terça-feira, abril 07, 2020

#forabolsonaro, por Antônio Prata

As teorias da conspiração são o último refúgio dos impotentes. É pra lá que eles fogem, acreditando libertar-se dos grilhões da mentira e da manipulação.

Ali, mocozados em seus terraplanismos, antivacinismos, cultuando seus ETs de Varginha, seus Foros de São Paulo, seus Chupa-Cabras, seus Olavos de Carvalho, suas mamadeiras de piroca, suas tramas da CIA ou da China, os olhos dos “desempoderados” brilham no gozo da verdade revelada.

Como mágica, o homem medíocre a quem os genes, a injustiça social ou a preguiça intelectual condenaram a uma existência de Zé Mané se transforma num Indiana Jones diante do Santo Graal, num Fox Mulder e numa Dana Scully num episódio de “Arquivo X”, num Moisés encarando a sarça em chamas.

As teorias da conspiração são a igreja do homem despossuído, frustrado, alienado, num mundo complexo que ele não compreende e no qual não prospera. São a arminha de mão dos pobres diabos. O Viagra da impotência social.

Quer dizer então que toda a comunidade científica, Harvard e Yale e Oxford e Cambridge e a Organização Mundial da Saúde e a União Europeia e os EUA (democratas e republicanos) e a Angela Merkel e o Bill Gates e os líderes e a imprensa de todos os países do globo estão errados sobre o coronavírus e só Bolsonaro tá certo?

O mundo inteiro caiu num conto do vigário chinês comunista para quebrar o capitalismo e só o capitão reformado do Vale do Ribeira, do alto de seus chinelos Rider, penando para ler “hospital Ualbert Uainstein” no teleprompter, descobriu a farsa?

O que para você, pessoa sensata de direita, de esquerda ou de centro, parece um absurdo completo é justamente o que dá força à teoria conspiratória. Quanto mais alucinante a teoria, maior seu poder epifânico. Quanto mais tosca a figura do presidente, mais longe chega a sua mensagem.

Tem um momento, geralmente no final do primeiro ato dos filmes de terror ou suspense, em que o protagonista tenta convencer os outros de que tem um fantasma na casa ou um monstro na floresta ou que o professor bondoso do jardim de infância é um serial killer. Todos desdenham do protagonista.
Talvez ele acabe num hospício, como Sarah Connor em “O Exterminador do Futuro 2”. A incredulidade geral, porém, faz com que o herói se insufle, cresça, tome uma atitude arriscada e sem volta para combater o fantasma/monstro/assassino e ingressar no segundo ato.

É exatamente no momento Sarah Connor no hospício que Jair Bolsonaro e seu núcleo duro de miolo mole se encontram nesta semana. E a atitude arriscada e sem volta que eles gostariam de tomar para ingressarem no segundo ato com um duplo plot twist carpado é dar um golpe.

Mandar ao STF “um jipe com um soldado e um cabo”. Amotinar as polícias e dar a elas, como disse o então candidato a presidente, “retaguarda jurídica para fazer valer a lei no lombo de vocês!”. “Será uma limpeza nunca vista na história do Brasil.”

Chegou a hora de as pessoas sãs deste país se unirem contra um golpe e contra a carnificina que a insistência deste sociopata em reduzir a quarentena irá causar. Somos nós, de Ronaldo Caiado a Marcelo Freixo, quem temos que gritar com toda a força dos nossos pulmões que há um fantasma na presidência. Um monstro no Planalto. Um serial killer no comando dos jardins de infância.

Depois, quando o pesadelo do vírus e do monstro passarem, cabe aos sobreviventes adultos de todos os matizes políticos repensar o mundo para que nele não haja um exército de excluídos frustrados, humilhados e dispostos a embarcar no primeiro filme de terror que lhes oferecer uma migalha de protagonismo.

Texto publicado no Jornal Folha de São Paulo, em 29 de março de 2020. 


domingo, abril 05, 2020

A arte de esperar pelos ovos

A última reflexão do filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (como é conhecido aqui no Brasil), de Woody Allen, é bastante provocante. "Annie Hall" (título original), certamente, é o melhor filme que ele dirigiu; para mim, uma das melhores da história do cinema. Na última cena do filme, o personagem Alvy Singer (Woody Allen), afirma após ter encontrado Annie Hall (Diane Keaton) com quem mantivera um relacionamento de encontros e rompimentos, um instigante e provocante pensamento. O filme é uma excelente e deliciosa reflexão sobre a arte de se relacionar. 

E me lembrei da velha piada, do cara que vai ao psiquiatra e diz:

"Doutor, o meu irmão é maluco. Acha que é uma galinha. "

E o médico pergunta: "Por que é que não o traz de volta a si?".

E ele responde: "Até faria, mas preciso dos ovos".

É mais ou menos o que sinto sobre as relações entre as pessoas.

São totalmente irracionais, loucas e absurdas...

Mas nós vamos aguentando porque precisamos dos ovos.

quarta-feira, abril 01, 2020

"Dois papas", uma importante reflexão

Vi semana passado o filme Dois papas, do diretor brasileiro Fernando Meireles. A impressão que me passou foi das melhores. A produção mescla eventos históricos com ficção. A trama é tão convincente que nos passa a ideia de que tudo que vemos é história, ou seja, aconteceu de verdade.

Nos vinte anos do século XX, quatro eventos foram marcantes na história da Igreja Católica, uma das instituições mais longevas da terra. (1) a morte de João Paulo II (Karol Józef Wojtyła); (2) o pontificado de Bento XVI (Joseph Aloisius Ratzinger); (3) sua renúncia; (4) e o pontificado de Francisco I (Jorge Mario Bergoglio), o papa argentino; o primeiro não europeu da história. A renúncia de Bento gerou grande repercussão pública. Afinal, em poucos momentos da história isso havia acontecido. No período moderno da Igreja Católica, os papas ocupam o cargo até a morte. O último a abdicar da cadeira de Pedro havia sido Celestino V, em 1294. 

O filme enfoca a eleição de Joseph Ratzinger para o papado, após a morte de João Paulo II e a preterição de Jorge Bergoglio. Logo em seguida, há um enfoque na pessoa do argentino e o pedido de sua aposentadoria. Bergoglio é chamado a Roma. Encontra-se com Bento XVI no Castelo Gandolfo, a famosa casa de verão dos papas. Nas conversas que são travadas entre Bergoglio e Bento, nota-se o quanto este, o erudito, filósofo, parece viver uma crise de fé.

É a partir desse encontro que há a explanação de duas visões sobre a fé e sobre o papel institucional da Igreja Católica. Bento é o ardoroso defensor de uma Igreja "pesada", dogmática, preparada para enfrentar os dilemas da modernidade com uma resposta pontual, não fundada em relativismos. Segundo ele, como fica evidente no filme, a perda de fiéis por parte da Igreja é um problema do homem moderno que se deixou dominar pelo pecado, pela corrupção. A Igreja precisa combater de maneira enérgica esses desafios. Bento XVI é uma espécie de Bonifácio VIII, um dos papas que eram defensores do poder temporal da Igreja; defensor de uma igreja pesada, galante, institucionalmente, burocrática.

Por sua vez, Francisco é, como o próprio nome evoca, a voz da simplicidade, da renovação, que está aberta ao diálogo. Francisco é a Igreja que saiu à rua para conversar com os homens e mulheres. Bento é a Igreja trancada em seu gabinete, encerrada em sua frieza, em sua tradição teológico-dogmática. O sucessor de Bento XVI simboliza uma Igreja jovem, disposta a sentar com os jovens. A entender os dilemas políticos e éticos do nosso tempo. As transformações pelas quais tem passado o Planeta, estabelecendo profícuos debates ecológicos. Francisco tem criticado a ganância do capital em detrimento do ser humano.

De certa forma, o filme serve para estabelecer um antagonismo entre Bento XVI e Francisco I. Todavia, não se deve negar que Anthony Hopkins, que representou o papel de Bento XVI, consegue impingir uma face humana, dócil e, às vezes, leve e gentil ao pontífice. 

Trata-se de um filme agradável. Serve para nos fazer refletir as múltiplas possibilidades de um movimento, pois o que se procura enfocar é um cristianismo mais dogmático, encerrado em pesadas sentenças dogmáticas e uma face mais leve e generosa da fé. 


sexta-feira, março 27, 2020

"Star Wars: A ascensão de Skywalker" - mais do mesmo

 
Esses dias de quarentena têm servido para, entre outras coisas, assistir a alguns filmes. Por causa de uma demanda categórica, resolvi ver Star Wars: A ascensão de Skywalker, o episódio IX da conhecida saga iniciada or George Lucas ainda nos anos 71 do século XX. Falo em "demanda categórica" por ser fã de Lucas. Queria ver o que fizeram com a intriga cósmica que ele criou.

Como explicitei aqui há algumas semanas, Lucas vendeu para os estúdios Disney os direitos sobre os filmes. Até o momento da venda eram apenas seis filmes. 

Para preencher uma sede, a princípio, dos fãs do filme, começaram a surgir obras quase anuais da saga. Quando não seguem o fluxo dos episódios, abordam perifericamente algum personagem ou evento não muito bem explicitado da saga. O objetivo disso tudo, claro, é o fator financeiro. Busca-se o lucro. As cifras bilionárias, pois ainda existe um público cativo; disposto a quedar-se diante da magia iniciada por Lucas.

Foi em busca da magicidade, que busquei assistir ao episódio IX. Infelizmente, a experiência não foi das melhores. Acredito que não existe mais o que explorar naquilo tudo. Falta imaginação. Há uma previsibilidade em tudo o que acontece. Os conflitos entre as personagens que compõem as hostes que se rebelam contra a Primeira Ordem já não empolga. Mais do mesmo. Os vilões, por sua vez, são imperfeitos em demasia. Houve uma tentativa de inserção do Senador Palpatine contra a Ray, a última Jedi. Teria sido melhor se o conflito entre os dois não tivesse acontecido. O conflito entre os dois possui rápida resolução. Acredito que este seja um dos problemas do filme: os conflitos possuem uma rápida resolução.

O conflito que leva ao clímax é um dos pontos mais baixos do filme. Sinceramente, cansa do início ao fim: milhares de naves imperiais contra naves capengas e sucateáveis. Foi-se o tempo em que havia filosofia, religiosidade, magia; uma crença imponderável, a maravilhosa direção e o olhar clínico de Lucas. Tudo me pareceu bastante descuidado. Sem força imagética. Repetitivo. Suntuosamente, desgastado.

Trata-se de um tipo de obra que não dá sustos no espectador. É redonda em excesso. Já se sabe a que porto vai chegar. 

Com certeza, um dos piores filmes que vi nos últimos tempos.

quarta-feira, março 25, 2020

"Rashomon", de Akira Kurozawa

"É inevitável suspeitar dos outros num dia como este". 

Gosto de filmes que me faz pensar; que permite a reflexão, a tentativa de entender seus elementos simbólicos e metafóricos. Daqueles que deixam suas imagens presas em minha mente e inoculam o desejo de visitá-lo mais de uma vez. E, com o tempo, tornam-se referências necessárias a uma boa reflexão. 

Esse fato aconteceu mais uma vez esta semana. Com a decretação da quarentena por causa da pandemia de coronavírus, tive a oportunidade de assistir a Rashomon, umas das experiências mais felizes que já tive com o cinema. Rashomon é uma obra de 1950, dirigida por um dos mais importantes e geniais diretores da história do cinema, o japonês Akira Kurozawa. 

O diretor utilizou-se de dois contos escritos por Ryunosuke Akutagawa. Com elementos simples, Kurozawa dirigiu uma das mais belas, poéticas e misteriosas obras de todos os tempos. Existem basicamente três espaços na história: os portões de Rashomon, a floresta e o tribunal. Não há muitos personagens: um ladrão, um padre, um lenhador, um plebeu, um samurai e a esposa deste.

A história não possui um plano linear. Não existe um plano em que se deixe prevalecer certa impressão sobre os fatos. Na verdade, com exceção do padre e do plebeu, todas os demais personagens são narradores. O filme problematiza os limites para se contar um fato e os seus desdobramentos; consequentemente, as interpretações que são dadas a esse fato.


Nesse sentido, evoca-se Nietzsche que disse certa vez que "não há fatos; apenas interpretações". Um fato não gera fidelidade àquilo que vai ser feito com ele. 

O filme não nos permite ter uma pista do porquê cada personagem personaliza a descrição do assassinato do samurai e do estupro de sua esposa pelo endiabrado Tajomaru. Mas, tanto quanto as personagens que estão no portão, ficamos sem saber qual das quatro versões do evento da floresta é a verdadeira. 

A atuação dos personagens é genial. O padre é a figura que perde a crença no ser humano. Essa perspectiva fica evidente em sua fisionomia, no seu atordoamento. Na última cena do filme, assim como a chuva que cessa (como se ela metaforizasse o aspecto pessimista do anti-humanismo), um lampejo de crença ensolarada brota em seu rosto e esparrama-se em suas palavras, dirigindo-se ao lenhador: "Graças a você acho que posso manter minha fé nos homens". Todavia, com tudo o que se testemunha no filme, questiona-se as próprias intenções do interlocutor do padre. A cena final é bonita, emblemática, insinuadora de pessimismo e, ao mesmo tempo, de uma esperança luminosa. 

Queremos crer, mas gesta-se certa desconfiança. Por que acreditar se os homens são potencialmente mentirosos e egoístas? Este é dilema que resulta da experiência de assistir ao filme. Celebra-se o humano, mas celebra-se a desconfiança, a descrença. Kurozawa genial!


sexta-feira, março 20, 2020

A justiça em um coportamento exemplar - o caso do irmão mais velho do filho pródigo

O Retorno do Filho Pródigo, de Rembrandt, séc. XVII


A parábola do filho pródigo ou do pai amoroso, encontrada no texto bíblico atribuído ao médico Lucas, é rica em significados. A enorme quantidade de reflexões procura colocar em evidência a jornada inconstante do jovem que abandona sua casa, seu velho pai e leva consigo parte da herança. Há ainda uma preocupação em tornar visível o amor incontido, silencioso, gracioso do pai. Ele ficava à porta esperando, diariamente, o retorno do filho inconsequente.

Por sua vez, ao se falar do filho mais velho, o que ficara em casa, aquele que vivera o luto do pai com a partida do irmão; que concentrara responsabilidades por causa da saída do irmão novo; que estivera trabalhando no campo e observou, ao voltar, uma algazarra, um vozerio, que vinha da casa e, simplesmente, perguntou para um criado o que acontecera. Ele é costumeiramente retratado como alguém amargo, ressentido, rancoroso. Reforça-se a noção de que ele seja uma pessoa dura. Parece não haver um esforço para entender o seu ponto de vista. Segundo Lucas, ao ouvir os sons do festim - e saber ainda que o pai matara o "o novilho gordo" - "encheu-se de ira". Ficou à distância. Nutria em seu silêncio, a indiferença do pai. Procurara, por meio de um comportamento justo, exemplar, ser um filho que orgulhava o pai. Os vizinhos certamente o admiravam. Viam nele um exemplo a ser seguido. Muitas jovens o queriam por marido.

Ele fizera tudo correto. Procedera de forma irretocável. Não havia juízos contra ele. Sua ira era é justa. Seu pai tentou consolá-lo. Arranjar razões. Por sua vez, o filho mais velho estava duro e inerte. Algumas lágrimas brotaram quentes. Rolam pela pele corada e escura. Chegam até à barba fechada - um sinal de dignidade. Prepara-se para falar. Os pensamentos estão em ebulição. As palavras marcham firmes de sua boca. "Olha! Todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens". E, segue, como se as palavras viessem de uma fonte torrencial. "Tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele". 

A resposta do pai é desconcertante. Revela uma face para a qual o filho mais velho não estava acostumado. "Tudo o que tenho é seu". E justifica da seguinte forma as comemorações iniciadas: "Mas nós tínhamos que comemorar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado". O pai diz "teu irmão" (lembrando que o irmão mais velho empregara a expressão "esse teu filho"), buscando reintegrar a familiaridade entre os dois. 

Diante desse episódio, a sua justiça, comportamento exemplar, são rebaixados. Não há exaltação à sua pessoa. Sua indignação se situa entre a injustiça e o amor. Ele é visto como um coadjuvante vingativo. Cheio de virulência. A história encerra-se com as palavras do pai. Não se sabe o que aconteceu: se ele entrou desconfiado e contrariado, e aos poucos, buscou observar o irmão com outros olhos; ou, simplesmente, continuou inarredável, inflexível em suas convicções de justiça. 

Na conhecida pintura de Rembrandt, ele fica de longe, com ar inerte, segurando um cajado, observando o abraço generoso do pai. O que passa por sua cabeça? Uma indignidade o que acontecia, certamente. Ele entende assim. Trata-se de um antagonismo forte nessa brilhante parábola: de um lado o amor incomensurável de um pai que perdoa; do outro, a justiça irretocável de um filho que levara uma vida exemplar. E uma pergunta surge: ele estava errado em sua ira?


terça-feira, fevereiro 11, 2020

"O Parasita" e a crítica às verticalidades


 
Sou um crítico do festival do Oscar. Todo início de ano, há uma imensa propalação do evento, como se este referendasse o que foi produzido em matéria de cinema. As produções indicadas são alçadas ao panteão insofismável das obras definitivas. Na minha limitada maneira de ver, apenas alguns dos filmes indicados podem ser colocados no rol das grandes obras. Há muito Hollywood e, em muitos casos, pouco cinema nessas obras. Resumindo: o Oscar é um festival feito para as produções estadunidenses. O objetivo é robustecer o imperialismo daquela sociedade, ou seja, sua indústria cultural.

Há cinema de qualidade sendo produzido em outros locais do Globo. Mas, num aceno de máxima sensatez, até mesmo os enfunados norte-americanos parecem reconhecer isso. Essa tese pode ser fortalecida com a concessão que foi feita ao excelente filme sul-coreano O Parasita (do diretor Bong Joon-ho), uma obra provocante e de grande qualidade; rica em metáforas; em possibilidades temáticas; repleta de simbolismos; e detalhes psicológicos, sociológicos, filosóficos, econômicos, urbanísticos etc.

Primeiramente, é preciso dizer que O Parasita é uma experiência perturbadora. O filme nos passa a ideia inicial de uma comédia de mal gosto. Aos poucos, vai ganhando contornos dramáticos. Até ganhar cintilações trágicas. À medida que as cenas se desenrolam, há uma mal-estar provocado pela esperteza da família. São verdadeiros “parasitas” no sentido mais elementar. Aproveitam-se de um hospedeiro para extrair-lhe os nutrientes. Alimentam-se do organismo alheio, fazendo disso uma ação necessária, fundamental. Ignoram a condição do hospedeiro. Pensam apenas na satisfação de suas necessidades. Parasita é um nome forte, repleto de efeitos.

Um pai de família pobre, juntamente com a esposa e dois filhos (um casal), se equilibram financeiramente. Nesse sentido, há uma crítica sendo feita ao modo de organização social da, aparentemente, rica Coreia – ao contrária de sua irmã do Norte. A família vive em um espaço, como se fosse inseto, abaixo da superfície da rua, em Seul, capital da rica Coreia do Sul. A alimentação é irregular. Na luminosa e tecnológica Coreia, eles não têm serviço de wi-fi. Precisam capturar a senha dos estabelecimentos que oferecem o serviço gratuitamente aos clientes. Recebem os dejetos dos bêbados que urinam na rua.

Surge uma oportunidade para que um dos filhos da família desse aulas de inglês para a filha de uma família rica. É justamente nesse ponto que acontece o salto imaginativo e malandragem da família. Todos os integrantes da família assumem funções na casa da rica família após eliminarem os obstáculos de forma insensível. Os desdobramentos são os mais inusitados possíveis, tornando O Parasita uma obra cujas possibilidades da fantasia e do inverossímil são usados em doses certas.

É possível afirmar que as escadas possuem uma função fundamental na produção de Bong. Há um trabalho constante com a verticalidade. Há uma cena emblemática no filme que nos remete à metáfora da estruturação das sociedades capitalistas. Após uma chuva terrível que causa prejuízos inestimáveis para os pobres moradores das periferias da capital sul-coreana, o pai e os dois filhos descem uma escadaria. A cena sugere que eles sempre descem: do bairro rico para o bairro pobre; do ponto alto para o ponto baixo; do limite da rua, para a caserna onde moram. Trata-se da representação do esquematismo das classes sociais sob o capitalismo, fazendo lembrar a música do Chico Sciense e Nação Zumbi, A cidade.  “A cidade não para/ a cidade só cresce/ o de cima sobe/ e o debaixo desce”.

O Parasita ganhou o Oscar de melhor filme do ano de 2019. Até mesmo a autossuficiente Hollywood se dobrou diante da beleza e do emblematismo da obra.  Os americanos sempre defensores de que estão no ponto mais alto entre todas as sociedades globais, tiveram que descer à superfície e perceber que há outros olhares, além dos deles.

terça-feira, janeiro 28, 2020

"Rocketman", algumas impressões


Estava curioso para assistir ao filme Rocketman, que retrata a vida de Elton John, um artista cuja importância é inquestionável para a música pop, e que construiu uma carreira de sucesso em mais de cinquenta anos. O músico, que possui o nome verdadeiro de Reginald Dwight, é interpretado por Taron Egerton no longa-metragem, sob a direção de Dexter Fletcher. O ator consegue um bom resultado em sua interpretação. 

                O filme foge do padrão tradicional das cinebiografias. Não há uma narrativa linear, buscando retratar de maneira fiel os acontecimentos da vida do “homem foguete”. Há a inserção de elementos fantasiosos. Egerton canta as músicas. Dança. Faz acrobacias. Nesse sentido, o timbre de voz busca se aproximar do timbre de Elton John. O ator aprendeu as músicas; os ademanes; o modo espalhafatoso de ser; o sorriso; os dramas; e as sutilezas da personalidade repleta de energia do cantor inglês.

                Elton John, como se pode perceber por meio da obra, foi um garoto que viveu a ausência dos pais na sua formação. Pode-se afirmar que houve uma espécie de abandono emocional por parte do pai. A mãe mostrava-se fútil e assumiu um relacionamento com outro homem. Dwight cresceu tímido. Introvertido. Cioso da presença dos pais. O seu porto-seguro foi a avó. Ela soube arregimentar as melhores palavras. Incentivou o jovem. Apoiou-o na escolha que fez a fim de que estudasse música numa das principais academias inglesas. 

                Observa-se que Elton John possuía um vulcão em si. Seus figurinos exagerados, aberrantes, bregas, são uma demonstração das paisagens interiores de que dispunha. É como se ele guardasse dentro de si um clown, que vinha à tona, potencializado pelo vício em cocaína e álcool e pela força irruptiva da música. O jovem e talentoso pianista se torna um “foguete”, como fica bem exposto em suas apresentações. 

                Foi um artista talentoso. Ao lado do seu companheiro de composição, Bernie Tapin, produziu uma discografia grandiosa e multifacetada. Vendeu milhões de discos. E soube aproveitar os revezes da indústria musical. Houve anos em que produziu dois discos, mantendo-se incrivelmente nas primeiras posições com as músicas mais tocadas. Discos como “Goodbye Yellow Brick Road” (1973) ou “Honky Chateau” (1972) não podem faltar em nenhuma lista dos melhores discos de rock de todos os tempos.

                O filme, entre outros aspectos, é bom. Não tem medo de ser musical, com cenas de dança coreografada, coisa que reputo perigosa, pois pode cair na chatice convencional de se tornar piegas. É dramático na dose certa. É narrado pelo próprio Elton John interpretado por Egerton, que numa roda de viciados, conta os episódios por que passou ao longo de sua ditosa e desditosa existência, até a superação do vício de drogas. 

sexta-feira, janeiro 24, 2020

Star Wars - Episódio V - O império Contra-Ataca, algumas impressões


Sou aficionado pela saga de Star Wars, criada pelo genial George Lucas, um visionário, gênio da fantasia cinematográfica. Os seis filmes originais, possuidores de sua influência, foram para mim, durante muito tempo, obras que sempre visitava em alguns períodos de anos passados.

Lucas – ao meu modo de ver – conseguiu com imensa mestria articular uma série de elementos filosóficos, psicológicos, religiosos, históricos e os envolveu em um drama cósmico. Há forças opositoras que colidem numa disputa pelos rumos da história, algo tão batido, tão comum em uma produção em que há mocinhos e bandidos.

A forma como Lucas também organizou as obras é envolvente. Primeiro, surgiram os episódios 4, 5 e 6; logo em seguida, vieram os episódios 1, 2 e 3. Em 2012, os cinéfilos e, principalmente, amantes das produções lucanas foram surpreendidos com a notícia da venda da Lucasfilm para a Disney por incríveis 4,05 bilhões de dólares. Com a compra pela Disney, proliferaram as novas produções. O negócio com a Disney foi bastante interessante para Lucas. Todavia, os estúdios Disney recuperaram de maneira fácil o investimento realizado em pouco tempo como era de se esperar. A marca é valiosa. 

Esta semana assisti ao icônico Episódio V – O Império Contra-Ataca. A escolha foi aleatória. Queria imergir naquela atmosfera futurista mais uma vez. Nos efeitos especiais criados no início da década de 80 – para época, recursos impensados embasbacantes.

       Como nos outros filmes criados da série, há um longo preâmbulo antes que a história se desenrole. Deambulações exageradas para um espectador impaciente. As cenas iniciais do Planeta Gelado me deixa indiferente. Todavia, aos poucos, as coisas se encaixam e o enredo se desenrola.

         É no Episódio V que aparece a figura mongética do mestre Yoda. Sua sabedoria é orientalizante; suas palavras, módicas. Sempre encobertas por camadas de mistério: “A Força é mais forte, mas o lado obscuro da Força é sempre mais sedutor”. Os Jedi são uma espécie de samurai. São “guerreiros” discretos, prudentes, contidos, cônscios da responsabilidade moral pela qual devem zelar. É a intriga milenar entre o caminho da virtude e o caminho das susceptibilidades enfeitiçantes dos desejos humanos. Ceder a esses desejos é trilhar o caminho escuro, que conduz às violações mais banais das regras do bem viver.

        Quem sabe ao longo do ano, voltarei a visitar outro filme da série.

quinta-feira, janeiro 23, 2020

Black Sabbath - "The Eternal Idol" (1987)




“The Eternal Idol” é o 13° álbum de estúdio do Black Sabbath. Representa um momento da banda inglesa. Neste período, da formação original, havia somente o capitão Tonny Iommy, que capitaneava o barco. O disco foi gravado no rescaldo de uma série de saídas e entradas de músicos. Pode-se afirmar que “The Eternal Idol” abre uma terceira via no ciclo formativo do Sabbath. O primeiro, certamente, é com Ozzy; o segundo com Dio; e o terceiro com Tonny Martin, que participaria de outros cinco discos. 

Martin é o segundo vocalista, após o Ozzy, que durou mais tempo na banda. O disco representa a desagregação por que passava a banda. Iommy viciado em cocaína e cheio de dívidas, buscava por todos os meios uma tábua de salvação. Do ponto de vista técnico o disco é bom. Mas, se não possuísse o selo Sabbath e a presença de Iommy, seria apenas o disco de uma banda querendo o seu lugar ao sol. Há boas canções – “The Shining”, “Nightmare”, “The Eternal Idol” -, entretanto, fica a apenas nisso. Martin é um bom vocalista, mas, fica apenas nisso. Notam-se os solos com a marca Iommy, mas, fica apenas nisso.

quarta-feira, janeiro 01, 2020

"Ética e moral - a busca dos fundamentos", de Leonardo Boff

"Tudo no mundo é dialético...", p. 94

Este foi o último livro que li no ano de 2019, portanto, o último da década. A leitura iniciou na metade do ano. Foi concluída apenas no último dia do ano. Resultado do muito trabalho e das poucas horas de que dispus para ler e contemplar as ideias, desvelando as intenções dos pensamentos. O que me levou ao livro foi uma intrigante vontade de entender o conceito filosófico de ética e moral tão comuns em debates; palavras repletas de menções, mas desconhecidas por boa parte daqueles que as proferem. 

O título do livro sugere isso - Ética e moral: a busca dos fundamentos, mas, Leonardo Boff não se ocupa em abordar filosoficamente esses dois conceitos. As referências são bem superficiais. Ele até busca fazê-lo. Há uma singela explicação etimológica para as duas palavras. Segundo Boff, as duas palavras gregas - ethos e daimon - são importantes para compreender o conceito de ética e moral. A primeira significa "morada humana"; já a segunda significa "anjo bom, gênio protetor". O conceito de "morada" extrapola o sentido do físico. É algo existencial. É o reconhecimento do bem-estar e possui uma relação globalizante consigo e com o cosmos. Já o "anjo protetor" tem a ver com a boa consciência, "com o sentimento do conveniente e do justo". Sendo assim, essa boa consciência nos permitirá morar bem na casa em que habitamos - seja o sujeito individual, a cidade, o país, o Planeta, o Universo em que habitamos. Tudo que se faça permitirá, munido desse "boa consciência", será ético e bom. Fora disso, tudo será antiético e mau. 

Ética é, então, o ramo da filosofia preocupado em orientar os homens a estabelecer os princípios e valores que tornam a vida possível em sociedade.  Já a moral é parte da vida concreta. Uma pessoa é moral quando age de acordo com os princípios e valores consagrados. Portanto, ela pode ser moral sem ser ética.

É a partir desse pensamento que Boff faz a sua reflexão, estabelecendo a relação do sujeito consigo e com o outro para a existência de uma ética que conduza o homem a uma mudança. Segundo ele, o modelo construído pela sociedade capitalista não tem permitido a formação dessa boa consciência, conduzindo o homem do nosso tempo a uma ignorância, que se não for observada, será fatal a manuntenção de todos os seres no Planeta. Para reverter isso, é preciso que haja (1) um ethos que procura; (2) um ethos que ama, pois "quando o outro irrompe à minha frente, nasce a ética"; (3) um ethos que cuida, porquanto o cuidado é anterior, "é o a priori ontológico", aquilo que deve existir antes para que a vida e as coisas se tornem possíveis; (4) o ethos que se responsabiliza, porque "responsabilidade surge quando nos damos conta das consequências de nossos atos sobre os outros e a natureza"; (5) o ethos que se solidariza, "pois somos todos interdependentes uns dos outros"; (6) o ethos que se compadece, porquanto necessitamos incorporar a compaixão; (7) o ethos que integra, pois procura ser sensível às demandas do mundo, às suas necessidades. 

Como em outras leituras que fiz de Leonardo Boff, há um forte apelo para o despertar de uma nova consciência, que fuja do tecnicismo da modernidade, com suas respostas prontas, com as suas demandas desumanizantes. Boff está preocupado com a agenda ética de Francisco de Assis, de Jesus Cristo, de Gandhi, de Dalai Lama; com ética dos povos originais e suas tradições ancestrais. A espiritualidade é um elemento importante para a existência do daimon. Sem ela, não se pode desenvolver a boa consciência, a sensibilidade para as boas práticas. 

É preciso desconstruir a cultura da satanização do outro, pois ela só produz tragédias - guerras, preconceitos, xenofobias, misoginias, racismos. "O caminho da paz é a própria paz". Essas preocupações devem ser o debate atual, caso queiramos que nossa espécie tenha sobrevida neste planeta. A cultura da violência contra tudo e contra todos, por meio da agressão ao meio ambiente; a imposição da ideologia do capitalismo, o neoliberalismo, devem ser detidos. E isso só é possível colocando um outro fundamento, numa prática (moral) condizente com valores verdadeiros e princípios humanísticos (ética). 


Filmes e documentários vistos em 2020

Mestre Andrei Tarkovsky, o maior criador de sonhos da história do cinema. Ele será a referência para 2020. Revisitar alguns dos seus filmes será um objetivo.

O objetivo para 2020 é assistir a 50 filmes. Cada filme deve ser resenhado - nem que seja com uma singela linha.

1. Star Wars - episódio V: o Império contra-ataca - dir. Irvin Kershner. Ficção. 124 min. EUA. 1980. Nota: 9,5 - 22/01;

2. Rocketman - dir. Dexter Fletcher. Musical. 121 min. Inglaterra/EUA. 2019. Nota: 8,7 - 24/01;

3. Era uma vez em... Hollywood. dir. Quentin Tarantino. 165 min. EUA/China. 2019. Nota: 9,3 - 25/01;

4. Parasita. dir. Bong Joon-ho. 132 min. Coreia do Sul. 2019. Nota: 9,7 - 25/01;

5. Hitler - a ascensão do mal. dir. Christian Duguay. 178 min. Canadá, Espanha, EUA. 2003. Nota 8,8 - 29/01.

6. História de um casamento. dir. Noah Baumbach. 136 min. EUA. 2019. Nota. 9,1 - 08/02;

7. Um corpo que cai. Alfred Hitchcock. 128 min. EUA. 1958. Nota. 9,6 - 10/02.

8. O exterminador do futuro: Gênesis. dir. Alan Taylor. 126 min. EUA. 2015. Nota. 8,0 - 23/02.

9. Jojo Rabbit. dir. Taika Waititi. 108 min. EUA, Nova Zelândia, República Tcheca. 2019. Nota. 9,4 - 24/02; -

10. Bacurau. dir. Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles. 132 min. Brasil, França. 2019. Nota. 9,4 - 24/02;

11. Os excêntricos Tenenbaums. dir. Wes Andersen. Comédia, Drama. 109 min. EUA. 2001. Nota: 9,2 - 25/02;

12. O espelho. dir. Andrei Tarkovsky. Drama. 101 min. Rússia. 1975. Nota: 9,2. 29/02.

13. Legítimo rei. dir. David Mackenzie. Drama, Ação. 122 min. Inglaterra. 2018. Nota: 8,9. 06/03.

14. As duas faces de um crime. dir. Gregory Hoblit. Drama, Suspense. EUA. 1996. Nota. 9,5. 08/03

15. Rastros de ódio. dir. John Ford. Drama, Western. EUA. 1956. Nota: 9,5. 13/03;

16. Bastardos Inglórios. dir. Quentin Tarantino. Drama, Guerra. EUA, Alemanha. 2009. Nota: 9,5. 15/03

17. Rashomon. dir. Akira Kurozawa. Drama, Suspense. Japão. 1950. Nota: 9,9. 19/03.

18. Star Wars: A ascensão de Skywalker. dir. J. J. Abrams. Ação. EUA. 2019. Nota. 7,5. 21/03;

19. O ovo da serpente. dir. Ingmar Bergman. Drama. Alemanha, EUA. 1977. Nota: 9,3;

20. Dois papas. dir. Fernando Meireles. Comédia, Drama. Itália, Argentina. 2019. Nota: 9,5.

21.  O deus da carnificina. dir. Roman Polanski. Comédia, Drama. 79 min. EUA. 2011. Nota: 9,5;

22. Mississipi em Chamas. dir. Alan Parker. Drama, História. 128 min. EUA. 1988. Nota: 9,7;

23. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. dir. Woody Allen. Comédia, Romance. 93 min. 1977. Nota: 9,7;

24. A paixão de Joana D'Arc. dir. Carl Theodor Dreyer. Drama, Biografia. 110 min. França. 1928. Nota: 9,5; 03/04

25.  Ventos da Liberdade. dir. Ken Loach. Drama, Guerra. 127 min. Inglaterra. 2006. Nota: 9,0 - 04/04

26. A Aventura. dir. Michelangelo Antonioni. Drama, Suspense. 145 min. Itália. 1960. 9,3 - 11/04;

27. Infiltrado na Klan. dir. Spike Lee. Drama, Comédia. 128 min. EUA. 2018. 9,5 - 12/04;

28. Sem Amor. dir. Andrey Zvyagintsev. Drama. 128 min. Rússia. 2017. 9,6 - 14/04;

29. Um sonho de liberdade. dir. Frank Darabont. Drama. 142 min. EUA. 1994. 9,7 - 19/04;

30. O eclipse. dir. Michelangelo Antonioni. Drama. 118 min. Itália. 1962. 9,7 - 25/04;

31. Cavalo de Turim. dir. Béla Tarr. Drama. 146 min. Hungria. 2011. 9,5 - 25/04;

32. Amor à tarde. dir. Eric Rohmer. Drama. 97 min. França. 1972. 9,5 - 02/05;

33. Attenbergh. dir. Athina Rachel Tsangari. Drama. 93 min. Grécia. 2010. - 9,0 - 02/05;

34. O Shaolin do Sertão. dir. Helder Gomes. Comédia. 100 min. Brasil. 2016. - 9,0 - 07/05;

35.  O céu de Suely. dir. Karin Ainouz. Drama. 90 min. Brasil. 2006. - 9,3 - 12/05;

36. Casablanca. dir. Michael Curtiz. Drama, Guerra. 102 min. Brasil. 1942 - 9,6 - 13/05;

37. Como nossos pais. dir. Laís Bodanzky. Drama. 102 min. Brasil. 2017 - 9,3 - 15/05;

38. O paciente. dir. Sérgio Rezende. Drama. 162 min. Brasil. 2018. - 9,2 - 16/05;

39. Ordet. dir. Carl Theodor Dreyer. Drama. 126 min. Dinamarca. 1955 - 10. - 17/05;

40. Luz de inverno. dir. Ingmar Bergman. Drama. 81 min. Suécia. 1963 - 9,5 -  22/05;

41. A Queda - as últimas horas de Hitler. dir. Oliver Hirschbiegel. Drama, Biografia. Alemanha. 156 min. 2004. 9,7 - 23/05;

42. Os suspeitos. dir. Bryan Singer. Policial. 106 min. EUA. 1995. 9,3 - 31/05;

43. Eles não usam black-tie. dir. Leon Hirszman. Drama. 120 min. Brasil. 1981. 9,4 - 05/06;

44. L'Apollonide - Os amores da casa de tolerância. dir. Bertrand Bonello. Drama. 125 min. França. 2011. 9,1 - 07/06;

45.  A estrada da vida. dir. Federico Fellini. Drama. 104 min. Itália. 1954 - 9,7 - 12/06;

46. Selma. dir. Ava DuVernay. Drama, Biografia. 128 min. EUA. 2014. - 9,2 - 14/06;

47. Love. dir. Gaspar Noé. Drama.  135 min. França, Bélgica. 2015 - 8,7 - 16/06;

48. O escândalo. dir. Jay Roach. 108 min. EUA. 2019. - 9,4 - 16/06;

49. Superman - Red Son. dir. - Animação. 20/06

50. O destino de uma nação. dir. Joe Wright. 125 min. Inglaterra. 2017. - 9,1. 21/06

51. Lavoura Arcaica. dir. Luiz Fernando Carvalho. 163 min. Brasil. 2001. - 9,2 - 26/06

52. Três homens em conflito. dir. Sérgio Leone. Western. 161 min. EUA, Itália. 1966 - 9,7 - 26/06;

53. Glória feita de sangue. dir. Stanley Kubrick. Drama, Guerra. 87 min. EUA. 1957. - 9,2 - 27/06/2020;

54. Um método perigoso. dir. David Cronemberg. Drama, Biografia. 93 min. Canadá. 2011. 9,1 - 28/06/2020;

55. O filme da minha vida. dir. Selton Mello. Drama. 113 min. Brasil. 2017. - 8,5; 03/07;

56. Por um punhado de dólares. dir. Sérgio Leone. Western. Itália. 99 min. 1964. 06/07;

57. Los Angeles - cidade proibida. dir. Curtis Hanson. Drama, Policial. EUA. 138 min. 1997. 9,1 - 08/07;

58. Apocalipse Now. dir. Francis Ford Copolla. Drama, Guerra. EUA. 153 min. 1979. 9,7 - 12/07;

59. O beijo da mulher aranha. Hector Babenco. Drama. Brasil, EUA. 120 min. 1985. 9,1 - 17/07;

60. Lawrence da Arabia. David Lean. Aventura, Drama. Inglaterra. 216 min. 1962. 9,9. 18/07; 

61. Rain Man. dir. Barry Levinson. Drama. EUA. 133 min. 1988. 9,5. 19/07; 

62. A vida de Brian. dir. Terry Jones. Comédia. Inglaterra. 94 min. 1979. 9,5. 21/07;

63. Cidade Baixa. dir. Sérgio Machado. Drama. Brasil. 98 min. 2005. 9,2. 23/07;

64. Marry Shelley. dir. Haifaa Al-Mansour. Drama, Biografia. Inglaterra, EUA. 120 min. 2017. 9,3. 
26/07.

65. Rio Babilônia. dir. Neville de Almeida. Drama. Brasil. 115 min. 1982. 5,0; 27/07;

66. O caminho das nuvens. dir. Vicente Amorim. Drama.  Brasil. 85 min. 2003. 9,1; 01/08;

67. Lady Bird. dir. Greta Gerwig. Comédia. EUA. 94 min. 2017. 9,3; 02/08; 

68. O lagosta. dir. Yorgos Lanthimos. Comédia, Drama. Grécia, EUA. 118 min. 2015. 9,5;  09/08.

69. Os sete samurais. dir. Akira Kurosawa. Drama, Ação. Japão. 207 min. 1954. 10,0. 10/08;

70. O Decamerão. dir. Pier Paolo Pasolini. Comédia, Drama. Itália. 112 min. 1971. 9,1. 12/08;

71. O homem que virou suco. dir. João Batista de Andrade. Drama. Brasil. 97 min. 1981. 8,9. 15/08;

72. Colette. dir. Wash Westmoreland. Drama, Biografia. Inglaterra, França. 111 min. 2018. 9,2. 25/08;

73. Gauguin - Viagem ao Taiti. dir. Edouard Deluc. Drama, Biografia. França. 102 min. 2017. 9,3. 29/08;

74. Os oito odiados. dir. Quentin Tarantino. Drama, Western. EUA. 167 min. 2015. 9,4. 03/09;

75. Nostalgia. dir. Andrei Tarkovski. Drama. Rússia, Itália. 125 min. 1983. 9,0. 05/09;

76. Os bons companheiros. dir. Martin Scorsese. Drama. EUA. 145 min. 1990. 9,5. 07/09; 

77. Django Livre. dir. Quentin Tarentino. Ação, Western. EUA. 165 min. 2012. 9,4. 07/09;

78. Um tiro na noite. dir. Brian De Palma. Suspense. EUA. 108 min. 1981. 9,4. 12/09;

79. Iracema - Uma Transa Amazônica. dir. Jorge Bodanzky, Orlando Senna. Drama. Brasil. 91 min. 1975. 9,3. 18/09;
 
80.  Todos já sabem. dir. Ashgar Farhadi. Drama. Espanha. 130 min. 2018. 8,9. 15/09;
 
81. Central do Brasil.  dir. Walter Salles. Drama. Brasil. 103 min. 1998. 9,3. 29/09;
 
82. Pulp Fiction - tempo de violência. dir. Quentin Tarantino. Drama, Policial.  EUA. 154 min. 1994. 9,6. 03/10.
 
83.  Alcatraz - Fuga impossível. dir. Dom Siegel. Drama, Biografia. EUA. 112 min. 1979. 9,5. 12/10;

84. O banqueiro. dir. George Nolfi. Drama. EUA. 120 min. 2020. 9,4. 13/10.

85. O que traz boas novas. dir. Philippe Falardeau. Drama. Canadá. 94 min. 2011. 9,1. 16/10;
 
86. Vá e Veja. dir. Elem Klímov. Drama, Guerra.  URSS. 142 min. 1985. 9,8. 18/10;

87. Círculo Vermelho. dir. Jean-Pierre Melville. Policial. França. 140 min. 1970. 9,3. 24/10;

88. Faces. dir. John Cassavetes. Drama. EUA. 130 min. 1968. 9,4. 25/10;

89. Os contos de Canterbury. dir. Pier Paolo Paolini. Comédia. História. Itália. 109 min. 1972. 9,0. 27/10.

90. Manhattan. dir. Woody Allen. Comédia, Drama. EUA. 96 min. 1979. 9,5. 27/10.
 
91. A grande ilusão.  dir. Jean Renoir. Drama. França. 114 min. 1937. 9,2. 10/11
 
92. O som ao redor. dir. Kleber Mendonça. Drama. Brasil. 131 min. 2012. 9,6. 14/11
 
93. Sindicato de ladrões. dir. Elia Kazan. Drama. EUA. 108 min. 1954. 9,4. 15/11
 
94. Dor e glória. dir. Pedro Almodóvar. Drama. Espanha. 108 min. 2019. 9,0. 20/11
 
95.  Silêncio. dir. Martin Scorsese. Drama. EUA. 159 min. 2016. 9,5. 22/11
 
96.  Os 7 de Chicago. Aaron Sorkin. Drama. EUA. 129 min. 2020. 9,5. 28/11.
 
97. O quarto de Jack. Lenny Abrahamson. Drama. Canadá, EUA. 118 min. 2015. 9,5. 30/11 
 
98. Quero ser John Malkovich. dir. Spike Jonze. Comédia, Drama. 112 min. 1999. 9,2. 08/12
 
99. Ben-Hur. dir. William Wyler. Ação, Aventura. EUA. 212 min. 1959. 9,8. 11/12.
 
100. Nina. dir. Cynthia Mort. Drama, Biografia. Inglaterra. 90 min. 2016. 9,4. 13/12.
 
101.  Metropolis. dir. Fritz Lang. Drama, Ficção. Alemanha. 153 min. 1927. 9,0. 15/12
 
102.  O crepúsculo dos deuses. dir. Billy Wilder. Drama. EUA. 110 min. 1950. 9,7. 18/12.

103. Era uma vez no oeste. dir. Sergio Leone. Drama, Western. EUA. 165 min. 1968. 9,3. 20/12.

104. Era uma vez no Tóquio. dir. Yasujiro Ozu. Drama. Japão. 136 min. 1953. 9,1. 24/12.

105. O sacríficio. dir. Andrei Tarkovsky. Drama. Suécia, França. 149 min. 1986. 9,3. 27/12.

106. Touro Indomável. dir. Martin Scorsese. Drama. EUA. 129 min. 1980. 9,5. 31/12.




 
 
 
Documentários:

01. Pearl Jam - Twenty.  Cameron Crowe. 109 min. EUA. 2011. Nota: 9,0;

02. Onde a moeda cai em pé - a história do São Paulo Futebol Clube. dir. Pedro Jorge, Alexandre Boechat e André Plihal. 88 min. Brasil. 2018. Nota: 9,0 - 08/04. 

03. Cora Coralina - Todas as vidas. dir. Renato Barbieri. 86 min. Brasil. 2017. 9,2 - 25/04;

04. A arquitetura da destruição. dri. Peter Cohen. 119 min. Suécia. 1989. 9,5; - 22/05;

05. O triunfo da vontade. dir. Leni Riefenstahl. 114 min. Alemanha. 1935. 9,5 - 09/06; 

06. O holocausto brasileiro. dir. Daniela Arbex, Armando Mendz. 90 min. Brasil. 2016. 9,3 - 28/08;
 
07. Chico - artista brasileiro. dir. Miguel Faria Jr. 102 min. Brasil. 2015. 9,4. 23/11