo científico - ou seja, período das eleições, o PT está na frente. O candidato da Veja está atrás numericamente nas pesquisas, então, a consequência: arma-se ou se constrói uma reportagem supostamente bombástica para tentar reverter o cenário. Somente uma pessoa desguarnecida de inteligência e discernimento não consegue perceber o quanto essas notícias possuem fins eleitorais. 

Em um segundo turno que parecia que não haveria reversão para a candidata do PT. Os debates se iniciam e o povo percebe que a candidatura de Dilma está assentada em dados sólidos, de mudanças reais, como afirma o jornal espanhol El País. De repente, há uma mudança no jogo. Dilma avança, abre uma vantagem considerável em relação ao candidato do PSDB. E no dia em que ela chega a abrir 6 pontos, segundo o Datafolha e, 8, segundo o Ibope, a Veja solta o factoide, como se fosse uma dinamite criminosa que não poupa nem respeita o direito do povo brasileiro de escolher. Isso apenas atesta a minha tese de que com uma imprensa como essa que temos, retrocedemos aos piores dias da história. A Veja e seus associados, que não se manifestam, mas que aplaudem essa iniciativa, prestam um desserviço ao povo brasileiro. Aniquila a inteligência de muita gente. Amarre a ponta dos fatos e você perceberá como os perdedores somos nós, os trabalhadores. 

Essa "narrativa absurda" da Revista, faz-me lembrar o livro "O Processo", de Franz Kafka. No livro, K., personagem central, dorme e acorda pela manhã em uma cela. Ele não sabe o que acontece com ele. A única coisa que ele fica sabendo é que há um processo, uma acusação sem rosto, sem matéria, sem substância, contra a sua pessoa. Apenas uma acusação impessoal, vinda das entranhas da burocracia de um ente invisível. No livro, K. tenta descobrir quem fez aquilo com ele, mas acaba não descobrindo. O que fica é um absurdo de uma acusação que se mostra surreal, não fática, mas que domina e provoca estragos. Da mesma forma, desenha-se um contexto absurdo, quase onírico, pela Revista a 72 horas das eleições. Aqueles que são defensores do bom senso e da verdade; que lidam com a lógica e com o argumento coerentes, acabam ficando insatisfeitos e decepcionados com tão grande leviandade - meu caso!. Não se trata de jornalismo. Trata-se obviamente de golpe baixo. De vilania. De maucaratismo radical. De picaretagem estrutural. 


terça-feira, outubro 21, 2014

À guisa de um vídeo: os dois brasis e a justificativa de uma escolha política



Se boa parte dos jornalistas desse país tivessem a sua sobriedade, Bob Fernandes, talvez fossemos poupados de tanta ignorância, de tanto ódio de brasileiros contra brasileiros - e, sobretudo, de brasileiros que "têm", contra brasileiros que "nada têm". O que está em cena é aquilo que o velho Marx já nos advertiu há dois séculos: o jogo feroz de uma sociedade contraditória, onde de um lado estão trabalhadores alienados de sua condição humana e os donos de meios materiais de produção do outro lado. O Brasil é uma país que possui feridas que ainda sangram. Suas chagas estão abertas. Os negros, os índios, os nordestinos pobres, as mulheres, as mais variadas minorias ainda não contaram suas respectivas histórias. 

Somos um país de mentalidade machista e patriarcalista. Escravizamos e dizimamos índios; saquemos a fé, os costumes de centenas de povos e hegemonizamos a cultura do europeu. O que nos faz lembrar aquele poeminha do Oswald de Andrade: "Quando o português chegou/ Debaixo duma bruta chuva/ Vestiu o índio/ Que pena! /Fosse uma manhã de sol/ O índio tinha despido /O português". Durante a época da colônia, cerca de 60% do país era constituído por escravos ou descendentes destes. Sempre houve um Brasil do alto, virtual, das elites - que a nova classe média tenta imitar e visualiza pelas novelas da Globo e pela revista "Caras" - e um Brasil debaixo, onde está o povo com suas dores e mazelas. É esse povo que sofre, apanha, é vilipendiado pelo estado. Um estado que em mais de quinhentos anos de história sempre se mostrou feroz e parcial. Ele existe para servir a famílias e a grupos de oligarcas monopolistas, que encontram na mídia impressa e visual, seu escudo, seu "ventilador de ideologias". São desses veículos que são propagados os "ventos envenenados" que entorpecem o povo. Somado esse elemento à nossa história mal contada, temos aquilo que Marilena Chauí chama de "a mosca diante do prato de mel". Talvez isso justifique o meu voto em Dilma Rousseff em detrimento de Aécio Neves. Penso que Aécio representa um outro Brasil, que eu e boa parte dos brasileiros não conhecemos - o Brasil debaixo. Belíssimo vídeo!


domingo, outubro 19, 2014

Uma resposta à ignorância

O blog está abandonado ultimamente. Não é que me faltem ideias para novos textos magros - excessivamente magros. É que as coisas evoluem, passam, e eu acabo por postergar novas postagens. Nestes dias de eleições, tenho assistido a bastantes filmes e documentários, sempre voltados para uma temática mais política. Tal experiência tem sido positiva. Sem falar nos livros que tenho comprado. Há alguns dias atrás, vi uma afirmação medonhamente fascista plasmada com grande exultação pelo seu autor - como tantas que temos visto por brasileiros conservadores e cooptados pela mídia criminosa do nosso país. Aquilo encheu os meus olhos de sangue. Não pude deixar de dar uma resposta. É o texto que segue abaixo - claro, com algumas adaptações. Pretendo nos próximos dias tirar o blog da letargia, do silêncio

Em primeiro lugar, queria dizer que não tentei ser agressivo contra a sua pessoa, mas contra a ideia subjacente em sua fala. Que você é de direita dá para perceber pela objetividade da enunciação, completamente descontextualizada. É curioso notar que afirmar-se de direita no Brasil se tornou uma virtude. E mal sabem aqueles que supostamente se alegam como tal, que ser direita é afirmar está do outro lado da luta - é está do lado dos setores conservadores e atrasados da sociedade e, que a maioria das vezes, é contrário aos interesses dos debaixo. Quando leio os profetas, principalmente, Amós, Miquéias, Habacuque, Oséias, penso que esses homens não estavam na direita. Estavam na esquerda, lutando pela causa da viúva e do necessitado; enfrentado "as vacas de Basã", como disse Amós; lutando em favor dos desprezados pelas políticas mantenedoras do "status quo" das elites. 

Quando olho para Jesus, não penso que ele ficaria do lado da direita. Acredito que ele ficasse do lado dos oprimidos, dos enlutados, dos esfomeados, dos que não tinham emprego, das prostitutas, dos párias, dos estigmatizados, das minorias (Mt 9.10-13; 11.19;) ; daqueles que precisavam de uma palavra de transformação e esperança. A direita prega o preconceito, a desinformação, a não libertação. Acredito que o evangelho não seja da direita, mas o cristianismo dogmático que muitos defendem o seja. É, por isso, que o cristianismo prega a sua desimportância, por ser uma fé alienada, por não ser inserir nas lutas históricas. A suposta solidariedade pregada pelos cristãos é tacanha. Fica restrita ao ambiente eclesiástico. 

A igreja não olha para fora dos seus muros e, quando olha, vê apenas perdidos, desviados e pessoas que precisam ser "salvas". É por isso que vemos tanto obscurantismo e preconceito na igreja. Porque ela pensa na dicotomia "perdido" x "salvo". Esses são termos criados pelo dogma. O principal compromisso do evangelho é com a libertação do homem, com a sua dignidade. E eu penso que todo e qualquer processo que sirva para dá mais dignidade, esperança ao homem, é revolucionário. 

Uma segunda questão fica por conta do processo histórico do Nordeste. A região já foi um dos redutos econômicos mais viçosos do Brasil. Isso nos dois primeiros séculos de nossa história, quando do ciclo da cana-de-açúcar. Nesse momento da história, o Nordeste era farto. Os engenhos, que mantinham uma mão de obra escrava, enriqueciam a metrópole e geravam privilégios para a casa-grande. Após a derrocada do produto, por causa da intervenção dos holandeses, o comércio do açúcar definhou e a região amargou uma crise profunda. Com a descoberta do ouro na região Sudeste, o ciclo econômico muda-se para o centro sul. Vale ressaltar ainda que quando do ciclo do açúcar, os estados privilegiados pela produção eram Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Estados como Piauí e Maranhão estavam afastados. Não havia atividade econômica relevante nesses estados. O homem comum tinha que submeter aos favores de algum oligarca e vender a sua força de trabalho. É, por isso, por exemplo, que no Piauí, as famílias Gurguéia, Martins e, atualmente, a família Portella, são tão fortes; ou os Sarneys no Maranhão, que se instalaram com tanta força. São famílias que desde tempos imemoriais fazem parte da oligarquia política da região. 

Esse cenário se estabeleceu pelos séculos seguintes. O Nordeste sempre foi visto como uma região de migrantes,  uma região de pessoas que saem para procurar melhores condições em outras locais. Mas isso se deu por conta da decadência econômica da região.  Esse ciclo tem permanecido ao longo da história.  Se deu assim no início do século XX , por exemplo, com o ciclo da borracha na Região Norte. O estado do Acre possui uma população cearense grandiosa, justamente, por causa do grande fluxo migratório. Ao longo do século XX, a leva grossa de migração continuou a sua marcha. Dessa vez para o Sudeste. E, quando se deu a construção de Brasília, para a nova capital. Mas o problema da pobreza não foi resolvido, pois como dizia Euclides da Cunha: "O que separa o interior do Nordeste do seu litoral não são cem quilômetros. São cem anos". Observe que a pobreza do Nordeste é uma questão histórica. O desemprego sempre foi algo sério. Muito gente sai de lá por entender que, lá, as chances são pequenas e inexpressivas. Eu, como você, somos um exemplo disso! É, por isso, que os nordestinos apoiam o governo do PT, pois foi a partir das políticas sociais de Lula e Dilma que os homens e mulheres daquela região viram as coisas mudar. Portanto, falar que o Bolsa Família está gerando uma leva de "não trabalhadores" é incorrer numa falácia histórica. 

E terceiro lugar, as políticas sociais do governo melhoraram a vida de milhões de pessoas. Meus familiares que estão em Pernambuco, boa parte deles, recebe Bolsa Família. Mas, nem por isso, são não trabalhadores ou "vagabundos" como se quer fazer crer. O Bolsa Família é uma política contingente. O instrumento que regula a política é a manutenção do filho estudando.  Se o menino deixa de ir para a escola, o programa é cortado. Falo isso, pois minha mãe já recebeu Bolsa Família. Meu pai havia morrido. Ficamos eu e mais dois irmãos e a minha mãe numa situação difícil. Naquela ocasião, meu irmão mais novo estava no ensino fundamental e não podia faltar a escola. E minha família era contemplada com R$ 70,00 que ajudava a engrossar o salário mínimo que minha mãe ganhava. O dinheiro ajudava bastante. Tínhamos que pagar aluguel, comprar comida e tudo aquilo que fosse necessário. Hoje, minha mãe não ganha mais o Bolsa Família – e continua a trabalhar como sempre fez. Muitas famílias passaram a comer mais depois do Bolsa Família. Quem disse isso foi a ONU. Pela primeira vez em 500 quinhentos anos, o Brasil não está mais no mapa mundial da fome. Penso que isso fosse motivo para a igreja ficar feliz. Claro, uma igreja coerente e comprometida com o necessitado. A fome não precisa de palavras soltas, vazias de conteúdos, precisa de substância material. Agostinho disse certa vez que toda verdade é verdade de Deus. Parafraseando Agostinho, podemos dizer que toda ação de solidariedade que venha trazer bem-estar, dignidade, é uma ação afirmativa em favor daquilo que prega o coração do evangelho. 

Em quatro lugar, termino com uma pergunta: onde estaríamos se tivéssemos continuado - você no Piauí e, eu, no Pernambuco? Não quis ser deseducado com você. Nunca mais tive oportunidade de conversar com você. Seria interessante fazê-lo. Um abraço!

terça-feira, outubro 07, 2014

O fascismo ronda o Brasil em 2014 – por Frei Betto


Este texto resume as intuições que me habitam nestas últimas semanas ao perceber as manifestações misóginas, homofóbicas, higienistas, racistas, criminosas, nazi-fascistas, burras, preconceituosas, etc, de setores da igreja e de boa parte da população brasileira sobre o resultado das eleições, indicando claramente que não acertamos conta com o nosso passado. Havia pensado em escrever algo nesse sentido, mas Frei Betto se antecipou a mim (risos!). Boa leitura!



Jean-Marie le Pen, líder da direita francesa, sugeriu deter o surto demográfico na África e estancar o fluxo migratório de africanos rumo à Europa enviando, àquele sofrido continente, “o senhor Ebola”, uma referência diabólica ao vírus mais perigoso que a humanidade conhece. Le Pen fez um convite ao extermínio.

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy propôs a suspensão do Tratado de Schengen, que defende a livre circulação de pessoas entre trinta países europeus. Já a livre circulação do capital não encontra barreiras no mundo… E nas eleições de 25 de maio a extrema-direita europeia aumentou o número de seus representantes no Parlamento Europeu.

A queda do Muro de Berlim soterrou as utopias libertárias. A esquerda europeia foi cooptada pelo neoliberalismo e, hoje, frente a crise que abate o Velho Mundo, não há nenhuma força política significativa capaz de apresentar uma saída ao capitalismo.
Aqui no Brasil nenhum partido considerado progressista aponta, hoje, um futuro alternativo a esse sistema que só aprofunda, neste pequeno planeta onde nos é dado desfrutar do milagre da vida, a desigualdade social e a exclusão.

Caminha-se de novo para o fascismo? Luis Britto García, escritor venezuelano, frisa que uma das características marcantes do fascismo é a estreita cumplicidade entre o grande capital e o Estado. Este só deve intervir na economia, como apregoava Margareth Thatcher, quando se trata de favorecer os mais ricos. Aliás, como fazem Obama e o FMI desde 2008, ao se desencadear a crise financeira que condena ao desemprego, atualmente, 26 milhões de europeus, a maioria jovens.

O fascismo nega a luta de classes, mas atua como braço armado da elite. Prova disso foi o golpe militar de 1964 no Brasil. Sua tática consiste em aterrorizar a classe média e induzi-la a trocar a liberdade pela segurança, ansiosa por um “messias” (um exército, um Hitler, um ditador) capaz de salvá-la da ameaça.
 
A classe média adora curtir a ilusão de que é candidata a integrar a elite embora, por enquanto, viaje na classe executiva. Porém, acredita que, em breve, passará à primeira classe… E repudia a possibilidade de viajar na classe econômica.
 
Por isso, ela se sente sumamente incomodada ao ver os aeroportos repletos de pessoas das classes C e D, como ocorre hoje no Brasil, e não suporta esbarrar com o pessoal da periferia nos nobres corredores dos shopping-centers. Enfim, odeia se olhar no espelho…
 
O fascismo é racista. Hitler odiava judeus, comunistas e homossexuais, e defendia a superioridade da “raça ariana”. Mussolini massacrou líbios e abissínios (etíopes), e planejou sacrificar meio milhão de eslavos “bárbaros e inferiores” em favor de cinquenta mil italianos “superiores”…
 
O fascismo se apresenta como progressista. Mussolini, que chegou a trabalhar com Gramsci, se dizia socialista, e o partido de Hitler se chamava Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista (de Nationalsozialist).
 
Os fascistas se apropriam de símbolos libertários, como a cruz gamada que, no Oriente, representa a vida e a boa fortuna. No Brasil, militares e adeptos da quartelada de 1964 a denominavam “Revolução”.
 
O fascismo é religioso. Mussolini teve suas tropas abençoadas pelo papa quando enviadas à Segunda Guerra. Pio XII nunca denunciou os crimes de Hitler. Franco, na Espanha, e Pinochet, no Chile, mereceram bênçãos especiais da Igreja Católica.
 
O fascismo é misógino. O líder fascista jamais aparece ao lado de sua mulher. Como dizia Hitler, às mulheres fica reservado a tríade Kirche, Kuche e Kinder (igreja, cozinha e criança).
O fascismo é anti-intelectual. Odeia a cultura. “Quando ouço falar de cultura, saco a pistola”, dizia Goering, braço direito de Hitler. Quase todas as vanguardas culturais do século XX foram progressistas: expressionismo, dadaísmo, surrealismo, construtivismo, cubismo, existencialismo. Os fascistas as consideravam “arte degenerada”.
 
O fascismo não cria, recicla. Só se fixa no passado, um passado imaginário, idílico, como as “viúvas” da ditadura do Brasil, que se queixam das manifestações e greves, e exalam nostalgia pelo tempo dos militares, quando “havia ordem e progresso”. Sim, havia a paz dos cemitérios… assegurada pela férrea censura, que impedia a opinião pública de saber o que de fato ocorria no país.
 
O fascismo é necrófilo. Assassinou Vladimir Herzog e frei Tito de Alencar Lima; encarcerou Gramsci e madre Maurina Borges; repudiou Picasso e os teatros Arena e Oficina; fuzilou García Lorca, Victor Jara, Marighella e Lamarca; e fez desaparecer Walter Benjamin e Tenório Júnior.
 
Ao votar este ano, reflita se por acaso você estará plantando uma semente do fascismo ou colaborando para extirpá-la.

sábado, outubro 04, 2014

Desabafo

Quem nunca foi à periferia de uma grande cidade - ou ao interior do Nordeste; quem nunca visitou uma prisão; quem somente "viu a pobreza" quando leu Vidas Secas na escola e achou o livro chato; quem nunca precisou das políticas sociais do governo - Pronatec, Prouni, Luz para todos, Bolsa Família, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Brasil sem miséria, Enem, Mais médicos, leis trabalhistas para as empregadas domésticas etc; quem acha que pobre não trabalha porque não quer; quem acha que o mundo apenas é aquilo que ver e interpreta em cores enviesadas; quem nunca passou dificuldades; quem acha que porque come três vezes ao dia (no mínimo), todos vivem essa realidade; quem está acostumado a viajar pelo menos duas vezes ao ano para passar férias em locais variados - seja no Brasil seja no exterior; quem sempre estudou em escola de qualidade e, no ensino superior, em universidade pública; quem nunca teve curiosidade para aprender um pouco da história de luta de classes de seu país e acha que a história do homem se limita ao presente em que vive; quem nunca pegou um ônibus lotado saído de uma periferia; quem nunca morou em um barraco de tábuas; quem nunca sentiu o cheiro da pobreza em seus mais variados matizes; quem acha que é só lutar que Deus ajuda, jamais vai entender a transformação pela qual o país passou nos últimos doze anos. Muito me impressiona o discurso raivoso de pessoas que são massa de manobra da mídia e ainda se acha culto ou entendido. Não consegue perceber o projeto golpista dos meios de comunicação. A mensagem subliminar ensaiada todos os dias. 

Saiamos da menoridade intelectual. Saibamos diferenciar essência e aparência, duas categorias extremamente relevantes a pessoas sensatas. Existe uma passagem curiosa na bíblia que tem morado em minha mente nestes dias. Jesus tinha ido à casa de um fariseu, um líder religioso da época. Alguém bastante influente e respeitado pelo "status quo" da sociedade. Fazia parte da elite intelectual, econômica e religiosa. Ao chegar lá, uma mulher pôs-se a chorar. Com suas lágrimas ela ungia os pés de Cristo. O fariseu ficou a olhar e a condenar aquela cena. Afinal, em seu moralismo interno, na defesa de seu dogma cego e cruel, ele pensava: "Se esse sujeito fosse quem ele diz ser, com certeza, que não aceitaria os rogos dessa mulher". Diz o texto de Lucas que Jesus percebeu suas intenções. Contou uma história para o homem e logo em seguida diz mais ou menos nesses termos: "Quem pouco foi agraciado, pouco vai entender o que é o amor, pouco vai amar". (Lc 7.36-50). É curioso notar como o ódio daqueles que falam mal das políticas do Partido dos Trabalhadores, possui uma tese contrária contra a vida de milhões de brasileiros que tiveram suas existências melhoradas. Trata-se de uma julgamento que tem a sua raiz na naturalização de um discurso de raiva e que está preso a uma sentença: é preciso tirar o PT. Quando leio ou escuto algo assim, entendo que esse recado é contra mim, que estudei com Bolsa do Prouni; contra muito dos meus familiares que receberam Bolsa Família. Venho de uma origem humilde. E a minha vida, como a vida de tantos brasileiros, mudou para melhor. A bondade, a humildade, e a piedade estão a serviço da misericórdia.

sábado, setembro 13, 2014

Jesus virou menino e mora em uma aldeia - por Alberto Caeiro

O poema abaixo é de uma beleza sublime, capaz de provocar epifanias variadas. Ontem estava a lê-lo e senti o meu coração bater mais forte. Penso que Alberto Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa) teve uma revelação em sentido bíblico para escrever o poema. Atualmente, esta é a espiritualidade e a oração requerida e proferida por mim; é o desejo mais forte que existe em minha alma. Execro os exegetas apocalípticos de lábios espumantes, dispostos a observarem as regras estapafúrdias da dogmática teológica; fujo dos fundamentalismos enviesantes, pobres e estéreis, que criminalizam a humanidade potencializada em cada um de nós. A religiosidade é anti-humana; é estreita e radical em sua violência monocromática. O menino Cristo desceu do céu, pois lá não tinha poesia; não havia sensações; não havia flores, o vento, os regatos coleantes que driblam as pedras a cada nova marcha pela ladeira abaixo; queria rir e brincar com os outros meninos. Queria chapinhar as poças d'águas; brincar de roda; cantar canções e olhar o vermelho do por do sol. Poema lindo! Preciso lê-lo todas as semanas para não esquecer o quanto é importante se tornar menino e brincar. Até mesmo o menino deus desceu da eternidade para experimentar as emoções certas que somente nós podemos experimentar. Não é um Jesus guerreiro, arrogante, capaz de condenar ao inferno; ou o Jesus sofredor, causador de penas. Não.  Não o Jesus do símbolo nefasto, mas que é capaz de morar em cada um de nós e adormecer em nosso colo e ninar os nossos sonhos.

Ler o poema - AQUI

Abaixo, Antonio Abujamra declama o poema:

sexta-feira, setembro 05, 2014

Marina é uma voz contraditória soprando no deserto do niilismo político

Gosto de ler os comentários dos fóruns em vários sites. E fico impressionado com o niilismo político que tomou conta do Brasil. As opiniões geralmente tendem para o obscurantismo fascista. Após entrar em contato com as opiniões de jovens atomizados, escondidos na fria indiferença da rede, tento associar esse fato ao prezado momento eleitoral; e não deixo de pensar na candidata do PSB, Marina Silva. Tentar entender o fenômeno Marina Silva é um exercício complexo. Até o início do mês passado, ela era uma coadjuvante no processo eleitoral. Estava à sombra de Eduardo Campos, ex-governador do estado de Pernambuco, e que estava estacionado em crônicos 8% nas intenções de votos. A sua morte prematura e trágica permitiu a configuração de um cenário curioso. Aquela que era apenas um nome periférico, uma sombra inexpressiva, ganhou vulto e subiu de forma inexplicável nas intenções de voto. Parece tirar o tucano Aécio Neves do segundo turno e ameaça Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), que busca a reeleição. Mas surgem algumas perguntas: como explicar o fenômeno Marina? Quem é ela e o que representa? Quem são os seus eleitores?

Não é fácil achar uma resposta para essas perguntas. É possível indicar algumas pistas, que estão relacionadas a fatos políticos bem recentes da história social do nosso país e do mundo: 

(1) Segundo os institutos de pesquisa, a maior parte dos eleitores de Marina Silva são jovens desiludidos com a política. É gente que tem entre vinte e menos de quarenta anos. Que foi adolescente nos anos noventa e possui uma memória seletiva para os fatos; que não viveu e não percebeu posteriormente os dramas do neoliberalismo, introduzidos pelo Governo Collor e, mais tarde, levado a paroxismos com FHC e o desmonte do estado; que desconhecem completamente o drama histórico vivenciado pela estagnação econômica, vivida nos anos 80 e início dos anos 90. 

(2) É uma gente que possui um processo mental altamente pragmático e utilitarista. É o pensamento que entende que se algo não funciona, deve ser trocado, mesmo que as consequências sejam danosas para o processo. Não se questiona as implicações da troca. Não se entende a conjuntura. Não se quer saber a qualidade e a essência dos elementos trocados. Apenas se troca. Assim, como se dar com uma roupa com problema que se compra numa loja de departamento; ou ainda um celular que não funciona muito bem. 

(3) Um público que passa a maior parte do tempo experimentando os efeitos da virtualidade; que se especializou em colóquios monossilábicos nas redes sociais; que não consegue se desconectar do mundo dos simulacros e prestar atenção na realidade com suas implicações. E que confunde os efeitos das imagens virtuais com aquilo que acontece no mundo material. Entre o virtual com sua capacidade enfeitiçante e o mundo material com sua "feiura", prefere-se o primeiro ao segundo.

(4) Trata-se de um contingente que se diz cansado com a política. É como se a política não tivesse nada de bom; como se a vida política e os políticos encerrassem em si aspectos de uma densidade negativa de profunda contundência. Para quê se envolver com aquilo que não presta? Some-se a isso, o fato de que a vida social está assentada no individualismo. O homem do nosso tempo é treinado para viver preocupado apenas consigo mesmo. A única instituição capaz de frear esse instinto individualista e gerar coesão é a família. Fora do eixo familiar e jogado no seio das grandes cidades, o homem burguês do nosso tempo, entende que ele é único e deve sobreviver em meio a essa selva. Agora, potencialize esse pensamento em todos os seres das cidades e teremos uma rede de caos. O sentido de coletividade é completamente perdido. 

(5) O homem burguês é um consumidor voraz de imagens e informações. Ele é bombardeado pelo rádio, pelos jornais e revistas, pelo cinema, pela televisão, pelos livros, pelos outdoors, que vendem de macarrão a corpos de mulheres; pela rede mundial de computadores, pelos celulares. A babel de informações que se mostra pelos mais variados canais não chega sistematizada, organizada. Ela chega de forma caótica, revoluteante; de forma confusa e vertiginosa. Os sujeitos não conseguem distinguir as informações de maior credibilidade, daquelas que possuem intenções subjacentes atreladas à propaganda mercenária. E aí surge um problema de intenção de discurso: quem exerce o poder de fazer a inevitável seleção das informações que serão direcionadas ao homem comum? Como construir uma compatibilidade com um programa democrático de sociedade e o exercício desse poder de escolha, quando poucas empresas possuem o poder de influenciar a opinião pública? Inevitalmente, esse sujeito acaba se acostumando com "o dito". As imagens trabalhadas acabam legitimando um determinado enquadramento da realidade. Já não há o que se questionar, pois as notícias descrevem aquilo que acontece com o mundo real. Não há tempo para perscrutar as intenções secundárias. A imagem diz tudo em sua força propositiva.

(6) O sujeito do nosso tempo possui uma completa desconexão com o conceito de história. O capitalismo no século XX, deu à luz a um tentáculo - o neoliberalismo. E o neoliberalismo potencializa o privado em detrimento do público, do coletivo. Ora, segundo Leandro Konder: "A história é a ação do homem no tempo, é o que eles fazem, é o desdobramento da práxis, isto é, da aitvidade pela qual os seres humanos se realizam". É mais ou menos a seguinte relação: o Planeta Terra viaja pelo universo a mil e seiscentos quilômetros por segundo e, ao mesmo tempo, gira em torno do sol. Isso acontece a bilhões de anos. Todavia, nós que estamos na Terra não sentimos esse movimento. Percebemos os efeitos dele pela sucessão dia-noite, noite-dia. Da mesma forma, o homem burguês perdeu completamente a noção de história. Ele percebe que os anos passam, apenas isso; assim como percebe o dia e a noite. Essa distorção do conceito de história impede que os homens olhem para trás para entender o que já fizeram e de onde vieram; o presente como sucessão dialética do passado; e o futuro como possibilidade do trabalho e da práxis transformadora. O capitalismo "desumanizou" a história, pois extraiu a noção de relação coletiva. Ele consagra apenas a privatização dessa relação. Não me vejo como parte de uma comunidade que luta por melhorias; que possui ideais; que luta por transformação e que se alinha em torno de causas comuns. Assim, a história passa a ser vista como ilusão, como algo pela qual não se deve lutar, pois trata-se de batalha inexoravelmente sem sentido; ou se cria a noção de que tudo caminha para um destino em que a realidade pode se autorregular a um estágio de progresso consequente.

Acredito que esse conjunto de cinco elementos se unam para formar aquilo que vimos o ano passado nas manifestações de junho. Naquela ocasião, jovens das mais variadas origens saíram às ruas para protestar. Organizaram-se pelas redes sociais. As armas não eram ideias, uma pauta clara com reivindicações precisas, mas celulares. O barulho aconteceu, mas logo arrefeceu, pois as marchas não devem parar de "caminhar". O movimento se dizia contrário à política, sem perceber que estava fazendo um tipo de política niilista, sem substrato, um caudal de orientações desencontradas que não levariam a resultados precisos. Outro fato que fortaleceu a possibilidade das manifestações foi a incapacidade do Partido dos Trabalhadores (PT) de dialogar com a sociedade de forma clara. As alianças do PT acabaram por acorrentá-lo no campo da indiferença. Não houve um debate político preciso. Os erros do governo, somado à forma como a mídia deu visibilidade a isso, fez aumentar a "a patologia da representação". Quando penso nas manifestações de junho, surge uma surpresa inevitável, mas que se pode visualizar ali a explosão ou o sintoma de um modelo de civilização que chegou ao seu colapso. Ou seja, o capital não gera a humanização da história; não promove um espírito altruísta em favor do próprio homem. Entrementes, mata por asfixia aquilo que de mais necessário o homem criou. Assim, entendo que aquelas jornadas de junho, representam "o suspirar", o reclamo contra algo. Mas o que seria esse algo? O resultado de um estilo de vida fincado numa melancolização do conceito de história e um enfeiamento das estruturas políticas por parte da mídia que desenha, por meio de seu monopólio, a desnecessidade dos movimentos sociais - sindicatos, agremiações dos trabalhadores e os movimentos mais variados da sociedade; e a inabilidade do governo petista de dialogar com os jovens e os mais variados setores da sociedade. O governo abriu as portas para que se comprasse celulares e badulaques variados, mas não se preocupou politizar e construir cidadania. O governo gerou consumidores e não sujeitos políticos.

Ora, some todos esse fatores e você terá um eleitor da Marina. O que mais atrai os eleitores da Marina é o discurso da candidata. Poucos têm consciência ou conhecimento de sua política econômica. Quais são os pactos que ela está estabelecendo para governar. A agenda neoliberal com a qual ela se municiou. A conveniência dos abraços. A casca das convenções. As alianças com os dragões do capitalismos. A negação de um projeto para o povo, pois a única coisa que ela quer é governar para os banqueiros, o deus mercado e o capital especulativo. O que a torna um fenômeno é justamente o fato de que ela fala que representa "um novo modo de fazer política". Se os seus supostos eleitores descobrissem como ela faz política, com certeza se desiludiriam. Marina é uma voz contraditória soprando no deserto do niilismo político. Sua oratória "da boa vontade" é insuficiente para trazer as modificações que o país precisa. Política não se faz apenas com retórica. Em um país complexo e que sempre esteve nas mãos das elites, Marina desconsiderou a sua história (porque talvez a veja como algo superado, de um tempo distante e que não diz mais respeito a ela), para se estabelecer vínculos com as elites desse país, que negam justamente o povo e suas necessidades.


quinta-feira, setembro 04, 2014

Mafalda, a sopa e Karl Marx


A tirinha acima é uma das mais geniais da Mafalda, do cartunista argentino Quino, que já tive oportunidade de ler. Ela vai ao centro da questão fundamental: como estaríamos hoje, se Marx não tivesse colocado "a contradição" como elemento necessário de interpretação da história, ou seja, se ele não tivesse "tomado a sopa"? Lênin vai explicar isso muito bem o que é "a sopa" de Marx em seu belo texto "As três partes e as três fontes constitutivas do marxismo". Como seriam os movimentos sociais? Como seriam os direitos trabalhistas? Até hoje, suas ideias não foram trazidas plenamente à luz. Aquilo que escutamos como regimes marxistas nos mais variados cantos, não passam, na verdade, de caricaturas, de tentativas cinzentas e pobres do pensamento do alemão.

Acredito que com a frase "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo", o pensador sintetize muito bem quais suas perspectivas em relação á história. Marx reuniu em seu pensamento aquilo que de mais alto, mais célebre, as ciências e o saber humano haviam conquistado. E nos deu um desafio enquanto seres humanos: é preciso que repensemos que tipo de mundo queremos construir, enquanto projeto que transforma, modifica e dá dignidade ao ser humano. O pensamento marxiano é um desafio em favor da manutenção da vida e do ser humano. Nunca estudá-lo e lêlo foi tão necessário.


domingo, agosto 31, 2014

A naturalização do cotidiano e a política

















Karel Kosik diz em sua Dialética do Concreto algo essencial: "O indivíduo não é apenas aquilo que ele próprio crê nem o que o mundo crê; é também algo mais: é parte de uma conexão em que ele desempenha um papel objetivo, supra-individual, do qual não se dá conta necessariamente". (KOSIK, 1976, p. 62). Com isso, o pensador marxista nos deixa a ideia de que existe uma realidade a qual o homem comum perde o contato em seu cotidiano. Mas o que é essa cotidianidade? 

Na cotidianidade vivem todos os homens. Cotidianidade não é o espaço privado prevalecendo sobre o espaço público. Para ele "a vida de cada dia tem sua própria experiência, a própria sabedoria, o próprio horizonte, as próprias previsões, as repetições, mas também as exceções". Os homens vivem esses fatos e se acostumam a tais eventos, entendendo, que as coisas são aquilo que são. Que não existe uma outra forma de ser. Ou seja, a vida objetiva passa a criar uma instintividade mecânica em relação às coisas e ao mundo. 

O homem, assim, acaba criando um para si, em que considera a realidade como o seu próprio mundo, pois sua visão sobre as coisas se tornam eventos familiares. O sujeito acostumado com o aparente não consegue divisar a existência de outro mundo, de outra forma de ser possível à realidade. A vida calcada no cotidiano e fincada no aparente, sem que tenha uma expectativa da essência, leva o homem a naturalizar determinados acontecimentos. A naturalização dos fatos, leva o sujeito ao comodismo; à incapacidade para fazer julgamentos sobre qual a relação que o seu cotidiano tem com a história.

Um exemplo disso é o hábito que o sujeito moderno tem de colocar o dedo no interruptor de luz e acender ou apagar, sem se dar conta de que por trás de tal ação existe uma cadeia histórica. Ou quando liga a torneira e ver a água jorrando, sem se dar conta do processo que trouxe a água até à sua casa. Sartre menciona esse processo de naturalização tão comum da vida burguesa em seu romance existencialista A Náusea. Os jovens de hoje naturalizaram a consciência de que o mundo é da forma que eles veem; que os celulares são um elemento que acompanha a humanidade desde as mais remotas datas. Não saberiam viver sem os aparelhos, pois acabaram naturalizando a existência desses objetos portadores de fetiche. 

Quando penso estas coisas, me vêm à mente uma afirmação de José Carlos Libâneo em sua famosa Didática. O educador afirma em tom althusseriano que "O sistema educativo, incluindo as escolas, as igrejas, as agências de formação profissional, os meios de comunicação de massa, é um meio privilegiado para o repasse da ideologia dominante". Poderíamos completar afirmando: "para a naturalização do mundo". Em seguida, o educador nos propõe que desconfiemos nas seguintes afirmações:

(1) O Governo sempre faz o que é possível; as pessoas é que não colaboram;
(2) Os professores não têm que se preocupar com política; o que devem fazer é cumprir sua obrigação na escola;
(3) A educação é a mola do sucesso, para subir na vida;
(4) Nossa sociedade é democrática porque dá oportunidades iguais a todos. Se a pessoa não tem bom emprego ou não consegue estudar é porque tem limitações individuais;
(5) As crianças são indisciplinadas e relapsas porque seus pais não lhes dão educação conveniente em casa;
(6) As crianças repetem de ano porque não se esforçam; tudo na vida depende de esforço pessoal;
(7) Bom aluno é aquele que sabe obedecer (LIBÂNEO, 2008, p.20)

As afirmações são aplicadas no contexto do mundo da educação, mas, na vida cotidiana, poderíamos ampliar a lista, sem esquecer que muitas dessas premissas são construídas pelos meios de comunicação de massa e acabam ganhando um grau de verdade inquestionável:

(1) Política não presta; político é tudo corrupto; 
(2) Se passou na televisão é por que é verdade; não há o que se discutir;
(3) A violência é um problema que é resolvido pela presença da polícia;
(4) Os menores são os responsáveis pela violência nas grandes cidades;
(5) O Brasil é um país que não dar certo; nada presta por aqui;
(6) Comunismo, marxismo e socialismo são símbolos de ditaduras; 
(7) Manifestação ou reivindicação social é um movimento orquestrado por "vândalos" e "vagabundos";
(8) Você é capaz de ter sucesso na vida; para isso é só se esforçar que você consegue;
(9) Só é pobre quem quer, pois é só trabalhar;
(10) Deus sempre ajuda aquele que ora;
(11) O mundo sempre foi assim; não tem como mudá-lo; 
(12) "Sou brasileiro e não desisto nunca";
(13) Somos uma democracia racial; 
(14) A desigualdade social é um problema de gestão;
(15) O mundo pode ser "consertado"; para isso, basta eu fazer a minha parte; 

A lista poderia continuar. Esses são apenas algumas frases que me ocorreram. Kosik ainda afirma: "A alienação da cotidianidade reflete-se na consciência, ora como posição acrítica, ora como sentimento do absurdo. Para que o homem possa descobrir a verdade da cotidianidade alienada, deve conseguir dela se desligar, liberá-la da familiaridade, exercer sobre ela uma "violência"".(p.78). Por violência, entenda-se a capacidade de "ver a própria face e conhecer o próprio mundo", destruindo de uma vez por todas a naturalização - a pseudoconcreticidade. 

sábado, agosto 30, 2014

Marilena Chauí e sua reflexão sobre a classe média

Que lucidez! É justamente essa mesma classe média que, hoje, busca "arrancar" o PT do poder. Como diz a Marilena Chauí, "os programas sociais dos últimos dez anos balançaram a cabeça da classe média", pois ela viu pobre ir para aeroporto - gente que ela via pelo vidro do carro nas periferias, nas favelas; gente que não tinha perspectivas e passou a frequentar a faculdade. Então essa mesma classe média entrou em pânico, pois sentiu que o seu espaço foi invadido. E se existe um medo que terrifica a classe média é o medo da proletarização. Pois ela é patrimonialista, privatista dos espaços públicos. Dentro do seu carro, ela se sente "blindada" do mundo. Ela é funcionalista em essência e acha que a ordem do mundo e da história se auto-regulam. E tudo aquilo que é colocado como contradição e, necessariamente, altera essa ordem, é visto como uma ameaça à estabilidade. Talvez isso explique o desejo sanguinário pela redução da maioridade penal; ou a adoção da pena de morte; e a criminalização aos movimentos sociais. 

Pois ela entende que ordem e a propriedade devem ser defendidos pela repressão. Olhando o cenário eleitoral atual, entende-se claramente o desmazelo da candidatura do Aécio, que não decola (claro, somente os aviões do aeroporto particular da família construído com dinheiro público); e como a Marina é o nome possível capaz de derrotar o Governo do PT, criou-se um entusiasmo em torno do nome dela. O que está em jogo é um projeto de desmantelamento do Estado brasileiro e a destituição de um Governo que tirou mais de 40 milhões da linha pobreza; e trouxe ao debate temas caros à sociedade brasileiro, claro, apesar de ter silenciado em outros em nome da governabilidade. Se fosse outro nome que estivesse no lugar da Marina e fosse capaz de derrotar o PT, esse nome teria apoio. Se um poste ou uma árvore, o poste e árvore seriam eleitos, "pois se vence o PT, então eu quero". O ex-colunista da Veja, Diogo Mainardi, já se posicionou dizendo que é Marina até a posse da candidata. Diante dos fatos, é preciso distinguir os acontecimentos. Daí os conceitos sobre a classe média de abominação ética, porque violenta e conservadora; abominação política, porque fascista; e abominação cognitiva, porque ignorante. Ser classe média não é apenas um dado estatístico, mas também uma condição moral. 

quinta-feira, agosto 28, 2014

Diários de Motocicleta e "o outro lado do rio"

E não haveria ação humana se não houvesse uma realidade objetiva, um mundo como "não eu" do homem, capaz de desafiá-lo; como também não haveria ação human se o homem não fosse um "projeto", um mais além de si, capaz de captar a sua realidade, de conhcê-la para transformá-la. Paulo Freire in Pedagogia do Oprimido.

Há alguns sábados atrás eu assisti, pela terceira vez - talvez -, ao filme Diários de Motocicleta (2004), do brasileiro Walter Salles. Após ter visto o filme e refletido sobre ele, não consigo tirá-lo de minha cabeça. Não consigo me deslindar dos temas profundos e ao mesmo tempo pela beleza plástica das cenas, que têm uma preocupação de mostrar o continente sul-americano. O filme nos conta a história do jovem Ernesto Guevara, que mais tarde seria conhecido como "Che". 

Estudante de Medicina e filho de uma família de classe média argentina, Ernesto decide fazer uma viagem de moto ao lado do seu amigo Alberto Granado, repleta de metáforas políticas e existenciais que definiriam o seu futuro. Aquilo que no início era apenas um intento juvenil aventureiro, aos poucos vai mudando quando os jovens companheiros entram em contato com as mais destacadas e imorais explorações e misérias. Empresas estrangeiras se apropriam das riquezas minerais do continente e, para isso, exploram os trabalhadores que vivem em uma situação de penúria. São expulsos de suas terras. Ficam sem moradia. E são forçados a marcharem errantes de braços dados com a incerteza. Isso se dá, por exemplo, em regiões campesinas do Peru. As injustiças perpetradas contra os indígenas emociona. O drama de famílias que são separadas pela miséria, vai lapidando o olhar do jovem Ernesto. 

Um dos momentos mais bonitos e simbólicos do filme acontece quando Ernesto e Alberto conversam, após terem chegado a um lugar onde se internam pessoas leprosas. O lugar era cuidado por religiosas católicas. Havia o rio que se interpunha entre as pessoas que não tinham lepra e aqueles que eram portadores da enfermidade. O diálogo se dar da seguinte forma:

- Viu o rio? - diz Ernesto.
- Claro. - responde o seu amigo. Ao que Ernesto acrescenta:
- Ele separa os doentes dos sãos.

Mais tarde, quando os habitantes da comunidade ribeirinha resolvem fazer uma festa de despedida para os dois amigos que haviam auxiliado de forma fantástica os doentes do lugar, o jovem argentino diz as seguintes palavras: 

Apesar de nossa insignificância para sermos porta-vozes de vossa causa, acreditamos, e depois desta viagem com mais firmeza ainda, que a divisão da América em nacionalidades vagas e ilusórias, é totalmente fictícia. Constituímos uma única raça mestiça do México até o estreito de Magalhães.E, assim, me despindo de qualquer provincialismo, eu brindo pelo Peru. E pela América unida. 

Trata-se de um dos momentos mais bonitos do filme. É quando a opção, a escolha do jovem aventureiro se enquadra. É noite e Ernesto deixa a comemoração e sai para ver o grande rio. O amigo Alberto o segue. E aqui encontramos a decisão ontológica necessária. Fuser, como era chamado pelo amigo Alberto, pergunta: 

- Sabe onde está o barco? O amigo responde:
- Não, não estou vendo.
- Vou comemorar meu aniversário do outro lado. - completa o jovem Che.

Esta fala completa a sua percepção. E aqui notamos o compromisso histórico assumido em favor dos injustiçados, dos doentes, dos que não são. Florestan Fernandes costumava dizer que só existem duas posições em política: ou se está ao lado dos oprimidos ou se está ao lado dos opressores. A via do meio é a via da omissão histórica; é a via do pequeno burguês metido em seu medo crônico, em seu conservadorismo tacanho e reacionário. 

A escolha subjetiva se faz a partir de uma relação dialética com a realidade. Não se pode pensar em objetividade sem subjetividade. Os homens necessariamente, no dizer de Paulo Freire, atuam correspondentemente por meio da "relação dialética subjetividade-objetividade". O meu olhar se faz a partir da relação que tenho com o mundo objetivo. A reflexão libertadora acontece quando percebo a minha práxis, a minha prática, sobre a história a fim de que a minha ação seja capaz de romper a barreira entre opressor e oprimido. Ou como dizia Marx: "O critério de verdade é a prática". 

Quem não experimentou, visualizou ou testemunhou a contradição existente na sociedade, jamais sairá do subjetivismo e do objetivismo, como dizia Paulo Freire. O primeiro é a "objetividade dicotomizada da subjetividade"; e o mesmo fenômeno se dá com o subjetivismo. Ora, quem faz uso do objetivismo e do subjetivismo cai em um simplismo ingênuo, incapaz de reconhecer a contradição posta na história. Dizer que "o rio separa os doentes dos sãos" é identificar a "rachadura" que existe no mundo social. E mais tarde dizer: "vou comemorar meu aniversário do outro lado", é tomar uma decisão ontológica baseado na dialogicidade entre o objetivo e o subjetivo.

Quando penso nisso, entendo o porquê de muita gente ter raiva do socialismo, do marxismo ou do comunismo. Pois, estes sistemas entendem que existem leis que regem a materialidade. Que a realidade não é construída apenas com subjetivismos inconsequentes e apressados ou com objetivismos pragmáticos, apenas.

E, ao final do filme, encontramos a maravilhosa música do uruguaio Jorge Drexler, que tenho escutado como nunca nas últimas semanas. Há algumas semanas atrás corri doze quilômetros ouvindo repetidamente essa música. Chorei diversas vezes. E, assim, vamos treinando o nosso olhar e lançando os remos no lago. Abaixo a bela música - Al otro lado del rio.


quarta-feira, agosto 27, 2014

Marina, Collor, o discurso de 'uma nova política" e a conjuntura

O vídeo abaixo é emblemático. Veja-o antes de continuar (se for do seu interesse). No bojo de seu discurso, há uma ressonância, uma aproximação com o discurso da candidata Marina Silva. Em 1989, em certo momento da disputa eleitoral, fortalecido pelo apoio midiático (leia-se Rede Globo), Collor dizia que não havia nem esquerda nem direita. Sua forma de fazer política era nova e mudaria necessariamente o país. Traria o progresso. Colocaria o Brasil em patamares novos. Enxugaria a máquina administrativa, iniciando um processo de doutrinarização neoliberal. Criaria empregos, construiria um país mais digno e solidário. Um discurso verdadeiramente leniente a determinados setores. A classe média comprou a ideia, pois via em Lula, ou seja, na possibilidade de contradição, um resultado nefasto. O conservadorismo, o moralismo, o reacionarismo, a incapacidade de pensar dialeticamente, levou o Brasil a enfrentar um dos momentos mais críticos de sua história recente. Não sei se sou o único, mas visualizo este mesmo discurso, esta mesma conjuntura impregnada na pretensa humildade de Marina Silva. Política no Brasil é feita, acima de tudo, com "marketing".
O discurso fragmentário de determinadas figuras ilude os eleitores. O "sistema de perito", conceito de Anthony Giddens, cria uma pretensão de legitimidade na fala de determinados sujeitos, sem que avaliemos os resultados de tal discurso. Marina Silva se aproveita de um momento iniciado o ano passado, nas manifestações de junho, aquele movimento inorgânico que desejava a extinção da política; em que muita gente tomou paulada por estar com "uma camisa vermelha", mostra o quanto os brasileiros não entenderam ainda que "política se faz com mais política". Aqueles que foram às ruas, possivelmente, sejam os que, hoje, elegem a Marina. São os descontentes, que embarcaram numa aventura. A tentativa de eliminação do conceito de política é um grande equívoco. Mesmo quando digo que não gosto de política, este já é um comportamento político. A política é uma relação com o poder. Ela pervade a vida social dos homens. Desprezar a política é desprezar uma dimensão inerente ao ser humano.

Herbert José de Souza, o Betinho, como era mais conhecido, escreveu um livrinho importante chamado "Como se faz uma análise de conjuntura" (Editora Vozes, 26a. edição, 2005). Ele diz que para se fazer uma análise de conjuntura são necessárias algumas categorias: "Acontecimentos, cenários, atores, relação de forças e articulação (relação) entre estrutura e conjuntura".

(1) Acontecimentos - é importante se distinguir fato de acontecimento. Fato é aquilo que se dá de forma banal. Por exemplo, o beijo de uma casal pode ser um fato comum, mas o beijo de Judas foi um acontecimento, pois teve consequências políticas. Na análise de conjuntura é importante distinguir os acontecimentos, conquanto são eles que determinam os efeitos e consequências sobre a vida de milhões de pessoas. A importância da análise dos acontecimentos é fundamental para indicar a percepção que uma sociedade ou grupo social, ou classe tem da realidade e si mesmos.

(2) Cenários - a trama social acontece em determinado contexto, em determinados espaços, que podem ser considerados como cenários. Identificar cenário é importante para perceber onde se trava a luta. Quando um determinado governo ou grupo consegue esfacelar um movimento contrário, mudando o cenário do embate, certamente ele levará vantagens sobre o movimento. Quando o governo desloca o conflito das ruas para o gabinete ele, inevitavelmente, levará vantagem, pois mudou o cenário e, ali, é o seu local estratégico de ação.

(3) Atores - o ator é alguém que representa, que encarna um papel dentro de uma trama. Um determinado indivíduo será um ator quando ele representara algo para a sociedade. Ele encarna um projeto, uma ideia, uma reivindicação, uma promessa. Um partido político, uma classe social, uma categoria, um sindicato, uma corporação, pode ser um ator social.

(4) Relação de forças - há um tensionamento constante na sociedade em decorrência do jogo de interesse de uma classe social, de um grupo diferente. Essas relações podem ser de coexistência, de cooperação, de confronto e estarão sempre revelando uma relação de força, de domínio, de igualdade ou subordinação.

(5) Relação entre estrutura e conjuntura - "A questão aqui é que acontecimentos, a ação desenvolvida pelos atores sociais, gerando uma situação, definindo uma conjuntura, não se dão no vazio: eles têm relação com a história, com o passado, com as relações sociais, econômicas e políticas estabelecidas ao longo de um processo mais longo. Uma greve geral que marca uma conjuntura é um acontecimento novo que pode provocar mudanças mais profundas, mas ela não cai do céu, ela é o resultado de um processo mais longo e está situada numa determinada estrutura industrial que define suas características básicas, seus alcances e seus limites. Um quadro de seca no Nordeste pode marcar uma conjuntura social grave, mas ela deve ser relacionada com a estrutura fundiária que, de alguma maneira, interfere na forma como a seca atinge as populações, a quem atinge e como". Por exemplo, a falta de água em São Paulo não é um problema apenas de falta de chuva. Está relacionada com a ausência de investimentos. Ou seja, a conjuntura está posta e pode ser entendida a partir da relação dos acontecimentos, dos atores e das forças. Betinho ainda diz: " É fundamental perceber o conjunto de forças e problemas que estão por detrás dos acontecimentos. Tão importante quanto apreender o sentido de um acontecimento é perceber quais as forças, os movimentos, as contradições, as condições que o geraram".

Assim, a história é feita por um fluxo em que as coisas objetivas refletem sobre as subjetivas. Esse novo jeito de fazer política da Marina é, no fundo, um discurso que serve politicamente a determinados grupos. Muitos daqueles que vão votar nela estão sendo induzidos por um movimento criado para "destituir", para alijar, para "derrubar o PT" custe o que custar. Perguntar com honestidade o porquê desse comportamento induzido, levará o oponente inevitavelmente a dizer (o discurso é de reificação): "mensalão", "corrupção", "comunismo", "me cansei do PT e da Dilma". Todavia, essas questões são menores do que o bom momento pelo qual o Brasil passa. Há meses atrás minha esposa esteve na Espanha e me contou que lá, idosos fazem trabalhos informais nas ruas para ganhar moedas para comprar o pão de cada dia. Acredito que não estejamos numa situação pior, apesar do caminho longo que precisamos percorrer. O Brasil é um país com muitos problemas. Talvez, os clamores que acontecem hoje venham a se resolver daqui a duzentos ou trezentos anos. Não sejamos ingênuos. A história anda aos saltos. Ela carrega no presente os elementos do passado. E o futuro estabelece uma aglutinação entre passado e presente, criando uma nova realidade, tendo elementos de todos os movimentos. A história não mente. Não esqueçamos de olhar que tipo de atriz é a Marina a essa altura do campeonato. Analisemos os fatos e cheguemos a uma conclusão sobre a presente conjuntura.

domingo, agosto 17, 2014

Uma pensata matinal sobre o antipetismo, o antiesquerdismo etc...

"Os homens usam o dinheiro e com ele fazem as transações mais complicadas, sem ao menos saber, nem ser obrigados a saber, o que é dinheiro. Por isso a 'praxis' utilitária imediata e o senso comum a ela correspondente colocam o homem em condições de orientar-se no mundo, de familiarizar-se com as coisas e manejá-las, mas não proporcionam a compreensão das coisas e da realidade" (Karel Kosik, in "Dialética do Concreto"). Vejo a maior parte dos argumentos contra o PT como um problema de foco. Estamos acostumados a enxergar somente a aparência dos fenômenos, sem ir a fundo na consecução que proporcionou a existência desse mesmo fenômeno. Nós somos resultado de um processo caudaloso de eventos que, consequentemente, determinam uma forma de ver e estar no mundo. E isso forma a nossa ontologia - o que somos, quais as nossas preferências, o porquê de gostar de determinada música, o porquê de pertencer a determinada religião ou gostar de determinada comida. Definitivamente, eu não existo desgarrado dos fatos sociais. Se sou capaz de enxergar um poema onde outra pessoa ver apenas um fato banal, isso é qualidade do olhar proporcionado pela história. Ou seja, é necessário sair da leitura enviesada e que somente enxerga  a aparência (a pseudoconcreticidade), para uma leitura da essência. 

Assim, penso que as opiniões contrárias ao PT sejam resultado justamente daqueles que apenas olham para "a casca dos fatos", sem contudo atentar para a essência das coisas. E quando falo sobre essência, refiro-me à história. Contra a história não há argumentos, pois ela está pautada na materialidade. É necessário sair da caverna das aparências e enxergar na luz os fenômenos que formam a realidade. É necessário ser humilde para reconhecer a nossa ignorância sobre determinados assuntos.  Apenas para ilustrar: sou pernambucano e vivi a minha infância à luz de candeeiro. Hoje, muita gente do sertão e do agreste pernambucanos tem energia graças ao programa Luz para todos do governo Lula-Dilma. Quem se apressa em falar sem conhecimento, acaba falando o desnecessário, fazendo consequentemente que seu argumento caia no lugar comum. A melhor forma de entender o PT ou o PSDB é estudando os nossos quinhentos anos de história. Quem nunca viajou ao interior pobre do Brasil (Nordeste, Norte) - não me refiro às capitais, às praias; quem nunca passou necessidade, quem tem o seu emprego e tem as suas necessidades de pequeno burguês supridas, não tem direito a falar mal do PT.